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Fiocruz Inicia em 2027 Testes Clínicos de Vacina Brasileira de RNA contra Covid

Primeira vacina nacional desenvolvida com tecnologia de RNA mensageiro recebeu autorização da Anvisa para avançar aos estudos em humanos

3 min

A Fiocruz recebeu autorização da Anvisa para iniciar os testes clínicos de uma vacina contra a covid-19 desenvolvida com tecnologia de RNA mensageiro (RNAm). O estudo, que avaliará o imunizante produzido em Bio-Manguinhos, terá início com o recrutamento de participantes previsto para o primeiro trimestre de 2027.

Para que essa etapa comece, porém, a pesquisa ainda precisa ser aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa.

O primeiro estágio do ensaio clínico vai investigar o uso da vacina como dose de reforço contra a covid-19. Os pesquisadores avaliarão principalmente a segurança do imunizante e sua imunogenicidade, que corresponde à capacidade de estimular uma resposta do sistema imunológico.

Os voluntários da primeira fase serão acompanhados durante um ano. Antes da autorização para os testes clínicos, a vacina foi submetida a estudos pré-clínicos, toxicológicos e de escalonamento, de acordo com a Fiocruz.

Tecnologia de RNA desenvolvida no Brasil

O imunizante foi desenvolvido integralmente na plataforma de RNA mensageiro da Fiocruz. A instituição possui uma planta piloto que, segundo a Fiocruz, é a primeira da América Latina certificada em Boas Práticas de Fabricação.

Desde 2021, a Bio-Manguinhos é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como centro de referência em vacinas de RNAm na América Latina. A Fiocruz também afirma ser o primeiro parceiro do programa global de transferência de tecnologia da OMS a conseguir aprovação de um produto para a realização de estudos clínicos.

Além da covid-19, a instituição desenvolve pesquisas para aplicar a tecnologia de RNA mensageiro contra leishmaniose e tuberculose. A plataforma também pode ter aplicações em outras áreas. “Sabemos que é possível produzir terapias voltadas a doenças como o câncer”, afirma Patrícia Neves, líder do projeto de RNA de Bio-Manguinhos.

Recursos para desenvolvimento

O projeto recebeu R$ 77 milhões do Ministério da Saúde, por meio do programa de infraestrutura do complexo econômico-industrial da saúde. O investimento é destinado ao desenvolvimento da plataforma, à realização do estudo clínico e à ampliação da capacidade de produção.

A iniciativa também contou com recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde).

No último ano, a Fiocruz também depositou o pedido de patente de sua plataforma de RNA mensageiro.

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