A Mercor, empresa de rotulagem de dados para inteligência artificial fundada pelos bilionários self-made mais jovens do mundo, está em negociações para captar US$ 500 milhões (R$ 2,55 bilhões) com uma avaliação de mercado de US$ 20 bilhões (R$ 102 bilhões), segundo uma fonte familiarizada com a rodada de investimentos.
A nova captação dobraria o valor da startup em menos de um ano. Em setembro, a Mercor levantou US$ 350 milhões (R$ 1,785 bilhão) com uma avaliação de US$ 10 bilhões (R$ 51 bilhões), em uma rodada liderada por investidores como Felicis Ventures, Benchmark e General Catalyst. Ainda não está claro quais investidores participarão da nova rodada.
O acordo deve ser concluído ainda neste mês, afirmou a fonte, que ressaltou que os termos da negociação ainda podem mudar. Se a rodada for fechada, porém, os três fundadores — os co-CEOs Brendan Foody e Adarsh Hiremath, além do presidente do conselho, Surya Midha — terão patrimônio estimado em US$ 4,3 bilhões (R$ 21,93 bilhões) cada, segundo estimativas da Forbes.
Um porta-voz da Mercor se recusou a comentar sobre o patrimônio líquido dos fundadores. A Bloomberg informou anteriormente que a empresa estava em negociações para captar recursos com uma avaliação de US$ 20 bilhões (R$ 102 bilhões).
A plataforma da Mercor ajuda laboratórios avançados de inteligência artificial, como a OpenAI, a aprimorar seus modelos de ponta ao recrutar doutores, advogados, banqueiros, cientistas e programadores para criar dados de treinamento especializados.
A nova rodada de financiamento ocorre em um momento em que a Mercor enfrenta as consequências de recentes controvérsias. Em abril, a empresa informou ter sido vítima de uma grave violação de segurança e explicou que estava entre as milhares de companhias afetadas por um ataque hacker em larga escala ligado ao projeto de código aberto LiteLLM. A startup também enfrentou outros incidentes à medida que cresceu: demitiu um funcionário por desvio de recursos, e colaboradores suspeitaram que agentes norte-coreanos haviam se infiltrado em sua plataforma utilizando credenciais roubadas, informou a Forbes em abril.
Apesar dos problemas, a receita da Mercor disparou. A empresa afirma ter ultrapassado US$ 2 bilhões (R$ 10,2 bilhões) em receita anualizada em junho, dobrando seu faturamento apenas quatro meses depois de alcançar a marca de US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões), em fevereiro. Fundada em 2023, a Mercor tornou-se um dos principais símbolos do boom das startups de inteligência artificial do Vale do Silício comandadas por fundadores excepcionalmente jovens e excepcionalmente ricos. Os três cofundadores, que se conheceram na equipe de debates do ensino médio em uma escola da região da Baía de São Francisco, tinham 22 anos quando se tornaram, em outubro, os bilionários self-made mais jovens do mundo.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com