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Quem É Elon Musk, Primeiro Trilionário da História

Estreia da SpaceX na Nasdaq elevou o patrimônio do empresário para US$ 1,1 trilhão, consolidando um marco inédito na história da riqueza global

7 min

A abertura de capital da SpaceX transformou Elon Musk no primeiro trilionário da história. As ações da fabricante de foguetes começaram a ser negociadas na Nasdaq nesta sexta-feira a US$ 150 por papel, valor que implica uma capitalização de mercado próxima de US$ 2 trilhões (R$ 10 trilhões).

A Forbes estima que Musk passou a ter uma fortuna de US$ 1,1 trilhão (R$ 5,5 trilhões) pouco antes do meio-dia desta sexta-feira, no horário da Costa Leste dos Estados Unidos. Na quinta-feira, antes da estreia das ações, seu patrimônio era estimado em US$ 982 bilhões (R$ 4,91 trilhões). Apenas a precificação do IPO da SpaceX, definida em US$ 135 por ação, acrescentou US$ 188 bilhões (R$ 940 bilhões) à sua riqueza, segundo cálculos da Forbes.

Musk, que ocupa os cargos de presidente do conselho, CEO e diretor de tecnologia da SpaceX, possui 4,8 bilhões de ações da companhia, participação avaliada em US$ 715 bilhões (R$ 3,575 trilhões). Ele também detém 350 milhões de opções de ações com preço de exercício de US$ 8,40 por papel, avaliadas em US$ 50 bilhões (R$ 250 bilhões), o que lhe garante uma participação total de 38% na empresa, equivalente a US$ 765 bilhões (R$ 3,825 trilhões).

Antes da definição do preço do IPO, a Forbes avaliava a participação de aproximadamente 40% de Musk na SpaceX — antes da diluição decorrente da oferta — em cerca de US$ 500 bilhões (R$ 2,5 trilhões), com base na avaliação de US$ 1,25 trilhão (R$ 6,25 trilhões) obtida na fusão da SpaceX com a xAI, empresa de inteligência artificial e redes sociais de Musk, concluída em fevereiro. A xAI havia se fundido anteriormente com o X, antigo Twitter, em março de 2025.

Além da SpaceX, Musk possui pouco mais de 10% da Tesla, cuja capitalização de mercado é de US$ 1,5 trilhão (R$ 7,5 trilhões). Sua participação está avaliada em US$ 163 bilhões (R$ 815 bilhões), além de opções que lhe permitem adquirir quase mais 8% da companhia, avaliadas em US$ 113 bilhões (R$ 565 bilhões). Completam seu patrimônio participações menores na Neuralink, startup de interfaces cérebro-computador, e na Boring Company, especializada em túneis, além de vários bilhões de dólares provenientes de vendas anteriores de ações da Tesla.

Metas ambiciosas

A estimativa da Forbes não inclui ações restritas vinculadas ao desempenho que poderiam elevar suas participações na SpaceX e na Tesla para 47% e 29%, respectivamente, antes de impostos e dos custos necessários para desbloquear esses papéis.

Para obter a totalidade dessas ações, Musk precisará cumprir metas extremamente ambiciosas, como elevar os valores de mercado da SpaceX e da Tesla para US$ 7,5 trilhões (R$ 37,5 trilhões) e US$ 8,5 trilhões (R$ 42,5 trilhões), respectivamente, além de estabelecer uma colônia humana permanente em Marte com pelo menos um milhão de habitantes.

A ideia de alguém alcançar uma fortuna de US$ 1 trilhão parecia impensável até poucos anos atrás. Em 1999, Bill Gates tornou-se a primeira pessoa a atingir os US$ 100 bilhões (R$ 500 bilhões), mas a conquista durou pouco devido ao estouro da bolha das empresas de internet.

A marca de 12 dígitos só voltaria a ser superada em 2017, quando Jeff Bezos se tornou o segundo centibilionário da história. Bezos, que também foi o primeiro a atingir os US$ 200 bilhões (R$ 1 trilhão), em 2020, ocupa atualmente a quarta posição entre as pessoas mais ricas do mundo, com patrimônio estimado em US$ 247 bilhões (R$ 1,235 trilhão).

Gates aparece em 20º lugar, com US$ 104 bilhões (R$ 520 bilhões). A segunda pessoa mais rica do planeta é Larry Page, com fortuna estimada em US$ 296 bilhões (R$ 1,48 trilhão), menos de um terço da riqueza de Musk. Já Larry Ellison, atualmente o quinto colocado, com patrimônio de US$ 229 bilhões (R$ 1,145 trilhão), é a única pessoa além de Musk que já alcançou a marca dos US$ 400 bilhões (R$ 2 trilhões).

Imagem traduzida com auxílio de IA.

Como essa carreira foi construída

Musk construiu esse recorde ao longo de mais de 25 anos. Ele fundou a SpaceX em 2002, mesmo ano em que o eBay adquiriu o PayPal por US$ 1,5 bilhão (R$ 7,5 bilhões). O PayPal havia resultado da fusão com o banco digital X.com, cofundado por Musk em 2000.

Em 2004, Musk entrou na Tesla como investidor e presidente do conselho, um ano após a fundação da empresa, recebendo posteriormente o título de cofundador. Em 2008, assumiu o cargo de CEO da montadora, no mesmo ano em que a SpaceX lançou o primeiro foguete desenvolvido por uma empresa privada a alcançar a órbita terrestre.

A Tesla abriu capital na Nasdaq em 2010. Dois anos depois, Musk estreou na lista anual de bilionários da Forbes com uma fortuna estimada em US$ 2 bilhões (R$ 10 bilhões), ocupando a 634ª posição no ranking mundial.

A partir daí, sua ascensão foi meteórica. Em apenas nove anos, tornou-se a pessoa mais rica do planeta pela primeira vez, em janeiro de 2021, impulsionado pela valorização de quase 13.000% das ações da Tesla, que o levaram a ultrapassar Jeff Bezos.

Depois de alternar posições com Bezos ao longo daquele ano, uma nova disparada das ações da Tesla fez de Musk, em novembro de 2021, a primeira pessoa da história a atingir uma fortuna de US$ 300 bilhões (R$ 1,5 trilhão). Pouco depois, porém, ele provocou uma forte queda nos papéis da montadora ao vender quase US$ 40 bilhões (R$ 200 bilhões) em ações para pagar impostos sobre opções prestes a vencer e ajudar a financiar a aquisição hostil do Twitter, anunciada em abril de 2022 por US$ 44 bilhões (R$ 220 bilhões).

Musk perdeu o posto de homem mais rico do mundo para o francês Bernard Arnault, do grupo de luxo LVMH, em dezembro de 2022. Os dois alternaram a liderança durante boa parte de 2023 e do primeiro semestre de 2024, acompanhando as oscilações das ações da Tesla.

Musk retomou definitivamente a liderança em junho de 2024 e, desde então, acumulou uma série de marcos inéditos. Tornou-se a primeira pessoa a alcançar US$ 400 bilhões (R$ 2 trilhões) em dezembro de 2024, US$ 500 bilhões (R$ 2,5 trilhões) em outubro, US$ 600 bilhões (R$ 3 trilhões) e US$ 700 bilhões (R$ 3,5 trilhões) em setembro, além de US$ 800 bilhões (R$ 4 trilhões) em fevereiro.

A recuperação das ações da Tesla, que atingiram máximas históricas em dezembro, e uma decisão da Suprema Corte de Delaware que restaurou um pacote de opções anteriormente anulado — atualmente avaliado em US$ 113 bilhões (R$ 565 bilhões) — contribuíram para esses avanços.

Ainda assim, foi a valorização da SpaceX, hoje de longe o ativo mais valioso de Musk, que teve o maior impacto em sua ascensão.

Desde 2021, quando ultrapassou pela primeira vez a avaliação de US$ 100 bilhões (R$ 500 bilhões) em uma negociação privada de ações, a SpaceX multiplicou seu valor de mercado por quase vinte vezes.

Isso ocorreu apesar de a companhia ter registrado prejuízo líquido de US$ 4,9 bilhões (R$ 24,5 bilhões) sobre uma receita de US$ 18,7 bilhões (R$ 93,5 bilhões) em 2025.

A SpaceX espera atrair investidores com o rápido crescimento da rede de satélites Starlink e com seus planos ambiciosos de colonizar Marte e construir centros de dados movidos a energia solar no espaço para aplicações de inteligência artificial.

Embora muitos questionem os fundamentos que sustentam a avaliação bilionária da companhia, Musk e alguns de seus principais apoiadores consideram a ação uma oportunidade.

“Acreditamos que ela valerá US$ 10 trilhões, US$ 20 trilhões ou US$ 30 trilhões”, afirmou o investidor bilionário Ron Baron, da Baron Capital, em uma entrevista em vídeo publicada neste mês no X. “E as pessoas dentro da empresa acham que estou sendo conservador.”

O comentário de Musk ao vídeo foi curto e direto: “Ron é inteligente.”

Reportagem originalmente publicada em Forbes.com

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