A Comissão Especial da Câmara dos Deputados deve votar, até quinta-feira (28), o parecer da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho no Brasil. O texto prevê a adoção do modelo 5×2 (com cinco dias de trabalho e dois de folga) e estabelece uma transição de um ano para reduzir a jornada máxima semanal das atuais 44 horas para 40 horas.
Embora dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) apontem que a jornada média efetivamente trabalhada no Brasil tenha sido de 39,8 horas semanais em 2024, a distribuição desse tempo é desigual. Segundo levantamento de 2026 do Ministério do Trabalho e Emprego, 33,2% dos empregos formais no país operam na escala 6×1, enquanto os demais 66,8% já cumprem até 40 horas semanais no modelo 5×2.
Redução da jornada e o futuro do trabalho
Enquanto o fim da escala 6×1 segue em pauta no Brasil, algumas das maiores economias do mundo já miram modelos ainda mais enxutos. Na Alemanha, um teste da semana de quatro dias conduzido ao longo de 2024 resultou na adoção definitiva do formato por 73% das empresas participantes. O estudo apontou a manutenção da receita das companhias em menos tempo de trabalho, com maior produtividade e melhores índices de saúde e bem-estar.
Pesquisas correlacionam avanços tecnológicos a ganhos de eficiência operacional, permitindo que as empresas reduzam o tempo de trabalho de seus funcionários sem perder competitividade. Um levantamento de 2017 do McKinsey Global Institute, por exemplo, já mostrava que as empresas conseguiam melhorar a eficiência com a automação de tarefas repetitivas e a análise de grandes volumes de dados.
Não por acaso, os países com as menores jornadas de trabalho também estão no topo dos rankings de qualidade de vida e equilíbrio profissional. Uma das referências globais para monitorar esses indicadores é a OCDE, que reúne 38 das nações mais desenvolvidas do mundo e calcula a “média de horas habitualmente trabalhadas no emprego principal”.
Confira, a seguir, os países da OCDE que registram as menores jornadas médias semanais.
As menores jornadas de trabalho do mundo
- Holanda: 30,3 horas
- Dinamarca: 32,8 horas
- Alemanha: 34,2 horas
- Noruega: 34,4 horas
- Áustria: 34,8 horas
- Bélgica: 34,9 horas
- Irlanda: 35,1 horas
- Finlândia: 35,4 horas
- Austrália: 35,6 horas
- Suíça: 35,8 horas