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US$ 34,5 bilhões: 2025 Já É o Terceiro Melhor Ano em Aportes de Agrodólares na Argentina

Segundo a Bolsa de Comércio de Rosário (BCR), o acúmulo de divisas pelo complexo agroexportador está entre os maiores para os primeiras 10 meses do ano

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Durante os primeiros dez meses de 2025, o setor agropecuário argentino consolidou-se como um dos protagonistas no ingresso de divisas externas, registrando o terceiro melhor ano da história nesse tipo de contribuição, com um total de US$ 34,5 bilhões (R$ 200 bilhões na cotação atual). O bom desempenho foi impulsionado tanto por operações antecipadas quanto por um ambiente externo complexo, que aumentou a atenção sobre o campo como fonte de dólares novos.

De acordo com o relatório da BCR, o acúmulo de divisas do complexo agroexportador superou os resultados de exercícios anteriores entre janeiro e outubro, alcançando níveis que só foram superados em dois anos recentes (2021 e 2022).

O volume reflete, em grande parte, liquidações antecipadas motivadas por mudanças normativas temporárias e por um cenário cambial que gerou urgência em certas decisões do setor.

Outro fator determinante foi o forte fechamento de safra de alguns cultivos de inverno, em especial o trigo, que gera expectativas de uma colheita que pode ultrapassar 24 milhões de toneladas.

No entanto, esse potencial ainda depende de condições climáticas favoráveis e da ausência de gargalos logísticos ou regulatórios que possam limitar sua concretização.

Por um lado, o fato de que as retenções (impostos sobre exportações) chegaram a zero durante certo período, como parte de uma estratégia do governo para ampliar a oferta de dólares, incentivou o setor a acelerar as liquidações.

Em setembro, foi registrado um pico histórico no regime de exportações do agro, com liquidação mensal próxima de US$ 7 bilhões (R$ 40,6 bilhões), valor mais de três vezes superior à média histórica para esse mês.

De toda forma, a trajetória até o fim do ano aponta um cenário mais moderado em termos de novos ingressos. Analistas estimam que, no último bimestre, os valores deverão ser relativamente limitados: entre US$ 300 milhões (R$ 1,7 bilhão) e US$ 1 bilhão (R$ 5,8 bilhões) por mês, dependendo do ritmo dos embarques e das liquidações pendentes — claramente abaixo da média histórica trimestral de cerca de US$ 1,5 bilhão (R$ 8,7 bilhões) mensais.

A diferença mostra que boa parte da demanda já foi atendida por antecipações e que os espaços de manobra estão mais estreitos.

Nesse contexto, o tipo de câmbio oficial ganha relevância. O dólar operava cerca de 2% abaixo do teto da faixa de intervenção no momento do estudo, o que aumenta o foco sobre o agronegócio como fonte de divisas para estabilizar o cenário cambial.

Em paralelo, a BCR também analisa como a produção e as exportações de grãos da Argentina mantiveram desempenho relevante, mas com sinais de moderação. Embora os volumes sigam altos, a taxa de crescimento global das exportações mundiais dos produtos em que a Argentina é competitiva avança em ritmo mais lento do que na década anterior.

Nesse cenário, a estimativa é que ainda faltem ingressar cerca de US$ 4 bilhões (R$ 23,2 bilhões) para atingir o total projetado para o ano, o que indica que a maior parte já está encaminhada e o restante depende da concretização de novas vendas, e não apenas da liquidação de antecipações.

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