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Por Que 20 Segundos Fazem Diferença para a Sua Saúde Mental

Estudos sugerem que abraços longos, de cerca de 20 segundos, trazem muitos benefícios ao bem-estar

3 min

Você já notou como em momentos de grande vulnerabilidade ou perda, o abraço costuma ser um dos gestos que mais acolhe, às vezes mais do que qualquer palavra? Não é à toa que, durante a pandemia, quando milhões ficavam confinados em suas casas, muitas vezes sozinhos, muitos ficaram com “fome de toque”, expressão que se popularizou na época.

Há algum tempo se sabe que o abraço protege contra os efeitos do estresse. Mas não qualquer abraço. Tapinhas nas costas e aproximações mais tímidas, muito vistas entre políticos, não são capazes de gerar efeitos positivos. Por outro lado, o acolhimento entre os braços de uma pessoa querida não só está associado à redução dos níveis do hormônio do estresse (o cortisol) e ao bem-estar geral como ao aumento da ocitocina, hormônio associado aos vínculos afetivos.

A diferença entre os dois tipos de abraço está na confiança. Estudos mostram que o efeito calmante só aparece quando o gesto vem de alguém em quem confiamos. Vindo de um estranho, o abraço pode até gerar tensão. As crianças talvez sejam quem mais revelam isso. Basta ver como elas ficam rígidas quando um parente que veem pela primeira vez as abraça.

O corpo lê o toque afetuoso como sinal de segurança e aciona a divisão do sistema nervoso encarregada de desacelerar o coração, relaxar a musculatura e nos tirar do estado de alerta. É o que explica por que ficamos tão relaxados quando um parceiro ou parceira amorosa nos abraça.

Porém, os ganhos vão além desse alívio momentâneo. Uma ampla revisão de estudos concluiu que o contato afetuoso também é bom para a saúde física e mental, trazendo proveitos que vão da redução de dor e de ansiedade à diminuição de sintomas depressivos. E um detalhe importante: quem já carrega algum sofrimento tende a se beneficiar ainda mais.

Mas o que a ciência tem revelado é que parece haver uma espécie de “dose mínima de abraço”. Alguns estudos sugerem que abraços mais longos, de cerca de 20 segundos, potencializam os benefícios. Talvez por isso, diante da dor de quem amamos – e isso vale até para a dor de perder no mata-mata na Copa –, o impulso de abraçar vem antes mesmo das palavras. Naquele instante de fragilidade, é o abraço que toma o lugar da palavra e diz o que talvez não coubesse em frase nenhuma.

*Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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