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O Novo Jogo do Amor: Por Que Viver Separado Pode Salvar Seu Relacionamento (E Sua Saúde Mental)

Relações em novos moldes desafiam a convivência tradicional e mostram que morar junto pode ter muitos formatos

4 min

Você já parou para pensar nos motivos que levam muitos casais à separação? Manias, hábitos e comportamentos que afetam um dos cônjuges, a priorização excessiva dos desejos alheios e em detrimento dos próprios ou, ao contrário, o individualismo que esquece que casamento é parceria estão entre as causas comuns de divórcio, segundo um estudo recente publicado pela Forbes.

Mas a boa notícia é que muitas pessoas, sem querer abrir mão de seu estilo de vida e de seus “cacoetes”, têm buscado, ao lado de seus parceiros, novas e criativas formas de arranjo. Uma delas, e que vem ganhando força, é a de morarem em apartamentos separados. Os americanos, que adoram criar termos, chamam isso de LAT, da sigla em inglês “Living Apart Together” (viver juntos, mas separados) ou “apartners”, palavra que junta “apart” (separados) e “partners” (parceiros).

Nesse tipo de solução, a diversidade é a regra: encontramos desde os que se mudam para a casa do parceiro ou parceira apenas nos fins de semana, os que só compartilham o mesmo teto quando viajam e até aqueles que dividem a semana entre as duas casas.

Pode não ser um combinado que funciona para todos, é verdade, mas os números têm mostrado que em muitos países uma parcela tem buscado esse arranjo. Nos Estados Unidos, o número de casais que optaram por viverem separados cresceu 25% entre 2000 e 2019. Na França, já são 10% dos casais e na Espanha, 8%.

A Reinvenção da Intimidade: Liberdade, Respeito e uma Nova Faísca na Relação

Viver sob o mesmo teto é, de fato, um desafio contínuo. Deixamos de estar apenas com os “nossos botões” para aprendermos a viver com os botões alheios, o que significa que há um outro que precisa ser considerado e respeitado. E é aí que reside o “X” da questão.

Por um lado, o LAT oferece liberdade e autonomia que para algumas pessoas é valiosa, permitindo que cada um preserve seu espaço pessoal. Mas é crucial nos perguntarmos: o segredo e a beleza da vida não estão, afinal, em aprender a lidar com o diferente? Não é no encontro com o que é distinto que aprendemos a definir e respeitar limites e que nos enriquecemos mutuamente?

É disso que se trata a verdadeira intimidade. Só construímos conexões profundas quando estamos dispostos a nos abrir e compartilhar algo de nós para o outro. Sem essa experiência, talvez não estejamos prontos para uma vida a dois, no sentido mais pleno.

Por outro lado, é preciso admitir: os pequenos conflitos cotidianos – quem bagunça a casa, quem esquece as contas – podem se tornar um vendaval para alguns casais. Nesse cenário, optar pela coabitação separada pode, sim, ser um desejo genuíno de cuidar e de preservar a relação.

Alguns especialistas chegam a afirmar que morar em casas separadas pode ser transformador para a vida sexual, já que as miudezas do dia a dia, muitas vezes criadoras de conflitos, podem sufocar a ligação erótica com nossos parceiros.

O arranjo LAT nos mostra, portanto, que não existe apenas uma forma de viver um relacionamento amoroso. Cada casal deve buscar e encontrar sua maneira singular de viver bem ao lado de quem ama. E é isso, no fim das contas, o que realmente importa, não? Feliz Dia dos Namorados a todos aqueles que encontraram alguém com quem têm dividido um pedaço da vida, seja sob o mesmo teto ou em um arranjo único que fortaleceu a sua união.

*Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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