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“Steve Jobs dos Vinhos” Revela Qual o Melhor Rótulo para Abrir Agora

Apelidado de “Steve Jobs dos vinhos”, Paul Hobbs traz ao Brasil novos rótulos e conta qual é a garrafa ideal para o momento

4 min

Chamado de “Steve Jobs dos vinhos” pela Forbes Estados Unidos, Paul Hobbs tem uma resposta menos óbvia quando o assunto é qual garrafa abrir agora: depende do lugar, da comida, do clima – e da curiosidade de quem está à mesa.

Reconhecido como um dos enólogos mais respeitados do mundo, Hobbs começou a carreira em 1979, ao lado de Robert Mondavi, na Califórnia. A primeira viagem à Argentina, em 1988, mudou o rumo da história: ali ele viu o potencial de Mendoza, ajudou a transformar o país em região de classe mundial e foi um dos pioneiros na projeção da uva Malbec, olhando para algo que até então era impensável (por isso a comparação com o criador da Apple).

Desde então, fundou sete vinícolas — três nos Estados Unidos e outras em quatro continentes — e já foi eleito “Personalidade do Ano” pela Wine Enthusiast e “Personalidade do Vinho do Ano” por Robert Parker, um dos maiores críticos de vinhos do mundo.

À frente da argentina Viña Cobos, uma das vinícolas mais prestigiadas do mundo, Hobbs esteve no Brasil no começo de dezembro para apresentar a linha Paul Hobbs Selections, que reúne rótulos criados em parceria com produtores de destaque, importados pela Grand Cru. Também trouxe a safra 2022 da linha Estate Vineyard com novo design de rótulo e foco em parcelas específicas dos vinhedos Chañares, Hobbs e Zingaretti. “Mudamos o conceito. Hoje, a marca é mais importante do que a vinícola”, resume.

Cada vinho funciona como um capítulo diferente do mesmo raciocínio: máxima precisão, mínima intervenção. No portfólio apresentado, o Alvaredos-Hobbs 2021, da Ribeira Sacra (R$ 989,90), combina Mencía e Garnacha Tintorera em um tinto de amora, cereja, cedro e folha de louro, com taninos longos e sedosos, quase como um chá-preto. O Crocus L’Atelier, 100% Malbec de Cahors (R$ 499), aposta em frutas vermelhas e negras frescas, taninos suaves e um toque de pimenta branca no final.

Da Armênia vem o 2022 Areni (R$ 989,90), elaborado com as uvas Areni e Kakhet, plantadas perto da caverna Areni-1, a vinícola mais antiga conhecida, com mais de 6.000 anos. “Respeitamos a energia do lugar e da história”, diz Hobbs. No nariz, aparecem morango, romã, cereja negra, violeta, rosa e especiarias delicadas; na boca, taninos sedosos, acidez e mineralidade reforçam o caráter do terroir.

Já o 2021 Estate Dry Riesling (R$ 989,90), de Seneca Lake, nos Estados Unidos, é o projeto mais recente do enólogo para mostrar “a mais alta qualidade de Riesling do continente americano”, com notas de gardênia, pera, cítricos e pedra quebrada, acidez vibrante e final longo.

Da entrevista com a Forbes Brasil vem a pista mais clara sobre “o melhor rótulo para abrir agora”. Hobbs vê um movimento global em direção aos brancos: “Já vimos essa tendência antes, o vinho branco vive ciclos, quase como uma moda. As pessoas associam brancos a algo mais leve, crocante, fresco”. Ele liga o fenômeno a mudanças de alimentação e estilo de vida, mas sem dogmas à mesa: “Como você vê, estou comendo peixe e bebendo vinho tinto”.

Sobre o gosto do brasileiro, ele evita estereótipos: “Não vejo o gosto brasileiro muito diferente de Nova York. Em São Paulo, vocês bebem o que está disponível, mais vinhos feitos na América do Sul, mas a forma de combinar comida e vinho é parecida”. E

defende o uso moderado de madeira: “Passamos por um período em que o carvalho era pesado demais. As pessoas se cansaram: ‘não sinto a uva, só a madeira’. Se o carvalho é de alta qualidade e está nas mãos de um bom enólogo, se integra ao vinho e tem efeito positivo. Hoje estamos em um equilíbrio muito melhor — e eu fico muito mais feliz como enólogo”.

Se existe uma fórmula, ela cabe em uma frase que ele repete com serenidade de veterano: “Diversidade e variedade são a alegria da vida”. A melhor garrafa para abrir agora, sugere Hobbs, talvez não seja uma só — mas aquela que, ao ser servida, ajuda a enxergar o vinho como ele gosta de fazer: menos como fetiche de adega, mais como uma forma sofisticada de curiosidade sobre o mundo.

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