A morte de Dolly Parton não deve interromper a expansão do seu império empresarial. Pelo contrário, tende a acelerá-la. No dia seguinte ao seu falecimento, em agosto, Parton se tornou a artista mais ouvida do mundo, com 79,7 milhões de reproduções globais, segundo a Luminate, empresa de dados do setor musical.
Na semana seguinte, o Spotify registrou um aumento de 1.260% nas reproduções em todo o mundo e de 2.320% nos Estados Unidos.
É um fenômeno que muitos artistas experimentam imediatamente após a morte, mas poucos estavam tão bem posicionados para lucrar com o aumento do interesse quanto Parton.
Os negócios de Dolly Parton
Ela passou décadas construindo um portfólio de fontes de receita sustentáveis, mantendo os direitos de suas músicas e uma parte de suas gravações originais, além de desenvolver um amplo negócio de licenciamento de marca, que inclui utensílios de cozinha, joias, alimentos e vinhos, roupas e produtos de perfumaria com sua assinatura.
Ela também detinha uma participação de 50% no parque temático Dollywood e em seus resorts, em sua cidade natal, Pigeon Forge, no Tennessee.
Ao todo, a Forbes estima que Parton deixou uma fortuna avaliada em cerca de US$ 525 milhões (R$ 2,84 bilhões, na cotação de sexta-feira, 30 de outubro), incluindo aproximadamente US$ 46 milhões (cerca de R$ 250 milhões) em ganhos nos últimos 12 meses.
A receita deve aumentar nos próximos anos, não apenas em razão do pico temporário de interesse após seu falecimento, impulsionado pelas reproduções em plataformas de streaming e pela visitação aos parques temáticos, mas também como resultado de uma estratégia coordenada para capitalizar sua popularidade contínua.
Novos projetos
Segundo seu empresário, Danny Nozell, Parton passou os últimos anos criando um cronograma de projetos para o lançamento de novos conteúdos “pelas próximas décadas”, muito além de sua eventual morte.
“Vários projetos estavam em diferentes estágios de desenvolvimento, e queremos ser transparentes com os fãs sobre esse fato”, afirmou Nozell em comunicado. “Se vocês virem músicas, produtos, livros, experiências e campanhas inéditas sendo lançados pelos canais oficiais de Dolly Parton, podem ter a certeza de que ela deixou sua marca pessoal em tudo isso.”
Em dezembro, um musical sobre sua trajetória, DOLLY: A True Original Musical, estreará na Broadway. Um longa-metragem biográfico, um documentário e uma série de TV estão em desenvolvimento, assim como um espetáculo de shows com um avatar digital.
E isso sem mencionar o hotel, o museu, uma rede de postos de caminhão, uma linha de bonecas, enfeites de Natal e uma marca de café que levam seu nome, todos com lançamento previsto para os próximos meses e desenvolvidos antes de sua morte.
Essa estratégia é semelhante à adotada por outras figuras recorrentes na lista anual da Forbes das celebridades mortas mais bem pagas. O espólio de Michael Jackson transformou sua chocante morte, em 2009, em um próspero império empresarial que gera mais de US$ 100 milhões (R$ 542 milhões) por ano, impulsionado ainda mais neste ano pelo lançamento do filme biográfico “Michael”, que arrecadou US$ 1 bilhão (R$ 5,42 bilhões).
Da mesma forma, as marcas pessoais de Dr. Seuss, Elvis Presley e Bob Marley nunca estiveram tão fortes, oferecendo uma ampla variedade de produtos e experiências para os fãs, mesmo décadas após a morte dessas estrelas.
A disputa pelo espólio de Dolly Parton
Cada um desses espólios também pode atestar as dores de cabeça e os problemas judiciais que acompanham fortunas desse tamanho. No caso de Parton, ela morreu sem filhos biológicos e antes de conseguir concluir a organização do espólio de seu falecido marido, que morreu em 2025.
Ela deixa seis de seus 11 irmãos e tinha 19 sobrinhos e sobrinhas, muitos dos quais trabalharam em diferentes áreas de seu império e poderiam ser nomeados beneficiários, embora os detalhes do testamento de Parton não tenham sido divulgados publicamente.
Um deles, Bryan Seaver, sobrinho de Parton e seu segurança pessoal por mais de 20 anos, está atualmente envolvido em uma disputa judicial com Nozell.
Foi Seaver quem apareceu nas redes sociais de Parton para anunciar sua morte, levando muitos a acreditar que ele ocuparia uma posição de liderança na família após a morte da tia.
No entanto, Nozell entrou com um pedido de medida restritiva contra Seaver depois de receber mensagens de texto agressivas nas quais ele ameaçava iniciar um podcast para “destruir as parcerias comerciais de Dolly”, a menos que recebesse um pagamento.
“Não tenho dívidas. Só tenho espadas e armas”, escreveu Seaver em uma das mensagens de texto que foram apresentadas publicamente. “Meus filhos têm três casas onde poderão morar para sempre. Minha esposa é dona de tudo. Tudo o que tenho é animosidade e lembranças. Mas vou passar o tempo que me resta na Terra ferrando com qualquer pessoa que já tenha traído minha família.”
Seaver afirma que as mensagens eram brincadeiras tiradas de contexto. Em um comunicado à TMZ, ele declarou: “Nos recusamos a ser intimidados por aqueles cujas ações acreditamos estar sendo tomadas de má-fé e com a intenção de lucrar com a vida de alguém que, voluntariamente, deu tanto.”
Uma audiência sobre o caso será realizada em 3 de novembro, em Nashville, para decidir se a medida restritiva se tornará uma liminar de longo prazo, o que efetivamente impediria Seaver de ter qualquer influência sobre o futuro do espólio.
As receitas futuras dependem da manutenção da imagem pública livre de controvérsias que Parton cultivou ao longo de quase 70 anos de carreira.
“Há muitas expectativas não verbalizadas por parte de diferentes pessoas envolvidas, sejam familiares, namoradas ou quem quer que seja”, afirma Richard McWhorter, consultor de patrimônio da SRM Private Wealth, que já trabalhou com espólios de outros músicos de destaque. “O dinheiro realmente leva muitas pessoas a agir de maneira disfuncional.”
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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