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EXCLUSIVO: Aposentadoria precoce, economia comportamental, guerra fria tecnológica: EY detalha mega-tendências aceleradas pela pandemia

Gestores precisam se preparar com elementos além do tradicional para explorar novos nichos e se preparar para o inesperado

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GettyImagesTomadores de decisão têm dificuldade em usar tendências na estratégia, mas vão precisar fazer isso para se manterem competitivas

A adoção rápida de tecnologia, bem como outras mudanças aceleradas pela crise fizeram com que certas tendências já traçadas por futuristas antes da crise da Covid-19, em temas como o futuro do trabalho e a reinvenção da saúde, ficassem ainda mais próximas da realidade. A crise também reforçou outra teoria, de que a disrupção não é advinda de novas tecnologias ou modelos de negócio, e que gestores precisam se preparar com elementos além do tradicional para explorar novos nichos e para se preparar para o inesperado.

Com estas constatações em mente, a gigante de consultoria EY aponta um conjunto de mega-tendências, em um relatório obtido com exclusividade pela FORBES. O trabalho parte do conceito de curva S, em que um modelo ou ferramenta tecnológicas é adotada de forma inicialmente lenta à medida em que se desenvolve, até uma fase de aceleração trazida pelo amadurecimento e, finalmente, uma estabilização ao longo do tempo, com um achatamento no desempenho e retorno do conceito ou ferramenta em questão.

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A próxima curva S está no horizonte, segundo o relatório, e as mega-tendências descritas refletem estas mudanças para um futuro próximo. Nestes cenários, contratos sociais são transformados para se tornarem mais inclusivos e sustentáveis e organizações são forçadas a pensar em geração de valor para o longo prazo. Neste cenário, mega-tendências funcionam como uma ferramenta analítica para projetar onde se estará no futuro, e trabalhar de forma reversa para criar estratégias para se preparar para mudanças inevitáveis e repentinas.

Segundo o relatório, tomadores de decisão tem dificuldade em usar tendências e cenários futuros em estratégias por uma série de razões, incluindo inabilidade de identificar incertezas e tendências que empresas tem receio em confrontar. Além disso, existe a dificuldade em apostar no longo prazo em modelos e abordagens que ainda não foram testadas, bem como o desafio de garantir o investimento em inovação para o longo prazo sem deixar de entregar resultados no curto-prazo.

“CEOs e boards precisam focar nestas tendências agora para se manterem competitivas”, diz o vice-chairman global de mercados da EY, Jay Nibbe. Segundo o executivo, as mega-tendências apontadas pela consultoria já existiam antes da pandemia e continuarão a ser relevantes depois que a emergência de saúde pública for superada.

“A estrutura básica das mega-tendências, ou seja, as forças que as impulsionam e os mundos futuros do trabalho que elas habilitam, continuam mais relevantes do que nunca”, ressalta Nibbe.

As atuais demandas e oportunidades do mercado pós-coronavírus não são tão raras assim, segundo Nibbe, da EY. Prova disso é a emergência de unicórnios, empresas que operam nos moldes da curva S e se tornaram líderes de mercado e que foram assim definidas por serem tão raras.

O executivo argumenta, no entanto, que essa abordagem de startups de alto crescimento se tornará cada vez mais a regra deu que exceção: “Toda empresa terá que reinventar sua estratégia e abordagem para operar de acordo com as regras da curva S”, aponta.

As causas da disrupção

Segundo a estrutura de mega-tendências descrita no relatório da EY, existem forças primárias que impulsionam a disrupção em organizações, distribuídas em quatro áreas distintas: tecnologia, globalização, fatores demográficos e ambientais. A consultoria nota que estas forças não são uma novidade, mas evoluem em ondas, e a tecnologia é um exemplo deste movimento, tendo passado pelo advento dos computadores pessoais e pelo surgimento da World Wide Web até a Internet das Coisas.

Forças presentes nos quatro pilares apontados no relatório são a ampliação de capacidades humanas com tecnologia, através do 5G, edge computing, que desloca poder computacional da nuvem para dispositivos; sensores de alta precisão, computação quântica e uma nova geração de baterias para apoiar este cenário onde as capacidades humanas são incrementadas com tecnologia.

Uma reinvenção da globalização com base no nacionalismo e populismo, com competição entre países pela liderança em tecnologias como inteligência artificial está entre as forças de disrupção apontadas no relatório. Outra é a emergência da Geração Z, nascida na era digital entre 1995 e 2015, e tem a pressão para ter sucesso profissional, bem como acúmulo de capital e consumo desacelerado entre suas principais características.

Além disso, o impacto de eventos climáticos de grande escala também é citado no relatório, como um elemento que pode fazer com que situações socioeconômicas precárias se tornem disrupção com consequências potencialmente desastrosas, dada a falta de preparo, resiliência e lançamento de países, bem como cenários de desigualdade existente.

Com base nestas forças, a consultoria questiona aspectos que serão fundamentalmente reformulados pela pandemia, espelhados nas mega-tendências traçadas no relatório. A consultoria fala em novas regras, normas, instituições e redes, bem como na reinvenção de sociedades e economias com a mudança de contratos sociais e do papel das empresas na mudança da sociedade. Além disso, questiona como os comportamentos de indivíduos e famílias mudarão, bem como empresas e os mercados serão fundamentalmente alterados pela crise.

Conheça as mega-tendências para o mundo além da pandemia traçadas no relatório da EY:

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