O medicamento, desenvolvido pela empresa de biotecnologia Revolution Medicines e comercializado sob a marca Rasonque, foi aprovado na quarta-feira (26) seis meses antes do previsto. Ele é uma das poucas opções de tratamento disponíveis para o câncer de pâncreas, quarta principal causa de morte por câncer nos Estados Unidos.
O Rasonque foi aprovado para o tratamento de adultos com adenocarcinoma pancreático metastático — que representa de 90% a 95% dos 67 mil casos de câncer de pâncreas diagnosticados anualmente — que tenham recebido pelo menos um tratamento anterior para a doença.
Ensaios clínicos mostraram que os pacientes que tomaram Rasonque tiveram sobrevida média de 13,2 meses, o dobro dos 6,7 meses registrados entre aqueles tratados apenas com a quimioterapia padrão.
O medicamento atua bloqueando a família de proteínas RAS, que impulsionam o crescimento dos tumores e, por muito tempo, foram consideradas “impossíveis de tratar com medicamentos”.
Quanto vai custar
Os preços comerciais e os detalhes de distribuição ainda não foram divulgados, mas medicamentos oncológicos orais direcionados semelhantes, de primeira classe, costumam custar entre US$ 15 mil e US$ 25 mil por mês, antes do seguro.
3,2%. Essa é a porcentagem dos diagnósticos de câncer atribuída ao adenocarcinoma pancreático, mas a doença responde por uma parcela desproporcionalmente alta, de 7,4% a 7,7% das mortes por câncer.
A alta taxa de mortalidade do adenocarcinoma pancreático se deve, em grande parte, à detecção geralmente tardia, ao curso agressivo da doença e às opções limitadas de tratamento, segundo a FDA.
Tumores pancreáticos em estágio inicial raramente apresentam sinais perceptíveis e, quando o paciente começa a apresentar sintomas, o câncer geralmente já sofreu metástase e se espalhou para outras partes do corpo.
Há mais de quatro décadas, as taxas de sobrevivência do câncer de pâncreas ficam muito atrás das registradas para quase todos os outros principais tipos de câncer. A dificuldade nas pesquisas sobre tratamentos rendeu à doença a reputação de “cemitério” para o desenvolvimento de medicamentos.
Mais de 90% dos tumores pancreáticos são impulsionados por mutações no RAS, e o Rasonque é o primeiro medicamento a atuar com sucesso como um inibidor de RAS.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com