Especial ESG: Marfrig

Atuando em um dos setores mais visados pela sociedade, a empresa se estrutura para dar respostas assertivas a um mercado que exige transparência.

Vera Ondei
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Miguel Gularte, CEO Marfrig

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No fim de maio, uma das principais notícias que circulavam no meio financeiro era a compra de 24,3% dos papéis da BRF, principal companhia de processamento de aves e suínos do país, pela Marfrig, uma das maiores em carne bovina da América do Sul e líder global na produção de hambúrgueres (222 mil toneladas anuais). De apetite variado, a Marfrig, que em 2020 faturou R$ 67,5 bilhões, 35,3% acima do ano anterior, vem mostrando em qual direção caminha e como estrutura sua base para dar respostas sobre um dos temas mais cobrados pela sociedade: como ser sustentável e ambientalmente correta, construindo pontes para o futuro. “Quase 70% do que é produzido na América do Sul é destinado ao mercado externo, o que impacta diretamente em nossa relação com a exportação”, diz Miguel Gularte, CEO de Operação América do Sul da Marfrig. “E ESG tem se tornado uma demanda global, com mercados cada vez mais ligados ao tema.”

Embora tenha unidades de processamento nos EUA, Argentina, Chile e Uruguai, com 32 unidades de produção, fora os centros de distribuição e estruturas comerciais, é para o Brasil que os olhos do mundo estão voltados, por nosso potencial em dar respostas à crescente demanda por alimentos. “Produzir e conservar é um desafio, mas que já faz parte da nossa essência”, afirma Gularte. “É a transparência em todos os processos que agrega para a cadeia pecuária e para os consumidores, que estão cada vez mais interessados em um consumo consciente e sustentável.”

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No arcabouço que sustenta as políticas ESG há uma série de iniciativas, parte delas já estruturada e parte em maturação. Uma em que a empresa mais tem colocado esforços é o plano Marfrig Verde Mais, lançado no ano passado com o objetivo de rastrear toda a cadeia de suprimentos para que seja totalmente livre de desmatamento nos biomas Amazônia, até 2025, e Cerrado, até 2030. Outra iniciativa recente e de caráter internacional foi o comprometimento com o Science Based Targets, que mobiliza empresas para desenvolverem metas de redução das emissões GEE (gases de efeito estufa), em linha com o Acordo de Paris. Estão nesse projeto 990 companhias no mundo, coordenadas pelo CDP (Carbon Disclosure Project), Pacto Global das Nações Unidas, WRI (World Resources Institute) e WWF (World Wide Fund for Nature). No caso da Marfrig, o compromisso é reduzir 43% das emissões de Escopos 1 e 2 até 2035, tomando como ano base as emissões de 2019. “Nosso objetivo é trazer cada vez mais iniciativas voltadas para a sustentabilidade no agronegócio”, afirma Gularte.

É preciso também manter alinhamentos anteriores. “Em 2021, a Marfrig vem dando continuidade à sua agenda de sustentabilidade, com o objetivo de fortalecer a parceria com produtores e demais elos da cadeia. Temos trabalhado ao longo dos anos para contribuir com o futuro do ESG de suprimentos.”

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Além de fazer parte do ICO2 (Índice de Carbono Eficiente) da B3, a Marfrig tem suas práticas analisadas e pontuadas em rankings como o da Coller FAIRR Protein Producer Index, iniciativa internacional que reúne investidores e que analisa a atuação das 60 maiores produtoras de proteína; e da CD Disclosure Insight Action, organização que apoia investidores a gerenciar riscos e oportunidades em mudanças climáticas, segurança hídrica e desmatamento. Nesse caso, destaca-se em dois painéis: água e mudanças climáticas. E tem a melhor classificação entre as empresas de carne bovina das Américas em gestão de bem-estar animal no BBFAW 2021 (Business Benchmark on Farm Animal Welfare), o mais importante ranking global nesse tema.

Reportagem publicada na edição 87, lançada em maio de 2021.

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