A taxa de inadimplência do aluguel no Brasil subiu 0,04 ponto percentual (p.p.) em maio e fechou o mês em 3,22%, revertendo parcialmente a queda registrada em abril, quando o indicador havia atingido 3,18%, o menor patamar em 12 meses.
Os dados constam do Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica, plataforma de tecnologia e serviços financeiros para o mercado imobiliário e condominial.
A base do índice em maio contou com mais de 800 mil contratos de locação em todo o país. São considerados inadimplentes os locatários com boletos antigos em aberto ou pagos com mais de 60 dias de atraso.
Na comparação anual, o cenário ainda é de melhora, dado que em maio do ano passado essa taxa estava em 3,33%, 0,11 p.p. acima do nível atual.
“O aumento ainda é pequeno e pode ser considerado como uma variação comum diante da instabilidade econômica que o país vive”, analisa Manoel Gonçalves, diretor de negócios para imobiliárias do Grupo Superlógica.

“Ainda é cedo para determinar uma tendência de alta, principalmente porque abril registrou o menor índice em um ano e o aumento observado em maio não foi expressivo. No entanto, o cenário exige cautela”, conclui.
A visão da plataforma é de que inflação e taxa de juros ao longo de 2026 serão determinantes para o comportamento do mercado e, a depender da trajetória, podem pressionar a capacidade de pagamento dos inquilinos nos próximos meses.
Inadimplência por região
Na análise regional, o Nordeste continua no topo do ranking de inadimplência, com 5,39% em maio. O percentual representa uma alta de 0,41 p.p. ante o mês anterior.
Logo em seguida aparece a região Norte, com 4,38%.

O Sudeste, principal mercado, voltou a subir depois de uma sequência de recuos, saindo de 2,94% em abril para 3,15% em maio.
Já o Centro-Oeste seguiu na direção contrária, caindo de 2,97% para 2,85% no mesmo período.
O Sul manteve a menor taxa do país (2,67%), embora também tenha registrado leve alta de 0,02 ponto percentual.
Recorte por renda
A análise por valor do aluguel mostra que os contratos nas pontas da distribuição (ou seja, os mais baratos e os mais caros) são os que concentram as maiores taxas de inadimplência.
Nos imóveis residenciais com aluguel de até R$ 1 mil o índice foi de 6,31% em maio, contra 5,56% em abril.
Na faixa equivalente dos comerciais, a taxa chegou a 7,60%, ante 7,00% no mês anterior.
No outro extremo, os contratos acima de R$ 13 mil também surpreenderam, dado que, no segmento residencial, a inadimplência saltou 1,64 ponto percentual, de 4,52% em abril para 6,16% em maio.
Nos imóveis comerciais nessa faixa, o aumento foi de 0,47 p.p., fechando em 4,90%.