Astrônomos descobriram evidências de um planeta extraordinário que pode ter se formado a partir das cinzas de uma estrela morta. Pesquisadores da Universidade de Warwick usaram observações do Telescópio Espacial Hubble da NASA para fazer a descoberta, que se concentra em uma estrela anã branca, os densos restos de uma estrela morta.
Os cientistas acreditam que essa rara aparição de segunda geração pode orbitá-la, um mundo formado a partir do material expelido durante a morte de sua estrela-mãe.
As descobertas, publicadas na revista Nature Astronomy este mês, podem mudar a compreensão dos cientistas sobre o que acontece aos astros depois que suas estrelas chegam ao fim de suas vidas.
Hubble desvenda mistério
A descoberta ocorreu depois que astrônomos revisitaram observações do Hubble feitas em 1999. Essas medições originais continham aproximadamente 100 características químicas não identificadas que permaneceram inexplicáveis por mais de duas décadas.
Utilizando um banco de dados atualizado de assinaturas químicas, o pesquisador principal Jamie Williams, doutorando da Universidade de Warwick, descobriu que muitas das características misteriosas correspondiam ao nióbio, um elemento pesado nunca antes identificado na atmosfera de uma estrela anã branca.
“O que o Hubble está nos mostrando neste sistema de anã branca é algo que nunca vimos antes: uma alta abundância do elemento nióbio”, disse Williams.
Formação a partir de uma estrela morta
Anãs brancas são sobras densas e colapsadas de estrelas que esgotaram seu combustível nuclear e perderam suas camadas externas. Embora planetas possam sobreviver a essa transformação, pesquisadores acreditam que o mundo suspeito ao redor dessa estrela particularmente escura, chamada HS 0209+0832, pode ter se formado posteriormente.
Diferentemente da Terra e dos outros astros do nosso sistema solar, que se desenvolveram a partir do material que circundava o jovem Sol, acredita-se que os planetas de segunda geração surjam da matéria liberada quando uma estrela morre.
A composição química incomum fornece uma pista importante. Elementos como o nióbio são astronomicamente especiais porque apenas estrelas moribundas os formam, e os ejetam ao perderem suas camadas externas.
Os pesquisadores suspeitam que parte dessa matéria expelida se acumulou em um disco, possivelmente com a ajuda de uma estrela companheira, antes de eventualmente formar um gigante gasoso do tamanho de Júpiter.
“Planetas de segunda geração são mundos que se formam a partir do material que uma estrela ejeta ao morrer. Eles são incrivelmente raros, e encontrar um orbitando uma anã branca foi completamente inesperado”, disse Williams.
Satélite TESS da NASA
Mais evidências vieram do Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito da NASA, lançado em 2018 para procurar corpos celestes orbitando estrelas brilhantes na Via Láctea, que monitorou a anã branca por quatro meses e detectou variações regulares em seu brilho.
O sinal se repete aproximadamente a cada 4,4 dias, sugerindo a possibilidade de um planeta orbitando a cerca de 6 milhões de quilômetros da estrela. Isso é muito mais perto do que Mercúrio está do Sol.
Os cientistas acreditam que o astro candidato possa ter aproximadamente o tamanho de Júpiter. No entanto, sua proximidade com a anã branca extremamente quente significa que a intensa radiação pode estar destruindo sua atmosfera.
Esse gás que escapa poderia formar uma cauda semelhante à de um cometa, criando eventualmente um disco ao redor da estrela antes de cair em sua superfície. Esse processo explicaria por que o Hubble detectou concentrações tão incomuns de elementos pesados na atmosfera da anã branca.
Possibilidade de ser habitável
Apesar das condições extremas, os pesquisadores acreditam que o astro suspeito poderá sobreviver por um período extraordinariamente longo. À medida que a anã branca esfria gradualmente, a intensa radiação que destrói a atmosfera do planeta deverá enfraquecer, permitindo que o mundo permaneça em um ambiente mais estável.
“Se o planeta de segunda geração estiver lá, acho provável que sobreviva”, disse Williams. “Eventualmente, a anã branca esfriará e manterá uma temperatura constante, com o astro em sua zona habitável estável por milhões de anos.”
Se confirmado, este é o primeiro exemplo convincente de um astro de segunda geração orbitando uma anã branca, abrindo uma nova avenida de pesquisa sobre a formação planetária.
A busca por mais anãs brancas com assinaturas químicas semelhantes revelará se os planetas de segunda geração são raros ou apenas difíceis de encontrar.
Reportagem publicada originalmente em Forbes.com