Um chip integrado a uma fibra mais fina que um fio de cabelo humano é a novidade que ampliou os limites da nanotecnologia nesta semana. Cientistas da Universidade de Fudan, em Xangai, construíram o chamado Chip de Fibra, que é capaz de processar informações computacionais a partir de uma estrutura fina e flexível o suficiente para ser torcida e até incorporada a tecido de roupas.
Com apenas um milímetro de espessura, o filamento comporta cerca de 10 mil transistores, sendo capaz de processar informações, armazenar dados e realizar tarefas básicas de computação. A resistência se mostrou um ponto de destaque: o chip manteve seu desempenho estável após a fibra ter sido dobrada e desdobrada mais de 10 mil vezes, esticada em 30% e esmagada por um caminhão de mais de 15 toneladas.
Na área da saúde, essas fibras representam um avanço significativo. Devido à sua alta flexibilidade, comparável à do tecido cerebral, elas se tornam mais seguras e eficazes no tratamento de doenças neurológicas – sem a necessidade de conexões com computadores externos. Além disso, o chip possibilita a criação de luvas táteis inteligentes, que conseguem simular a sensação de diferentes objetos, o que permitiria que cirurgiões “sentissem” tecidos durante procedimentos de cirurgia robótica remota.
Segundo Chen Peining, pesquisador do Instituto de Materiais e Dispositivos de Fibra da Universidade de Fudan, já é possível produzir os Chips de Fibra em massa, por se tratar de um método compatível com processos industriais atuais de fabricação de chips. O desenvolvimento redefine os limites da nanotecnologia: pela primeira vez, a computação pode existir fora de dispositivos rígidos e integrar materiais flexíveis o suficiente para serem vestidos.