Roberto Rodrigues: O que significa para o Brasil entrar na OCDE?

Entrada no seleto grupo representaria uma vitória da diplomacia do país que há anos trabalha nesse sentido.

Roberto Rodrigues
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Charles Platiau/Reuters
Charles Platiau/Reuters

Sede da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico em Paris

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No dia 24 de janeiro deste ano, o Brasil recebeu o convite formal da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) para iniciar as discussões tendo em vista sua entrada nesse seleto grupo de países, hoje em número de 37, considerados os mais ricos do mundo. Foi um fato importante, e representa uma vitória da nossa diplomacia brasileira, visto que essa era uma demanda já antiga do governo.

Por que é importante? Para ser aceito nessa “comunidade” elitista, um país precisa tomar a decisão de se adequar a um conjunto de 253 regras ou princípios estabelecidos pela Instituição. Um verdadeiro vestibular superexigente e dificílimo, que passa por cuidar de temas relevantes como democracia, governança, corrupção, liberdade de imprensa, direitos humanos, justiça eficiente, desigualdade socioeconômica, sustentabilidade, abertura comercial e mais duas centenas de outros.

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Para este certame também foram convidados mais cinco países: Argentina, Peru, Bulgária, Romênia e Croácia. Claro que não temos que nos preocupar com o que cada um deles fará para conseguir a entrada no “clube”, e sim tratar de entender cada compromisso demandado e avaliar os custos e as vantagens de nos alinharmos a eles. Ser membro da OCDE representa um upgrade em termos de imagem e reputação, gerando mais respeito global.

E um país com boa reputação terá mais condição de receber investimentos externos geradores de empregos, riqueza e renda, será considerado um bom parceiro comercial, abrindo espaço para firmar acordos bi ou multilaterais que aumentem o comércio internacional do país, hoje impactado negativamente por causa de aumento do desmatamento ilegal, grilagem de terras, incêndios criminosos, alguns dos pontos centrais que teremos que resolver.

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Portanto, o convite recebido é um ótimo avanço, mas não há garantia nenhuma de que já estamos aceitos como membros da OCDE. A adequação a todos os valores requeridos terá custos, exigirá reformas profundas e complexas, que demorarão anos para serem cumpridas. Não menos de três anos, e talvez mais de cinco. Isso significa que é até possível que nem mesmo o próximo governo, a ser empossado em janeiro de 2023, consiga o alvará para se associar à OCDE. Mas vamos avançando e já estamos acertados em uma centena dos princípios, ponto a nosso favor.

E temos que aproveitar o ano eleitoral. Os candidatos para Executivo e Legislativo devem manifestar claramente seu interesse de seguir em frente com as necessárias reformas e ações que tragam segurança política e jurídica determinantes para o sucesso ao final dos entendimentos que se abrirão a partir do convite de agora. É preciso trabalhar com afinco para acabar com ilegalidades de todo tipo e buscar o desenvolvimento equilibrado da nação brasileira. Fazer parte da OCDE será fruto de um compromisso extraordinário de todos os brasileiros com o progresso econômico, social, político e sustentável da nação.

Roberto Rodrigues é engenheiro agrônomo, agricultor, coordenador do Centro de Agronegócio da FGV e embaixador especial da FAO para Cooperativas. Participa de diversos conselhos empresariais, institucionais e acadêmicos.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

Artigo publicado na edição 94, de fevereiro de 2022.

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