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Veredicto sobre Autopilot Ameaça Ambições de Musk com Tesla

CEO da empresa quer expandir rapidamente os serviços de robotáxi nos Estados Unidos

4 min

Na sexta-feira (2), um júri da Flórida ordenou que a Tesla pague US$ 243 milhões (R$1,32 bilhão) às vítimas de um acidente fatal, ocorrido em 2019, após o piloto automático do Modelo S, Autopilot, falhar. O veredicto judicial considera que o software de assistência ao motorista estava com defeito. A Tesla alegou, no entanto, que a culpa foi exclusivamente do motorista e prometeu recorrer.

O veredicto vem após anos de investigações federais e recalls relacionados a colisões envolvendo a tecnologia de veículos autônomos da Tesla, e ocorre no momento em que o CEO da empresa, Elon Musk, busca aprovação regulatória para expandir rapidamente o serviço de robotáxi nos EUA. A decisão, no entanto, pode prejudicar seus planos e intensificar as preocupações com a segurança de sua tecnologia de veículos autônomos.

“A percepção pública desse veredicto ou de coisas como essa vai aumentar a pressão sobre os órgãos reguladores para que digam: ‘não podemos permitir que esse produto seja lançado sem uma diligência muito maior'”, disse Mike Nelson, fundador da Nelson Law e especialista em questões jurídicas no setor de mobilidade.

A Tesla pode ter dificuldades para convencer os órgãos reguladores estaduais de que sua tecnologia está pronta para as estradas, ameaçando o objetivo de Musk de oferecer robotáxis para metade da população dos EUA até o final do ano, disseram especialistas jurídicos e investidores da Tesla.

A expansão do serviço de robotáxi é crucial para a Tesla, uma vez que a demanda pela envelhecida linha de veículos elétricos esfriou em meio ao aumento da concorrência global e a uma reação contra as opiniões políticas de extrema-direita de Musk. Grande parte da avaliação de mercado de trilhões de dólares da Tesla depende de suas apostas em robótica e inteligência artificial.

O sucesso no campo da direção autônoma exigirá a conquista da confiança dos órgãos reguladores e dos clientes em potencial no software de direção autônoma total (FSD, na sigla em inglês) que sustenta os robôtaxis da Tesla, avaliam analistas.

“O momento (do veredicto) para a Tesla, à luz dos lançamentos do FSD — versão avançada do Autopilot — e dos robotáxis, é terrível”, disse Aaron Davis, sócio-gerente do escritório de advocacia Davis Goldman.

“Agora, essencialmente, há uma opinião de que algum aspecto do negócio da Tesla não é seguro e talvez a segurança que a empresa anuncia não seja o que se espera.”

Atualizado desde 2019, o Autopilot controla a velocidade, a distância e a centralização da faixa em rodovias, enquanto o FSD pode operar em vias urbanas, ajudando o veículo a fazer curvas automáticas e mudar de faixa.

“Este caso não tem implicações diretas para o lançamento do FSD da Tesla”, disseram analistas da Piper Sandler em uma nota no domingo (4), citando versões mais modernas do software.

Um porta-voz da empresa de veículos elétricos confirmou que a Tesla recebeu um pedido de comentário da Reuters, mas não o havia fornecido até o momento da publicação.

Aperfeiçoar os veículos autônomos tem sido mais difícil do que o esperado. Altos custos do hardware, anos de tentativas e erros e obstáculos regulatórios forçaram muitos participantes a fecharem as portas ou a mudarem seu curso, incluindo a unidade Cruise da General Motors. Musk, no entanto, buscou o que ele chama de caminho mais simples e mais barato, contando com câmeras e inteligência artificial (IA) em vez de sensores caros, como lidars e radares usados pela Waymo da Alphabet, pela Zoox da Amazon e outros.

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