Com fundo de R$ 1,5 bi, Endeavor defende foco no empreendedorismo

Igor Piquet, diretor do Scale-up Ventures, fala sobre a nova rodada direcionada a negócios de impacto e comenta o atual momento para as startups

Luiz Gustavo Pacete
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Igor Piquet, diretor do Scale-up Ventures, da Endeavor

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Considerado um dos fundos mais expressivos de alto impacto no mundo, o Endeavor Catalyst levantou, nesta semana, cerca de R$ 1,5 bilhão (aproximadamente US$ 290 milhões). O objetivo é seguir investindo em empresas lideradas por empreendedores de alto impacto. Esse é o maior fundo da Endeavor até o momento, ultrapassando a meta inicial de US$200 milhões a US$250 milhões fazendo com que o número de ativos sob gestão chegue a US$500 milhões.

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“Estamos empolgados por ter tanto apoio da nossa comunidade de investidoras e investidores com o quarto fundo”, compartilha Allen Taylor, Managing Partner do Catalyst, baseado no Vale do Silício. “A qualidade do talento empresarial nos mais de 40 mercados onde a Endeavor opera é a maior que já vimos até hoje e mal podemos esperar para investir mais nesses lugares”.
Até hoje, o fundo fez mais de 260 investimentos em mais de 35 mercados diferentes na América Latina, Oriente Médio, África e Sudoeste Asiático, assim como em regiões com menor oferta de capital na Europa e nos Estados Unidos. Juntas, essas empresas criaram cerca de 2 milhões de empregos e faturaram mais de US$ 17 bilhões em 2021.

À Forbes Brasil, Igor Piquet, diretor do Scale-up Ventures, da Endeavor, comenta a representatividade dessa nova rodada e os desafios atuais do ecossistema de startups no Brasil e no mundo que vêm sofrendo com demissões e reajuste de investimentos.

Fundos e empreendedorismo

“Essas novas captações em um nível recorde, tanto globalmente quanto aqui Brasil, representam uma grande vitória para a causa do empreendedorismo que é algo que a Endeavor vem defendendo há mais de 25 anos. E, além do empreendedorismo, defendemos a tese de que o capital de risco e a cultura empreendedora acabam sendo muito concentrados em países como Estados Unidos e China e, especialmente nesses países, em algumas cidades específicas. Então, apesar de termos histórias vencedoras de inovação e tecnologia que começaram em garagens e se tornaram grandes negócios bilionários, eles acabaram sendo muito limitados a cidades como São Francisco, Nova Iorque e Xangai.”

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O papel do Brasil na descentralização

“A Endeavor surge do pressuposto de pensarmos juntos o que aconteceria se a Apple tivesse sido fundada em São Paulo. Ou será que o Facebook poderia ter se originado no Recife? Ou a Netflix do subúrbio do Rio de Janeiro? A gente aposta nisso há quase três décadas e os fundos são a representação monetária dessa crença. Quando você falava destes fundos em cidades do Vale do Silício, as pessoas não acreditavam em um país emergente como o Brasil. As pessoas acreditam na tecnologia, mas não na região e a gente decidiu colocar isso à prova montando esses fundos, fundos que são investidos por empreendedores e por empreendedoras para investir em negócios de alta inovação tecnológica em lugares que o dinheiro ainda falta, que o exemplo ainda falta, que o poder ainda não está equilibrado.”

Atual situação do ecossistema

“Hoje, existe uma queda na crença em negócios de tecnologia, levantar um fundo recorde como o que acabamos de levantar, apoiado por empreendedores e de lugares que geralmente os americanos e os chineses não acreditam: o Brasil, o Chile, a Argentina, a Jordânia, a África do Sul e a Indonésia, é muito importante. A gente vai continuar investindo nesses lugares e acredita que a inovação e o capital de risco irão sair cada vez mais do eixo comum e seguir para novas fronteiras, à medida que a tecnologia, o software e o digital vão comendo partes da economia que geralmente são mais tradicionais.”

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