A tradicional Gala do Festival da Primavera da CCTV, exibida nesta segunda-feira (16), na China, transcendeu o entretenimento para se consolidar como a principal vitrine da tecnologia chinesa. Ao colocar robôs humanoides no centro do palco, o governo de Pequim enviou uma mensagem clara ao mercado global sobre o amadurecimento de sua cadeia de suprimentos e tecnologia.
Startups como Unitree, Galbot, Noetix e MagicLab apresentaram máquinas executando sequências complexas de artes marciais e dança. Mais do que uma coreografia, a demonstração de equilíbrio dinâmico e recuperação de quedas em tempo real evidenciou saltos práticos em hardware e software que já superam protótipos de laboratório.
O protagonismo na TV estatal reflete um domínio estatístico avassalador. De acordo com dados da consultoria Omdia, a China deteve 90% da fatia de mercado mundial de humanoides em 2025, comercializando a maior parte das 13 mil unidades produzidas globalmente no período. Para 2026, analistas projetam dois movimentos decisivos:
O Morgan Stanley estima que as vendas chinesas saltem para 28 mil unidades este ano, representando um aumento superior a 115%. A visibilidade do evento deve acelerar a abertura de capital de empresas como a Unitree e a AgiBot, que buscam liquidez para financiar a expansão global.
A estratégia, denominada internamente como “IA + Manufatura”, é a aposta de Pequim para mitigar o rápido envelhecimento de sua força de trabalho. Ao integrar modelos de linguagem à robótica física, a China pretende manter sua hegemonia fabril sem depender da disponibilidade de mão de obra humana.
A agilidade deste ecossistema já gera alertas no Ocidente. Recentemente, Elon Musk, CEO da Tesla, admitiu que a concorrência chinesa é o maior desafio para o desenvolvimento do robô Optimus, citando a infraestrutura local de componentes como um diferencial crítico difícil de ser batido no curto prazo.