Criadores contam como é participar do programa Fundo Vozes Negras, do YouTube

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Os 132 selecionados em 2020 são do Brasil, África do Sul, Austrália, Estados Unidos, Nigéria, Quênia e Reino Unido. São músicos, empresários de beleza, comediantes, ativistas, poetas, treinadores, professores, pais e fotógrafos que passaram a contar com apoio extra para fazerem suas vozes serem ouvidas.

Em outubro do ano passado, impulsionado pelo movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam, em português), o YouTube anunciou a iniciativa Fundo Vozes Negras, um compromisso global para incentivar criadores de conteúdo e artistas negros da plataforma. Ao todo, foram anunciados US$ 100 milhões para amplificar e desenvolver vozes e histórias negras.

“Criadores negros, em sua maioria, vivem uma eterna luta em relação ao algoritmo e ao racismo impregnado na sociedade. As pessoas consomem menos criadores negros. Ter uma plataforma atenta às diversas desigualdades que acometem também esses ambientes faz com que a gente entenda a importância de projetos como esse”, afirma Gabi Oliveira, do canal homônimo que coloca a cultura negra em pauta para seus mais de 635 mil inscritos, com conteúdos mais sérios, como o genocídio da população negra, e também mais descontraídos, que falam sobre sua experiência de morar sozinha.

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Os 132 selecionados em 2020 são do Brasil, África do Sul, Austrália, Estados Unidos, Nigéria, Quênia e Reino Unido. São músicos, empresários de beleza, comediantes, ativistas, poetas, treinadores, professores, pais e fotógrafos que passaram a contar com apoio extra para fazerem suas vozes serem ouvidas.

“De maneira geral, a internet e as mídias sociais contribuíram de forma muito significativa para a democratização de muitos criadores. Hoje, nós temos a chance não apenas de mostrar nossos rostos no vídeo, como de sermos proprietários das nossas próprias vozes e narrativas. Eu acho que uma iniciativa como essa é uma grande conquista de – e para – os criadores negros”, afirma Murilo Araújo, do canal Muro Pequeno, que fala sobre sonhos, desafios e aleatoriedades da vida, e um dos 35 brasileiros selecionados.

Em 2021, o que até então era um projeto, começou a se materializar: a primeira turma já está participando da Incubadora de Criadores do YouTube, uma experiência imersiva de três semanas que conta com workshops virtuais, programas de networking e treinamentos personalizados para ajudar nas produções e na administração do negócio. Lá, os participantes aprendem de educação financeira a como fazer a marca mais sustentável,  passando pela criação de conteúdo propriamente dita, com dicas de iluminação, gravação, áudio e vídeo, 

“O que eu mais gostei foi [de aprender sobre] o Analytics [ferramenta que permite monitorar o desemprenho dos vídeos e do canal]”, afirma Ph Côrtes, que desde 2014 fala do protagonismo negro na história do Brasil, na cultura pop e no entretenimento. Além de estudar sobre as estatísticas e as informações relevantes da plataforma, ele participou de workshops sobre a criação de conteúdo e as melhores formas de estrutura dos vídeos. “Eu, mesmo criando todos esses anos, nunca tinha parado para pensar. Agora, já estou aplicando nos vídeos que estou fazendo”, afirma. “É complicado criar… Precisamos observar frequência, qualidade, tempo de gravação e edição. Esse reconhecimento [do YouTube] foi algo sem igual. Na minha opinião, a importância do Fundo Vozes Negras está em inspirar os criadores de conteúdo a persistirem.”

Mas as aulas não ficam restritas à parte técnica, que tem o objetivo de melhorar a qualidade do conteúdo. Gabi Oliveira, que começou seus workshops ontem (22), explica que a programação também inclui atividades relacionadas à saúde mental, com aulas de yoga e discussões para contribuir com o bem-estar físico e emocional dos criadores. “Ninguém que esteja desestabilizado emocionalmente vai conseguir produzir um bom conteúdo. A qualidade técnica é muito importante, mas a qualidade de vida de quem cria também é.”

Ao longo do ano, o YouTube vai trabalhar em estreita colaboração com os criadores para ajudá-los a prosperar na plataforma. Eles receberão, por exemplo, um financiamento para investir na estrutura do canal. Murilo vai usar parte desses recursos para aumentar a equipe e  aprimorar o estúdio que tem em casa para, assim, focar mais na parte criativa e ampliar a capacidade de produção. “A ideia é aumentar a frequência de postagens e diversificar um pouco o conteúdo, desenvolvendo mais quadros e explorando novos formatos e temas”, explica. Já PH Côrtes quer usar o financiamento para investir na sua equipe de editores, designers e roteiristas para que, assim, consiga aumentar a produção de conteúdo e empregar novos profissionais negros. “Tenho o sonho de produzir uma série original que conecte o Brasil todo. Também gostaria de produzir uma série internacional que possa contribuir para a minha formação como criador. Tudo isso considerando a narrativa trazida até agora de protagonismo negro.”

A influenciadora Ana Paula Xongani, do canal homônimo que fala sobre maternidade, moda, maquiagem e cultura afro no Brasil, considera que “o investimento do Fundo Vozes Negras vai oportunizar o crescimento de um ecossistema, que extrapola o próprio criador”. Ela afirma que vai usar o financiamento para investir em um novo cenário e em novos profissionais para aumentar a qualidade da criação de conteúdo.

Para a primeira turma, o YouTube convidou exclusivamente criadores que já haviam participado de algum dos eventos do YouTube Black, projeto que reúne criadores negros da plataforma para falar de questões raciais. Mas, nos próximos meses, as inscrições para a turma de 2022 serão abertas – não apenas para quem participou do Youtube Black -, dando continuidade ao compromisso de manter o fundo ativo por, pelo menos, três anos, com a expectativa de apoiar mais de 500 criadores negros no mundo todo.

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