1. Início
  2. /
  3. Forbes Tech
  4. /
  5. Nova Imagem da Via Láctea Abre Caminhos para a Caça de Exoplanetas
Forbes Tech

Nova Imagem da Via Láctea Abre Caminhos para a Caça de Exoplanetas

Mosaico de 6 gigapixels do telescópio Euclid revela detalhes sem precedentes do centro da nossa galáxia e promete impulsionar a busca por novos mundos

4 min

A Agência Espacial Europeia (ESA) acabou de entregar o clique definitivo da nossa galáxia: a maior e mais detalhada imagem já feita do centro da Via Láctea em luz visível, exibindo 60 milhões de estrelas, além de nebulosas e aglomerados estelares.

Essa tela ultra-detalhada de luz e cor é muito mais do que apenas um espetáculo visual cósmico. Ela pode ajudar astrônomos na busca por exoplanetas na região densamente povoada de estrelas da nossa galáxia, conhecida como bojo galáctico.

“Visualmente, ela tem o impacto emocional de uma grande obra de arte astronômica. Cientificamente, cada estrela no enquadramento é um dado”, disse em entrevista Dan Zafra, cofundador da Capture the Atlas, empresa especializada em educação e viagens de astrofotografia. “Ela é linda à primeira vista, mas quanto mais você olha, mais percebe que seu valor real não é apenas estético. É uma ferramenta para compreender a nossa galáxia e os planetas escondidos nela.”

Para capturar a imagem de seis gigapixels, o telescópio espacial Euclid, da ESA, apontou sua câmera de luz visível para a brilhante área interna da Via Láctea, que a agência chama de seu “coração lotado”. (Explore a imagem em sua resolução máxima.)

A câmera do telescópio consegue diferenciar estrelas individuais no bojo galáctico sem ser ofuscada pelo brilho conjunto delas, e essa capacidade também pode ajudar os cientistas a buscar exoplanetas na região, em um esforço para mapear e entender melhor a nossa galáxia.

A ESA lançou a Missão Euclid em 2023 para desvendar os mistérios da energia escura e da matéria escura, partes do cosmos que continuam invisíveis aos nossos olhos e telescópios. Para isso, a missão pretende mapear mais de um terço do céu durante sua jornada de seis anos.

Mas a câmera altamente sensível do telescópio também é perfeitamente adequada para estudar planetas fora do nosso sistema solar.

Como funciona o microlenteamento?

Os cientistas esperam que a imagem do bojo galáctico, localizado a cerca de 26 mil anos-luz da Terra, sirva para a caça de exoplanetas na Via Láctea por meio de um efeito observacional chamado microlenteamento. A técnica se baseia no alinhamento casual quase perfeito de duas estrelas, onde a gravidade da estrela em primeiro plano funciona como uma lupa, distorcendo e intensificando a luz da estrela que está ao fundo.

ESA/EuclidMaior foto de alta resolução já feita da Via Láctea

“Nos últimos 20 anos, quase 300 exoplanetas foram descobertos usando essa técnica, todos com telescópios baseados na Terra e todos em direção ao centro da nossa galáxia”, disse em comunicado Jean-Philippe Beaulieu, do Institut d’Astrophysique de Paris e da Universidade da Tasmânia, na Austrália. “Esta imagem do Euclid inclui 51 sistemas planetários conhecidos e vai ajudar no estudo de muitos outros que serão encontrados.”

A imagem do bojo galáctico recém-divulgada, capturada ao longo de 26 horas em março de 2025, é um mosaico de nove regiões do céu, cada uma maior do que a lua cheia e 270 vezes maior do que o campo de visão do Telescópio Espacial Hubble, da NASA, lançado há mais de 35 anos. A ESA compartilhou a imagem com o público na quarta-feira.

Quando Zafra viu o clique pela primeira vez, disse que não conseguia acreditar na densidade.

“Como fotógrafos da Via Láctea, passamos muito tempo sob céus escuros tentando revelar a estrutura e os detalhes do núcleo galáctico, mas essa imagem quase vira essa experiência de cabeça para baixo”, disse ele. “Ela elimina o distanciamento romântico e mostra o centro da nossa galáxia como uma coleção impressionante de estrelas individuais.”

Os dados do telescópio Euclid servirão como ponto de referência para o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da NASA, que, assim que for lançado a bordo de um foguete Falcon Heavy da SpaceX, observará repetidamente o bojo galáctico nos próximos anos. O telescópio é peça-chave para o Galactic Bulge Time-Domain Survey (Levantamento do Domínio do Tempo do Bojo Galáctico) da NASA, que irá monitorar planetas, pequenos objetos de gelo, pequenos buracos negros e outros corpos celestes.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.