A IBM anunciou, nesta quinta-feira (25), a primeira tecnologia de chip sub-1 nanômetro do mundo, o que pode ser considerado um grande avanço em semicondutores das últimas décadas. A novidade chega quatro anos depois de outro marco alcançado pela própria IBM que, em 2021, apresentou o chip de 2 nanômetros baseado na arquitetura nanosheet.
Com a nova arquitetura de transistor batizada de Nanostack, a expectativa é que o novo modelo seja amplamente usado pela indústria – assim como aconteceu com o modelo anterior.
Com exatamente 0,7 nanômetros (ou 7 Angstroms), o Nanostack abre caminho para uma nova geração de processadores voltados à inteligência artificial, computação de alto desempenho e data centers.
Essa diferença de tamanho representa um avanço importante para as empresas de tecnologia. Os semicondutores são a base de praticamente todos os equipamentos eletrônicos modernos e sua evolução determina o ritmo de áreas como inteligência artificial e computação em nuvem, que são fundamentais para o desenvolvimento de novos smartphones e até de veículos.
“Tudo isso é importante porque os semicondutores são a base da vida moderna, alimentando desde sistemas de inteligência artificial e infraestrutura de nuvem até os dispositivos, redes e sistemas críticos dos quais a sociedade e as empresas dependem diariamente”, afirma Jay Gambetta, diretor do IBM Research e IBM Fellow.
Diferencial e estrutura
O Nanostack representa uma inovação na indústria de semicondutores ao permitir o empilhamento de transistores. Uma característica que vai além da redução das dimensões e do aperfeiçoamento dos materiais e dos processos de fabricação.

O Nanostack chega a quase 100 bilhões de transistores em um chip do tamanho de uma unha, o dobro da densidade do chip de 2 nanômetros lançado em 2021.
De maneira geral, quanto mais transistores cabem em um chip, maior tende a ser sua capacidade de executar tarefas complexas. O desafio da indústria é continuar aumentando essa quantidade sem tornar os chips maiores ou mais caros de fabricar.
Por que o Nanostack importa?
Os resultados divulgados pela IBM apontam para uma melhoria de até 50% no desempenho ou 70% em eficiência energética, a depender da escolha de configuração no momento do design. Além disso, testes iniciais indicam uma melhoria de 40% no escalonamento da memória SRAM em comparação à tecnologia de 2 nanômetros, um avanço que a empresa descreve como sem precedentes nos últimos 12 anos.
No contexto da computação para IA, onde o custo com energia já representa um dos principais gargalos para data centers, a proposta de reduzir em 70% o consumo sem abrir mão de capacidade de processamento é muito atrativa.
A IBM ressalta que o Nanostack é adaptável a CPUs, GPUs, chips móveis e circuitos customizados. Por sua estrutura modular, a arquitetura permite um nível de customização que não era possível nas gerações anteriores.
Com a novidade, a IBM reforça sua posição entre os principais centros de pesquisa em semicondutores, em um momento em que a corrida por chips mais eficientes ganha importância sem precedentes.