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Como Uma Pequena Mudança de Mentalidade Pode Fazer Seu Relacionamento Ser Mais Feliz

Psicólogo explica a importância de desenvolver-se para ter confiança, empatia e controle emocional

5 min

Todos sabemos como as habilidades de comunicação são importantes para construir um relacionamento saudável, mas também precisamos de confiança social, empatia e controle emocional para avançar em direção à intimidade.

Uma forma de desenvolver essas habilidades é por meio da educação para relacionamentos, voltada tanto para casais quanto para pessoas solteiras. Esse tipo de aprendizado oferece o conhecimento e as ferramentas necessárias para criar e manter relações saudáveis.

Um novo estudo, publicado no Journal of Couple & Relationship Therapy, analisou dados de 1,4 mil participantes solteiros em um programa de educação para relacionamentos. A pesquisa revelou que aqueles que estavam menos satisfeitos em seus relacionamentos anteriores tiveram as maiores melhorias nas habilidades relacionais, após concluírem o curso. No entanto, as mudanças só acontecem quando a pessoa reconhece a necessidade de mudar.

De acordo com os pesquisadores, o simples ato de perceber que é preciso mudar parece abrir caminho para criar hábitos mais saudáveis nos relacionamentos.

Essa mudança de mentalidade teve melhores resultados entre solteiros que nunca se divorciaram. Esses participantes demonstraram uma ligação mais forte entre a insatisfação em um relacionamento passado e a motivação para mudar.

Por outro lado, os participantes divorciados mostraram menor tendência a sentir que precisavam mudar, possivelmente porque já haviam feito esse esforço antes do curso de educação para relacionamentos ou porque eram mais propensos a culpar o ex-parceiro.

Independentemente do resultado do relacionamento, é essencial trabalharmos constantemente em nós mesmos para nos comunicarmos melhor com nossos parceiros e resolvermos conflitos de forma eficaz.

Uma pesquisa publicada no Journal of Social and Personal Relationships explica como o autodesenvolvimento pode ser benéfico para o crescimento de um relacionamento. Isso pode não transformar completamente a relação em si, mas, quando o seu esforço para mudar é percebido pelo parceiro, ele pode sentir que o relacionamento está evoluindo.

Por outro lado, se você tentar mudar o seu parceiro em vez de ele mesmo fazer esse trabalho, o efeito pode ser o oposto do esperado. Além de as tentativas de “consertar” outra pessoa não funcionarem, é bem provável que você acabe se sentindo ainda pior em relação ao relacionamento nesse processo.

O lócus de controle

Sentir ou não a necessidade de mudar também pode estar ligado a quem você acredita ser o culpado em qualquer situação. Você costuma responsabilizar fatores externos quando algo dá errado ou olha para dentro e se pergunta se há algo em que possa trabalhar? Como você percebe o seu papel na história? Você acha que as coisas “acontecem com você” ou que é você quem “faz as coisas acontecerem”? As respostas a essas perguntas ajudam a entender qual é o seu lócus de controle.

As pessoas diferem quanto a quem ou ao que atribuem a responsabilidade pelo que acontece em suas vidas. Em seu estudo clássico sobre controle interno e externo do reforço, o psicólogo Julian Rotter identificou dois tipos de controle:

  • Lócus de controle interno: pessoas interpretam seu próprio comportamento e personalidade como responsáveis pelas consequências de suas ações.
  • Lócus de controle externo: pessoas acreditam que seu comportamento é controlado pela sorte, destino ou outras influências externas poderosas.

Se você tem um lócus de controle externo, pode se sentir menos motivado a fazer mudanças pessoais e acabar culpando os outros em vez de olhar para dentro. Esse tipo de percepção pode até ajudar em situações que realmente não estão sob seu controle, trazendo um senso de paz e aceitação. No entanto, pode ser prejudicial em relacionamentos, nos quais cada parceiro precisa assumir a responsabilidade por suas próprias ações.

Isso não significa se culpar, mas sim criar o hábito da autorreflexão.

Sem um lócus de controle interno, é mais provável que você culpe seu parceiro ou circunstâncias externas pelos seus problemas, o que prejudica seu crescimento pessoal. Isso pode levar a uma quebra na comunicação, já que o “jogo da culpa” mantém você e seu parceiro presos em um ciclo de interações negativas.

Como internalizar o seu lócus de controle

O primeiro passo para construir um relacionamento satisfatório é assumir a responsabilidade pelas suas ações. A partir daí, será mais fácil reconhecer seus erros e buscar mudanças, em vez de simplesmente desistir.

Em vez de perguntar: “por que tudo dá errado na minha vida amorosa?”, questione-se: “eu já conversei com meu parceiro sobre como podemos resolver isso juntos?”

Por exemplo, se o ele ou ela agir de forma emocionalmente distante, você pode se sentir abalado e pensar em desistir da relação por achar que não há nada que possa fazer. Pode parecer que uma parte importante da sua vida está sendo tirada de você, quando, na verdade, você pode estar abrindo mão do seu poder sem perceber. Acreditar que tudo está fora do seu controle faz com que você se sinta preso.

É por isso que pode ser necessário olhar para dentro e internalizar seu senso de controle. Isso geralmente começa com o fortalecimento da autoestima e com a confiança nas próprias escolhas e ações. Pergunte a si mesmo como você pode se apresentar como a sua melhor versão para que o relacionamento funcione.

Quando você começa a perceber que as coisas não estão tão fora do seu controle quanto imagina, passa a agir com mais integridade e confiança. Seja honesto consigo mesmo sobre o que precisa mudar e comunique ao seu parceiro o que o relacionamento precisa.

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