A maioria dos eleitores norte-americanos acredita que o governo do presidente Donald Trump e o Congresso não estão levando os riscos da IA a sério o suficiente e quer que o governo elabore novas regulamentações para a tecnologia, de acordo com uma nova pesquisa Reuters/Ipsos.
A pesquisa, realizada durante seis dias e encerrada na segunda-feira (5), mostrou que grande parte do eleitorado vê a IA como uma grande ameaça aos empregos nos Estados Unidos, ressaltando o ceticismo crescente em relação à tecnologia por parte de eleitores de todo o espectro político.
A tecnologia, que avança rapidamente, tornou-se um assunto de grande interesse nacional em meio a relatos de agentes de IA agindo descontroladamente e invadindo redes de computadores corporativas, além de alertas de pesquisadores renomados de que ela poderia, um dia, representar uma ameaça existencial à humanidade.
Centros de dados barulhentos e que consomem muita energia, responsáveis por alimentar a IA, também representam um incômodo cada vez maior quando surgem próximos a bairros, ao mesmo tempo em que elevam as contas de serviços públicos.
Cerca de 57% dos eleitores registrados na pesquisa, incluindo um terço dos que se identificam como republicanos, afirmaram que o governo Trump não leva os riscos da IA a sério o suficiente, ou nem mesmo os leva em conta. Cerca de 54% disseram o mesmo sobre o Congresso.
A inteligência artificial tornou-se um tema de campanha significativo às vésperas das eleições de meio de mandato em 3 de novembro, quando o controle do Congresso estará em jogo. Cerca de 62% dos eleitores na pesquisa afirmaram que a tecnologia pode sair do controle e colocar em risco o futuro da humanidade, aproximadamente a mesma porcentagem de eleitores com essa opinião em uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada em agosto do ano passado.
Trump tem manifestado repetidamente apoio incondicional à IA e à construção de centros de dados, argumentando que eles são vitais para a competitividade dos Estados Unidos, mesmo com o aumento das críticas bipartidárias à tecnologia.
Ele costuma dizer que o setor de tecnologia dos Estados Unidos ficará para trás em relação aos seus equivalentes chineses quando questionado sobre por que seu governo não estabeleceu limites para o uso e o desenvolvimento da tecnologia, um argumento que, segundo defensores da segurança da IA, é equivocado.
“Essa é uma preocupação importante, mas não é a principal preocupação da maioria dos norte-americanos, nem deveria ser”, disse Daniel Kokotajlo, ex-funcionário da OpenAI que se demitiu em 2024 por acreditar que a empresa não estava agindo de forma responsável.
A preocupação mais urgente é que a IA possa custar empregos às pessoas ou ameaçar a saúde e a segurança humana, afirmou ele.
Em uma declaração à Reuters sobre a forma como o presidente lida com a IA, um funcionário da Casa Branca destacou a nova força-tarefa de Trump, que, segundo ele, é responsável por garantir que “os Estados Unidos continuem liderando o mundo” nessa tecnologia.
“A prioridade do governo Trump é garantir que haja uma economia em expansão, para que os trabalhadores tenham muitas oportunidades e sofram pouca instabilidade decorrente de quaisquer perturbações de curto prazo”, disse o funcionário quando questionado sobre os temores dos eleitores em relação ao emprego no contexto da IA.
A nova pesquisa Reuters/Ipsos revelou que 84% dos eleitores veem a IA como uma ameaça aos trabalhadores norte-americanos. Em comparação, 60% veem a imigração ilegal como uma ameaça aos trabalhadores norte-americanos, enquanto 74% consideram a concorrência de trabalhadores estrangeiros dessa forma e 73% dizem o mesmo sobre as grandes corporações.
Uma maioria bipartidária de eleitores, incluindo 80% dos democratas e 61% dos republicanos, afirmou apoiar uma regulamentação governamental mais rigorosa sobre a IA.
A pesquisa da Reuters/Ipsos, realizada online e em todo o país, reuniu respostas de 4.506 adultos norte-americanos, incluindo 3.526 eleitores registrados. A pesquisa tem uma margem de erro de 2 pontos percentuais.