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Como Viajar Pode Ajudar na Superação do Luto

Terapeutas dizem que o tipo certo de viagem pode oferecer espaço emocional, perspectiva e rituais que favorecem a cura

6 min

Quando o luto chega, o instinto costuma ser se retrair. Mas para algumas pessoas, mudar de ambiente pode ajudar a criar o espaço necessário para começar a curar. A “viagem do luto” (às vezes chamada de “griefcation”) vem ganhando atenção como uma ferramenta poderosa para apoiar o processo de luto.

Seja uma viagem solo para reflexão silenciosa, um retorno a um lugar cheio de memórias, ou um retiro de bem-estar que oferece suporte profissional, viajar pode proporcionar a distância emocional, a perspectiva e os rituais que a vida cotidiana raramente permite.

Viajar não é uma cura — mas pode oferecer um respiro

Getty ImagesPermitir-se sentir, sem culpa ou pressa para se recompor, é um passo poderoso na cura

Lynn Zakeri, LCSW, terapeuta licenciada em Chicago, diz:

“‘Griefcation’ não é um termo clínico, mas captura algo que vejo repetidamente, com clientes e também na minha própria vida.” Ela descreve como sair das demandas do dia a dia — não para fugir do luto, mas para finalmente dar espaço para que ele exista. “Chorar sem sentir que precisa se recompor… sentir as emoções sem se desculpar por elas — isso é poderoso.”

A Dra. Gail Saltz, professora associada de Psiquiatria do NY Presbyterian Hospital Weill-Cornell School of Medicine, concorda que viajar pode oferecer alívio, mas alerta que não deve ser tratado como solução única. “É mais reconhecido na indústria de viagens do que na saúde mental,” diz ela. “Para algumas pessoas, viajar focado na recuperação do luto pode trazer benefícios, mas não é uma solução universal nem um tratamento prescrito para o luto.”

Por que viajar ajuda

Getty ImagesViajar cria uma pausa onde as emoções podem emergir com calma

Uma das principais razões pelas quais viajar pode apoiar a cura é que interrompe as rotinas que reforçam a ausência.

“A maioria das pessoas não consegue vivenciar o luto ‘sob demanda’ entre reuniões de trabalho ou buscar os filhos na escola,” diz Zakeri. “Viajar oferece uma pausa. A mudança de cenário silencia o ruído diário e permite que as emoções subam à superfície com segurança.”

Essa mudança de ambiente pode também dar ao luto uma textura diferente. “Um cenário muito diferente pode criar distância suficiente dos sentimentos cotidianos da perda para permitir que uma quantidade mais administrável de luto esteja presente,” explica Saltz. “Ao invés de ser dominado por ele e se sentir sobrecarregado.”

Zakeri lembra de uma experiência pessoal em que um nascer do sol espontâneo desbloqueou lágrimas que ela não conseguia acessar em casa. “Agora todo nascer do sol me traz essa pessoa à mente,” conta. “Não é insuportável, é terno.”

É cura ou fuga?

Getty ImagesViajar para negar a perda não promove o verdadeiro processo de luto

Nem toda viagem é útil, porém. Os especialistas alertam que a viagem do luto não deve ser usada para suprimir ou negar os sentimentos. “Se a viagem é usada para negar a morte ou fingir que a pessoa está esperando em casa, então não é realmente um processamento do luto.” afirma Saltz.

Zakeri traça uma linha entre espaço intencional e evasão. “Já vi famílias fazerem viagens rápidas, cheias de distrações, só para passar por um momento, como o primeiro feriado sem alguém. Isso é diferente de criar espaço para sentir o que precisa ser sentido.”

Um sinal chave: se a viagem convida suavemente à emoção ou reflexão, é mais provável que apoie a cura do que atrapalhe.

Escolhendo o tipo certo de viagem

Getty ImagesViagens com suporte ao luto oferecem acolhimento sem julgamentos

O luto é pessoal, então faz sentido que os destinos ideais variem muito. Zakeri diz que algumas pessoas encontram conforto na natureza: “O oceano, as florestas, os nascimentos do sol… eles não pedem nada de você. Eles apenas oferecem espaço.”

Outros podem querer voltar a um lugar cheio de memórias, ou escolher um local totalmente novo para explorar um futuro sem a pessoa perdida. “Não há resposta errada,” diz ela. “Assim como comprar uma casa, você vai saber quando um lugar parece certo.”

Saltz observa que viagens estruturadas com programação de apoio ao luto podem ser especialmente úteis. “Não há expectativa de ser ‘normal’, o luto é compreendido e permitido,” explica.

O que fazer durante a viagem

Getty ImagesRituais memoriais celebram a vida e ajudam no processo de despedida

Incorporar pequenos rituais pode aprofundar o benefício emocional da viagem, seja viajando sozinho ou acompanhado de alguém de confiança. Zakeri recomenda escrever cartas para quem se perdeu, fazer um diário com uma frase por dia, ou falar em voz alta com a pessoa enquanto caminha. “Já tive clientes que criaram playlists, tiraram fotos significativas ou acenderam uma vela toda noite,” diz. “Esses rituais não precisam ser elaborados. Só precisam ser seus.”

Saltz reforça o valor dos rituais e da memória. “Rituais memoriais ajudam na ideia de estar perdido, mas presente; na celebração da vida daquela pessoa; na gratidão pelo que se teve com ela; e também no processo de deixar ir.”

Depois que a viagem termina

Getty ImagesRetornar de uma viagem de luto pode ser emocionalmente desafiador

Voltar de uma viagem focada no luto pode ser emocionalmente impactante. “Você pode pensar que perdeu o progresso que fez,” diz Zakeri, “mas isso não é verdade. Só porque você ainda sente o luto ao voltar não significa que não está se curando.”

Ambas especialistas recomendam levar algo adiante, seja continuar escrevendo no diário, participar de um grupo de apoio, ou manter algum pequeno ritual, porque o luto não se “resolve” numa viagem. “O luto é um processo longo e cheio de altos e baixos,” diz Saltz. “Pode haver uma recaída de readaptação, mas também pode haver novos insights sobre a perda e maior aceitação dela.”

*Jill Schildhouse é uma repórter de Phoenix que cobre viagens de luxo

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