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Ministério da Saúde Interrompe Vacinação contra Dengue do Butantan após Duas Mortes sob Investigação

Criada pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira do mundo administrada em dose única e também a primeira desenvolvida integralmente no Brasil

3 min

O Ministério da Saúde informou que irá interromper a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Butantan a partir desta segunda-feira (8). Segundo o governo federal, a decisão foi tomada após o registro de duas mortes consideradas suspeitas.

O comunicado foi realizado às 14h41, no horário de Brasília, durante uma coletiva de imprensa que contou com a participação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do diretor do Instituto Butantan.

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 500 mil doses já foram aplicadas até o momento, enquanto 42 ocorrências de reações graves possivelmente associadas ao imunizante foram notificadas. Entre esses casos, estão duas mortes suspeitas.

“Nós tivemos 3 casos graves, desses 2 óbitos, sem, até esse momento, nas investigações já feitas pelos sistemas municipais, de vigilância estadual, escutando os especialistas, não existe dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência desses 3 casos graves, mas é um sinal de alerta”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina representa a primeira do mundo aplicada em dose única e a primeira produzida totalmente no Brasil. A campanha de imunização teve início no começo deste ano, priorizando profissionais da saúde.

Segundo a pasta, todos os registros permanecem sob investigação e ainda são tratados como suspeitos. Com isso, estados e municípios deverão suspender temporariamente a vacinação até que uma nova avaliação seja concluída.

Pessoas que receberam a vacina nos últimos 21 dias devem procurar uma unidade de saúde para acompanhamento e monitoramento de possíveis reações adversas.

Casos graves não eram esperados

Durante a coletiva, o Ministério da Saúde informou que os eventos graves observados no sistema de farmacovigilância não haviam sido identificados nos estudos conduzidos pelo instituto.

A pesquisa avaliou a aplicação do imunizante em 16 mil participantes e, com base nos resultados obtidos, sua eficácia e segurança foram comprovadas. O estudo ganhou destaque internacional e foi publicado na revista Nature.

O que foi observado

Durante a apresentação, foram divulgados dados do monitoramento de segurança da vacina contra a dengue referentes ao período entre janeiro e 30 de maio de 2026. Conforme o levantamento, foram registradas 3.703 notificações de eventos inesperados com sintomas semelhantes aos da dengue, número equivalente a 0,7% do total de vacinados.

Entre essas notificações, 42 casos apresentaram sinais de alerta, incluindo dor abdominal, vômitos persistentes e sangramentos. Esses episódios representaram 0,008% do total de vacinados e foram classificados como eventos muito raros, embora não tenham sido previstos nos estudos clínicos nem estejam descritos na bula.

Dos 42 casos registrados, três foram classificados como graves.

O Ministério da Saúde detalhou a situação clínica dos três casos graves:

  • O primeiro envolve uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a vacina. Segundo o governo federal, ela evoluiu para um quadro de dengue grave com choque, precisou ser internada em uma UTI, mas conseguiu se recuperar.

Já os casos que resultaram em morte são:

  • Uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave 19 dias após a imunização. O quadro incluiu comprometimento neurológico, com meningoencefalite, e a paciente morreu.
  • O terceiro caso refere-se a um homem de 58 anos que apresentou febre cinco dias após receber a vacina e evoluiu rapidamente para dengue grave com choque refratário. Ele também morreu.
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