Desde que chegou ao Brasil, em novembro de 2025, a Keeta tem investido em tecnologia com o objetivo de melhorar segurança e eficiência do ecossistema de entregas. Uma das investidas mais recentes da empresa — e uma das primeiras anunciadas — é a distribuição de capacetes inteligentes para entregadores parceiros em São Paulo.
Integrados à inteligência artificial, os equipamentos prometem unir segurança física e recursos tecnológicos em um único dispositivo, auxiliando em questões como otimização de rotas e acionamento de mecanismos de segurança.
Os capacetes já estão em uso na China, onde foram distribuídas mais de 1,2 milhões de unidades — o equivalente a quase 50% dos entregadores da região, segundo a Meituan, gigante chinesa detentora da Keeta. Ainda segundo a empresa, a medida contribuiu para uma redução de 15% no número de acidentes graves envolvendo ciclistas.
Em São Paulo, o programa vai distribuir gratuitamente 350 capacetes para parceiros de alto desempenho na plataforma. O plano piloto tem o objetivo de avaliar o desempenho de segurança e usabilidade do capacete.
Entre os recursos disponíveis no item estão:
- Navegação assistida por voz: conta com alto-falantes integrados que orientam os ciclistas, sem a necessidade de olhar para o celular;
- Gerenciamento de chamadas: por meio de um botão de toque único, o entregador pode atender e encerrar chamadas sem pegar no telefone;
- Multifuncionalidade: possui conectividade Bluetooth para reproduzir músicas e outros conteúdos em áudio;
- Detecção automática de acidentes: por meio de um sensor de movimento inercial, o capacete identifica impactos súbitos ou quedas graves. Caso o ciclista não responda em até 12 segundos, o sistema envia um alerta ao centro de segurança da Keeta, que pode acionar os serviços de emergência se necessário. Os recursos de segurança funcionam com o app da Keeta ativo;
- Maior visibilidade noturna: vem equipado com luzes de LED e adesivos refletivos, para melhorar visibilidade em viagens de baixa luz;
- Conforto e proteção física: conta com recursos adicionais de segurança, como viseira para proteger os olhos.
Foco das operações em São Paulo
Paralelamente à sua chegada no Brasil, a Keeta anunciou um compromisso de longo prazo com o País que envolve um investimento de R$ 5,6 milhões em cinco anos — sendo R$ 1 bilhão destinado a São Paulo. Segundo a empresa, a metrópole é o foco de desenvolvimento das operações nacionais.
A declaração foi feita em resposta à repercussão negativa provocada pela suspensão das atividades da Keeta no Rio de Janeiro, que resultou em cerca de 200 demissões — mesmo após promessas da empresa de revolucionar o setor no estado. O caso levantou alguns questionamentos entre profisisonais e clientes, que colocaram em cheque a proposta da Keeta de oferecer melhores condições de trabalho e ampliar concorrência no Brasil.
Outras propostas da empresa incluem um pacote de iniciativas para atrair e manter entregadores brasileiros na plataforma. A Keeta afirmou que pretende investir R$ 100 milhões em ações de suporte, incluindo a inauguração de um centro físico na zona sul de São Paulo que disponibilizará áreas de descanso, bebedouros e micro-ondas.
A questão da segurança para ciclistas
A busca de ciclistas por respeito nas ruas e mais segurança nos trajetos é uma luta que vem sendo travada há anos. Mesmo com o avanço das ciclovias, o número de fatalidades ainda preocupa: entre janeiro e fevereiro de 2026, foram registrados 32 óbitos de ciclistas em São Paulo, segundo dados do Detran.
Como forma de protesto, no dia 14 de março, um grupo de ciclistas nus e seminus se reuniu na Avenida Paulista para chamar a atenção da população e das autoridades sobre a vulnerabilidade no trânsito. O ato é uma versão brasileira do World Naked Bike Ride, realizado há mais de duas décadas em diversas cidades ao redor do mundo.
Durante a manifestação, alguns participantes pintaram frases no próprio corpo, como “Obsceno é o trânsito” e “Pelada você me vê?”. A iniciativa busca pressionar autoridades por melhorias nas condições de circulação de bicicletas, com reivindicações por mais infraestrutura, respeito às leis de trânsito e conscientização por parte dos motoristas.
Segundo dados da Arteris, houve uma queda de 11,8% nas fatalidades no trânsito em 2025. Ainda assim, 78% das mortes registradas em rodovias no período envolveram vítimas consideradas vulneráveis, sendo 31% delas pedestres e ciclistas.