Por que a agricultura de precisão nas fazendas de soja é boa para o planeta

Polly Ruhland, CEO do United Soybean Board, nos EUA, diz que a transformação digital ajuda a reimaginar o futuro dos alimentos.

Jennifer Kite-Powell
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 USB_Divulgação
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“A agricultura de precisão permite que [os produtores] melhorem a eficiência, a qualidade e a consistência de suas safras”, diz Polly Ruhland

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Existem mais de 500.000 produtores de soja nos Estados Unidos. A soja é a commodity agrícola número um nas exportações do país, representando cerca de 18% do comércio desse setor. Polly Ruhland, CEO do USB (United Soybean Board), órgão mantido por 78 produtores de soja no país e que visa estratégias para aumentar o rendimento das lavouras, diz que a maioria dos produtores da oleaginosa nos EUA está cada vez mais adotando a transformação digital. Polly afirma que ferramentas como sensores de umidade, irrigação inteligente, tratores autônomos e com GPS, drones e imagens de satélite ajudam a produzir mais grãos com a mesma quantidade ambiental.

“Os agricultores com quem trabalho todos os dias me contam como o uso da agricultura de precisão permite que melhorem a eficiência, a qualidade e a consistência de suas safras”, disse. “Esta tecnologia inovadora pode ter uma faixa de precisão melhor do que um centímetro, e isso permite que os agricultores tomem decisões complexas para a safra e apliquem insumos na hora certa e no lugar certo para cultivar mais alimentos, fibras e combustível com menos recursos e atenção sempre no sentido de melhorar a qualidade.”

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De acordo com Polly diz que a transformação digital na fazenda de soja é boa para o planeta e sua crescente população e também para os resultados financeiros dos agricultores.

“A tecnologia digital, como a irrigação inteligente, está ajudando a melhorar a eficiência dos nutrientes e a qualidade do nosso solo, aumentar a produtividade da safra e economizar água”, diz Polly. “Também permite que os agricultores usem pesticidas com mais precisão para um ambiente mais saudável e que forneça uma fonte de alimento mais confiável e sustentável é essencial para alimentar nossa população crescente, que está estimada em mais de nove bilhões até 2050.”

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Polly acrescenta que os agricultores podem criar um verdadeiro sistema de sustentabilidade quando a tecnologia é usada para tratar o solo exatamente como ele precisa ser tratado, juntamente com a engenharia genética para tornar as sementes e plantações mais resistentes aos desreguladores naturais. “Este sistema não apenas melhora a sustentabilidade ambiental no planeta a longo prazo, mas ao mesmo tempo melhora a sustentabilidade econômica para os agricultores.”

IMAGENS AÉREAS PARA MONITORAR LAVOURAS
Para ela, a marcha contínua da tecnologia agrícola moderna não ocorre apenas nos campos; está no ar. “A implantação de drones ajuda os agricultores de soja a ver seus campos do céu, o que economiza tempo, uma vez que não precisam andar no campo”, diz. “Agricultores como Rochelle Krusemark, em Minnesota, costumavam passar mais de 30 horas por semana explorando seu campo de 65 hectares, mas agora ela pode analisar as mesmas safras em cerca de 15 minutos.”

“Os drones têm sido uma das mudanças de jogo mais significativas quando se trata de tecnologia na fazenda e trouxeram com eles uma mudança monumental para a indústria agrícola”, diz Polly.

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Estados Unidos têm 500.000 produtores de soja nos Estados Unidos e o grão é a commodity agrícola número um nas exportações do país

Roman Medvediev, diretor de operações da EOS Data Analytics, empresa global com sede na Califórnia, diz que a companhia também trabalha com a “complete farmer”, em Gana, pequeno país da África Ocidental, para ajudar na jornada do agricultor visando o aumento da produtividade da safra por meio do gerenciamento remoto de fazendas, avaliação da saúde das lavouras e uso eficiente de sementes e fertilizantes.

Medvediev diz que depois de adicionar uma plataforma de monitoramento de safra em uma fazenda de soja em Karaga, Gana, o agricultor tem acesso a informações sobre suas safras, como área plantada, localização, dados meteorológicos, estágio de crescimento das plantas, precipitação e imagem de satélite dos campos.

“Um dos dados cruciais a serem observados são os índices de vegetação, que fornecem informações valiosas sobre a condição das plantações”, disse Medvediev. “Por exemplo, o NDVI (Índice Vegetativo de Diferença Normalizada) mostra a medida de uma planta refletindo e absorvendo a radiação solar em diferentes comprimentos de onda e o nível de vegetação no campo, e permite ao agricultor identificar áreas problemáticas das lavouras em diferentes estágios de crescimento da planta […] ou onde as ervas daninhas estão muito próximas da soja.”

Neste mês, a EOS fechou uma parceria com a Epik Systems, empresa de software com sede em Wiscousin, para levar tecnologia de satélite a fazendas que não implantaram agricultura de precisão e monitoramento de carbono para fornecer aos pequenos agricultores dados valiosos em agricultura de precisão e rastreamento, medição e mitigação de GEE (gases de efeito estufa). A tecnologia será implementada inicialmente nos Estados Unidos e no México.

Kevin Hannah, vice-presidente de marketing de produto da Epik, disse que esses pequenos agricultores são desafiados a produzir mais sem acesso às ferramentas de transformação digital necessárias para a sustentabilidade. Segundo Polly, “como uma indústria agrícola e como líderes, precisamos permanecer fortemente comprometidos em melhorar nossa sustentabilidade ambiental, social e econômica se quisermos utilizar a transformação digital para reimaginar o futuro dos alimentos”.

*Jennifer Kite-Powell é colaboradora da Forbes USA e escreve sobre inovação e seus impactos na indústria, meio ambiente, artes, agricultura, mobilidade e saúde.

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