Empresa quer revolucionar como alimentos são embalados

Conheça a história da Footprint, que já teve apoio de companhias como Unilever, Nestlé e Tyson Foods

Jim Vinoski
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Reprodução/Forbes
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A Footprint, empresa que desenvolve embalagens sustentáveis para alimentos, já teve apoio de companhias como Unilever, Nestlé e Tyson Foods

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Há um detalhe fascinante na história de como surgiu a Footprint, uma fabricante de soluções de embalagens à base de fibra com sede em Gilbert, Arizona, fundada em 2014 com o objetivo de criar alternativas para embalagens de alimentos à base de plástico. O impulso para essa meta, no entanto, não veio dos negócios de alimentos e bebidas ou do mundo das embalagens, mas da indústria de microchips. “Passei 15 anos na Intel”, diz Troy Swope, cofundador e CEO da Footprint. “Isso é importante para esta história. Temos mais de 100 engenheiros, e o núcleo desse grupo é da Intel. É fundamental para quem somos – não somos da indústria que estamos alterando. Nós meio que tropeçamos na liberação de plástico em wafers [componente utilizado em chips de computador], e isso nos levou à necessidade de tirar o plástico dos alimentos.”

A empresa cresceu substancialmente de seus dois primeiros funcionários, os fundadores Swope e seu colega de engenharia da Intel Yoke Chung, agora CTO da Footprint, para mais de 2.600 pessoas em tempo integral hoje. A Footprint temlocais que incluem sua sede no Arizona, centro de P&D (pesquisa e desenvolvimento) e fábrica, uma sede europeia de P&D em Eindhoven, Holanda, e um segundo local de fabricação em Mexicali, México. Esse crescimento foi apoiado por negócios de grandes nomes como Unilever, Tyson Foods, Procter and Gamble, Nestlé, Quaker Oats e Conagra. A empresa teve um forte começo em 2022, com receita no primeiro trimestre 133% maior em relação ao ano anterior e receita a caminho de atingir a meta de 2022 da empresa, no valor de US$ 135 milhões (R$ 701 milhões).

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Os fundadores sabiam, quando estavam apenas começando, que teriam muito trabalho para competir no mundo difícil das embalagens de CPG (Bens de Consumo Embalados). “O plástico faz um ótimo trabalho mantendo os alimentos seguros e é barato”, disse Swope. “Sabíamos que teríamos que entrar e competir com o plástico imediatamente. Também sabíamos de antemão que, se essa coisa representasse um produto premium, não teria um grande impacto no mundo.”

Eles analisaram vários materiais antes de se decidirem por suas atuais soluções de fibra à base de plantas. “No início, analisamos os PHAs [polihidroxialcanoatos, ou bioplásticos compostáveis]”, explicou Swope. “Ainda estamos olhando para as algas, mas tem muita água. Descobrimos que o uso de caixas recicladas como matéria-prima significava uma enorme vantagem ambiental.” As soluções atuais da Footprint incluem o uso de caixas de papelão ondulado recicladas, bem como fibra virgem de várias fontes, e todos os materiais produzidos são projetados especificamente para serem reciclados ou compostados.

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Uma das primeiras vitórias da Footprint veio em 2017. “Trabalhamos com a Conagra em seus negócios de congelados”, disse Swope. Isso resultou na adoção da tigela de fibra moldada à base de plantas da Footprint para a linha de refeições Healthy Choice Power Bowls da Conagra. “Agora a Conagra tem um negócio de alimentos congelados muito forte e em crescimento. Os consumidores não querem plásticos de micro-ondas – especialmente os consumidores da geração Y e da geração Z”.

Parte da vitória estava nessa competitividade de preços que os fundadores identificaram desde o início. “Quando começamos, nosso material custava cinco centavos a mais em relação ao plástico”, disse Swope. “Agora temos preços competitivos em comparação com o plástico, com a oportunidade de reduzir custos, pois o preço do plástico continua subindo.”

Swope vê outras grandes vantagens a favor da empresa no futuro. “Agora temos mais de 3.000 aspectos de nossos negócios sob patente ou com patentes solicitadas, incluindo nossos materiais e processos”, disse ele. “Nossa fabricação também é uma vitória. Temos cerca de 167 mil metros quadrados de espaço e centenas de linhas instaladas. Temos encomendado 200 linhas por vez. Estamos perseguindo uma carteira de pedidos significativa e isso deve continuar nos próximos dez anos.”

Mesmo a difícil situação econômica de hoje pode ser uma vantagem para a Footprint. “Em uma economia desafiadora, empresas como a Conagra se saem bem, pois as pessoas comem mais alimentos básicos em casa”, disse Swope. Mas isso também representa o maior obstáculo da empresa. “Sabemos que nossa demanda crescerá e devemos acelerar o que estamos fazendo para atender a essa demanda. Será um imenso desafio, mas somos obcecados pelos clientes e estamos comprometidos em atender às necessidades deles. Estamos no processo de tornar a Footprint pública, o que nos permitirá levantar o capital de que precisamos para escalar rapidamente nossos negócios e atender à demanda dos clientes.”

Ainda assim, é exatamente o que os dois fundadores buscavam quando começaram a coisa toda. “Temos a capacidade de pegar produtos de resíduos agrícolas e convertê-los em substitutos de plásticos”, disse Swope. “Onde estamos dominando completamente o espaço agora é no supermercado para maior vida útil. Temos oportunidades no McDonald’s e no Starbucks também. E temos a tecnologia para suportar a maior parte do supermercado.” Os recipientes atuais da Footprint suportam alimentos congelados, produtos alimentícios de serviço rápido e alimentos prontos para consumo. Eles também fazem copos e tampas, bandejas de supermercado e copos de prateleira.

“Esperamos ser reconhecidos como uma das empresas mais positivas do mercado”, continuou ele. “Há apenas uma recicladora de polipropileno nos EUA. O alumínio é apontado como um substituto, mas usa uma enorme quantidade de energia para a produção. Estamos tirando plásticos de nossos corpos e eliminando plásticos de uso único.”

Eles também não têm intenção de parar apenas com seus mercados atuais. “Estamos construindo uma fábrica na Polônia agora”, acrescentou Swope. “Esperamos fechar um segundo local na Polônia neste verão. E nós estaremos no Canadá em seguida.”

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