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CNA Pede Investigação de Varejistas da França por Boicote À Carne Brasileira

A entidade pediu que a Comissão Europeia investigue as consequências das manifestações infundadas do Carrefour e de outros varejistas franceses

5 min

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), principal entidade de representação dos produtores rurais brasileiros, apresentou uma petição junto à Comissão Europeia para que o órgão investigue os varejistas franceses que deram declarações contra a carne brasileira e pediram boicote aos produtos vindos do Brasil e dos países do Mercosul em novembro do ano passado. O pedido foi feito nesta terça-feira (27), em Bruxelas, na Bélgica.

No documento em defesa dos produtores rurais, da carne do Brasil e do sistema sanitário brasileiro, a CNA pede que a Comissão Europeia investigue as consequências das manifestações infundadas do Carrefour, Les Mousquetairs, E. Leclerc e Coopérativve U contra a carne do Brasil e de outros países do Mercosul.

A entidade alega que os anúncios coordenados dos varejistas franceses, que controlam 75% do mercado no país, atacaram os produtos do Brasil e do Mercosul, e levantaram preocupações infundadas sobre a qualidade e a segurança da carne brasileira, mesmo que toda carne importada pela União Europeia (UE) cumpra integralmente os padrões europeus de segurança alimentar.

Na petição, a CNA solicita a abertura pela Comissão Europeia de uma “investigação formal” sobre as práticas dos grupos de varejo da França e pede ainda o fim de boicotes, retratações de alegações depreciativas contra os produtos do Mercosul e a imposição de uma multa aos grupos de varejo que seja proporcional às infrações constatadas.

Para Gedeão Pereira, vice-presidente de relações internacionais da CNA, o Brasil precisa estar cada vez mais presente nos mercados internacionais, oferecendo produtos de alta qualidade — uma característica reconhecida da agropecuária brasileira. “Temos um produto de qualidade e continuamos mantendo esse padrão. Estamos confiantes e na expectativa de que a Comissão, dentro dos regulamentos comerciais que regem o mercado europeu, tome as medidas cabíveis”, disse em nota.

Além dele, Tereza Cristina, senadora e vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Sueme Mori, diretora de RI da CNA, e Marcelo Bertoni, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Mato Grosso do Sul (Famasul), estiveram em Bruxelas para acertar os últimos detalhes da petição encaminhada à Comissão.

“Nós viemos protocolar esse pedido de investigação sobre as quatro empresas francesas que difamaram a carne brasileira”, afirmou Tereza Cristina. “Quem falar mal da nossa carne vai responder por isso”, completou.

Bertoni afirmou que “não aceitamos mais episódios como o que ocorreu com o Carrefour e outras redes varejistas. Então, viemos protocolar na Comissão Europeia a nossa reclamação contra esses ataques à sanidade da carne brasileira”.

Para a CNA, as alegações dos varejistas colocam em risco a reputação dos produtos brasileiros e desencorajam outros varejistas e consumidores a adquiri-los. “Os varejistas declararam explicitamente que boicotariam a carne proveniente dos países do Mercosul, o que representa risco ao acesso dos fornecedores de carne do Brasil e de outros países do bloco ao mercado da União Europeia”.

No documento reuniu as declarações públicas feitas pelas lideranças dos supermercados franceses, no qual pedem engajamento no boicote por todo setor agroalimentar, indo além das cadeias varejistas. “A CNA tem preocupações legítimas de que essas ações coordenadas dos varejistas franceses para exclusão dos fornecedores do Brasil e do Mercosul violem as regras de concorrência da União Europeia”.

Ainda no documento, a entidade considera que os varejistas agiram em oposição ao Acordo Mercosul-União Europeia, minando o papel da Comissão Europeia como única negociadora e representante dos interesses da UE.

A Confederação lembra que o Brasil é líder global na produção e exportação de commodities agrícolas, especialmente carne bovina, suína e de aves. E que a UE é um mercado estratégico devido ao alto poder de compra dos consumidores e ao seu papel de referência regulatória que influencia outros mercados globais.

“A CNA conclama a Comissão Europeia a investigar a conduta dos varejistas franceses e assegurar que suas ações não comprometam os esforços conjuntos da União Europeia e dos países do Mercosul para a criação de um mercado mais aberto e competitivo”.

Histórico

Em novembro do ano passado, Alexandre Bompard, presidente do Carrefour, publicou uma declaração em uma rede social em que colocava em dúvida a sanidade das carnes produzidas nos países do Mercosul que, segundo ele, não atenderiam “às exigências e normas” da França, e prometeu que os supermercados da rede não venderiam mais o produto. Outras redes varejistas francesas foram na mesma linha.

A reação dos grupos da França ocorreu quando haviam sido intensificadas as discussões para o acordo de livre comércio entre o Mercosul e no qual a UE e os produtores franceses faziam pressão com medo de perder mercado. Em dezembro, as negociações entre os dois blocos foram concluídas.

A CNA, as Federações de agricultura e pecuária dos Estados, entidades, as Frentes Parlamentares ligadas ao setor, políticos e autoridades reagiram imediatamente repudiando as declarações infundadas.

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