1. Início
  2. /
  3. Forbes Agro
  4. /
  5. USDA Eleva Projeção da Safra Brasileira de Soja e Pressiona Preços em Chicago
Forbes Agro

USDA Eleva Projeção da Safra Brasileira de Soja e Pressiona Preços em Chicago

Clima favorece produção no Brasil, estoques globais crescem, preços recuam e mercado monitora comércio com a China, acordo Mercosul-UE e efeitos regulatórios e geopolíticos

3 min

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou para cima sua projeção para a safra brasileira de soja 2025/26, para 178 milhões de toneladas, ante 175 milhões de toneladas na comparação mensal, sustentada por condições climáticas favoráveis tanto no Centro-Oeste quanto no Sul, que elevaram as expectativas de produtividade.

Esse cenário mais construtivo de oferta aumentou a relação estoque/uso global em 40 pontos-base na comparação mensal, pressionando os preços da soja em Chicago, que atualmente operam em torno de US$ 10,5 por bushel (R$ 52,50, considerando câmbio médio de R$ 5,00 por dólar).

Segundo o Agri Monitor, do Itaú Unibanco, no milho, revisões positivas acima do esperado na produção dos Estados Unidos e da China levaram a um aumento de 4,2% na comparação mensal dos estoques globais, resultando em queda de 6% nos preços ao longo da semana.

Em contraste, os preços do algodão reagiram de forma positiva, impulsionados principalmente pela revisão para baixo das estimativas de produção da Índia, combinada com maior consumo projetado na China, o que levou a uma redução de 2% na comparação mensal dos estoques globais esperados.

Apesar dessas revisões de curto prazo, a perspectiva estrutural para os grãos permanece inalterada, sugerindo a continuidade de um ambiente de preços comprimidos das commodities.

Pressão geopolítica na safra

Além disso, conflitos geopolíticos recentes podem pressionar os preços da ureia e aumentar os riscos associados a possíveis desdobramentos tarifários nos Estados Unidos, o que pode afetar negativamente a dinâmica de margens dos produtores daqui para frente.

Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC), as exportações brasileiras de soja para a China podem cair 10 milhões de toneladas na comparação anual em 2026, refletindo uma normalização nas relações comerciais entre Estados Unidos e China, o que tende a redirecionar os embarques para outros destinos.

No lado positivo, avanços recentes em torno do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul podem sustentar uma demanda mais forte pela soja brasileira, embora persistam incertezas relacionadas à implementação do Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR), prevista para o fim de 2026.

Além disso, o acordo pode incentivar o setor agroindustrial brasileiro ao elevar a demanda por produtos de maior valor agregado, como farelo e óleo de soja, reforçando o posicionamento da 3tentos para se beneficiar da tendência de descarbonização.

No segmento de esmagamento de soja, as margens melhoraram na comparação trimestral no quarto trimestre de 2025, impulsionadas principalmente pela recuperação dos preços do farelo de soja, enquanto os preços do biodiesel permaneceram resilientes.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.