“Os fundos não são babás. Os empreendedores precisam entender como gerar valor com o que oferecemos”, diz Marta Cruz, sócia da NXTP Ventures

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A sócia-fundadora do fundo NXTP Ventures, Marta Cruz: “Sempre tive bem claro que queria fazer algo que impactasse a vida das pessoas”

Administradora, ex-gerente de vendas no setor de tecnologia e fundadora de startup. Em sua trajetória profissional, a argentina Marta Cruz, natural de Buenos Aires, encarnou todos esses papéis nas últimas quatro décadas de sua carreira. Durante essa trajetória, a administradora de empresas sempre se utilizou da inovação e vontade de criar negócios como forma de interagir com o mundo. Hoje, ela é sócia-fundadora da NXTP Ventures, fundo latino-americano conhecido por investir e apoiar companhias de base tecnológica, como, por exemplo, a varejista de moda Amaro, a startup de logística CargoX e a plataforma de e-commerce Nuvemshop.

A criação da NXTP Ventures, em 2011, foi a concretização de um propósito de vida, como ela conta à Forbes. “Desde que eu me formei na faculdade [em 1997, na Universidad Buenos Aires], eu sempre tive bem claro que queria fazer algo que impactasse a vida das pessoas”, afirma. “A nossa ideia com a NXTP foi ajudar empreendedores a criarem companhias de base tecnológica, diminuindo as taxas de mortalidade de empresas, porque, para nós, o futuro será inteiramente baseado em tecnologia.”

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Com dez anos de atuação no mercado de venture capital, a NXTP já realizou investimentos em mais de 200 startups, distribuídos em dois fundos diferentes, mas sempre com foco nas etapas mais iniciais de maturidade das empresas – a chamada fase “semente” e a primeira rodada, a série A. Dessas companhias, 24 já realizaram o “exit”, momento em que as empresas são vendidas e há um retorno do aporte. Ao todo, as startups do portfólio já levantaram mais de US$ 1,5 bilhão em outras rodadas de investimento.

O foco principal da NXTP tem sido startups que atuam no setor financeiro, logístico e varejista – as fintechs, logtechs e retailtechs, respectivamente. Esse recorte, no entanto, não é cravado na pedra. “Procuramos sempre empreendedores que estejam resolvendo grandes problemas da América Latina”, afirma Marta. “Nós temos muitos problemas por aqui, em várias áreas diferentes da economia, para vários públicos diferentes da sociedade.” O único ponto que não muda é o tipo de empresas que o fundo quer no seu portfólio: as B2B, aquelas que oferecem e vendem produtos ou serviços para outras organizações.

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Apesar de os recursos financeiros serem um ótimo atrativo para os empreendedores, Marta reconhece que um fundo de venture capital não pode se limitar apenas a emitir um cheque, mas sim oferecer infraestrutura. “Na NXTP, nós temos uma rede de mais de 1.000 fundadores, temos olheiros de investimentos no Brasil, México e Colômbia, além de conexões com muitos parceiros de negócio”, afirma. Segundo ela, porém, é trabalho do dono do negócio aproveitar as oportunidades oferecidas. “Há diversos recursos disponíveis para os empreendedores, mas não somos babás. Eles precisam entender como gerar valor a partir do que oferecemos.”

IA E BLOCKCHAIN

A crise sanitária de Covid-19 forçou as PMEs a se digitalizarem às pressas para não fechar as portas. Para a NXTP, essa transformação impulsionou o crescimento de grande parte das startups de seu portfólio, principalmente por conta da característica B2B da maior parte delas. “Foi um momento muito triste e, até por isso, não sei se digo ‘felizmente’ ou ‘infelizmente’, mas a pandemia foi um acelerador para as companhias nas quais investimos”, afirma Marta. Segundo ela, independentemente do setor de atuação, os negócios tiveram de vender online e remotamente, o que gerou crescimento para quem fornece tecnologia.

Com uma vacinação mais ampla da população na América Latina e o fim da pandemia de Covid-19, a investidora acredita que as soluções mais importantes não serão de um setor específico, mas sim mais gerais e com aplicações diversas. “Nós continuaremos apoiando startups, mas focaremos principalmente em empresas de inteligência artificial e blockchain. Essas duas tecnologias formam uma excelente combinação para a próxima geração de empresas”, diz. Para ela, inclusive, será um imperativo oferecer aplicações e soluções baseadas nessas duas ferramentas.

HISTÓRICO EMPREENDEDOR

A vontade de empreender sempre se fez presente no decorrer da carreira de Marta. No entanto, há dois momentos específicos dos quais ela se recorda com mais clareza para descrever o motivo pelo qual seguiu o caminho de ajudar outros fundadores. O primeiro deles foi em 1998, quando ela, junto a familiares e amigos, criou uma startup – antes mesmo desse termo ficar famoso anos mais tarde, como ela diz – na área da saúde: a Doctor & Files. Na época, ainda no princípio da internet comercial na América Latina, a empresa oferecia uma plataforma para que médicos pudessem armazenar o histórico clínico dos pacientes.

Depois de um ano em atividade, o negócio não foi adiante por falta de recursos, assim como, confessa Marta, por um lançamento precipitado. “O timing não foi nem um pouco amigável”, diz. “Naquela época, os computadores e a tecnologia de maneira geral eram muito caros. Para desenvolver um protótipo, por exemplo, o custo era de US$ 3 milhões.” Embora tivesse um time consolidado e até um investidor disposto a colocar parte do dinheiro no negócio, a falta de outros apoiadores dificultou a continuidade do projeto.

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Outro ponto que mudou a percepção de Marta foi quando ela trabalhou em posições de liderança – seja como gerente de vendas na Siemens, em 1976, gerente de serviço ao consumidor na revista argentina “Mercado” em 1996, ou como gerente regional da agência McCann Erickson. “Em todas essas oportunidades, eu sempre trabalhei como uma empreendedora, ou, como hoje costumam dizer, intraempreendedora”, afirma. “Minha cabeça sempre foi voltada para a criação de projetos e negócios muito por conta do exemplo que tinha da minha mãe.”

Hoje, Marta não só atua como sócia da NXTP Ventures, como também tem cadeira em conselhos de startups, como, por exemplo, a de cibersegurança VU Security e a plataforma Zolvers, que conecta pessoas com profissionais que oferecem serviços de limpeza. Além disso, a executiva também é cofundadora da WeInvest, uma organização que promove ações para dar visibilidade a investidoras, oferecendo espaço para que elas compartilhem conhecimento e oportunidades de aportes em companhias com diversidade de gênero.

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