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Conhaque em Queda Afeta Receita da LVMH no Primeiro Semestre de 2025

A Moët Hennessy, marca de vinhos e destilados do grupo, registrou diminuição de 8% em sua receita

3 min

A divisão de Vinhos e Destilados da LVMH está enfrentando dificuldades, em função da desaceleração nas vendas de conhaque, segundo números divulgados na publicação dos resultados do primeiro semestre de 2025. A marca aponta a queda do consumo e as tensões comerciais internacionais como principais causas.

Embora mantenha sua posição de líder global do setor de luxo, a LVMH não escapou dos “desafios conjunturais da economia mundial”, que impactam seu desempenho há um ano. O lucro líquido caiu 22%, chegando a 5,7 bilhões de euros (R$ 36,3 bilhões na cotação atual).

Entre as divisões que registraram recuo está a Moët Hennessy, responsável por vinhos e destilados, cuja receita diminuiu 8%, totalizando 2,58 bilhões de euros (R$ 16,4 bilhões) no semestre. A queda é ainda mais acentuada na comparação anual: a divisão apresenta queda de 11% no acumulado dos últimos 12 meses, com receita de 5,9 bilhões de euros (R$ 37,5 bilhões).

O resultado operacional recorrente da Moët Hennessy caiu um terço, atingindo 524 milhões de euros (R$ 3,3 bilhões) nos seis primeiros meses de 2025. A queda confirma a reversão de tendência iniciada já em 2023, após anos de forte crescimento no pós-pandemia.

Cenário

Estados Unidos e China respondem sozinhos por 80% das vendas globais de conhaque, mercado dominado pela Moët Hennessy, principal marca da LVMH. Mas a forte inflação nesses dois países vem freando o consumo, justamente no momento em que os grupos de destilados, como Pernod Ricard e Rémy Cointreau, seguem com suas políticas de aumento de preços.

Nos EUA, a demanda diminui diante da perda de poder de compra. Na China, o enfraquecimento da economia também impacta o consumo de destilados premium, tradicionalmente oferecidos em ocasiões festivas ou protocolares.

Em comunicado, a LVMH menciona “a fraqueza da demanda por conhaque” e “o impacto sobre a clientela das tensões comerciais que afetam os mercados-chave americano e chinês”.

Agora, os olhares agora se voltam para os EUA. Desde abril, produtos europeus, incluindo destilados, são taxados em 10% na entrada no território americano. Com o novo acordo comercial anunciado entre EUA e UE na semana passada, a tarifa passará a ser 15%. A taxa será mantida para o setor até que um acordo diferente seja fechado em negociações que devem continuar no outono.

* Gaëlle Ménage é colaboradora da Forbes France, onde escreve sobre economia, política e negócios.

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