O papel estratégico dos jovens na criação de tecnologias mais responsáveis

Nativos digitais estão em posição estratégica para serem líderes no domínio da tecnologia e da cultura da internet

Haroldo Rodrigues
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Para os jovens conectados, em todo o mundo, o poder cultural geralmente está na capacidade e na tendência aguçadas de usar plataformas de tecnologia para mudar as conversas

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Nunca antes houve tantos investimentos em ecossistemas de bases tecnológicas que reconhecem os jovens como partes interessadas, interdependentes e parceiros ativos. Os poderes cultural, político e econômico da juventude têm sido apoiados e ampliados para tornar os resultados da tecnologia mais responsáveis, mais equitativos e mais produtivos para o benefício da sociedade e do planeta.

Ora, basta entender o impacto gerado por jovens conectados à internet como uma força poderosa da tecnologia, tanto como um bloco de consumo, quanto como detentores de poder cultural exponencial. No entanto, seu poder não foi ainda suficientemente reconhecido e aproveitado por resultados tecnológicos mais inclusivos e equitativos.

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Assim, o momento é oportuno para expandir a discussão e a compreensão das questões relacionadas à tecnologia em torno das quais os jovens estão se organizando. A construção de uma agenda responsável ajudará a desenvolver a compreensão de quais futuros de tecnologia os jovens desejam ver e quais os obstáculos que eles enfrentam nas organizações em que atuam.

Os investidores privados devem ter clareza se realmente querem apoiar os jovens como líderes, construtores e fabricantes de tecnologia. Caso sim, precisam entender com o que eles se importam e o que os impedem de perceber a mudança pela qual estão trabalhando.

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Há uma perspectiva inicial que deve ser bem posta: reconhecer que a tecnologia tem um impacto diferencial sobre os humanos que dependem dela. Esse impacto varia de acordo com classe socioeconômica, raça, gênero, habilidade, identidade religiosa e idade ou geração. Como em tantas áreas, a tecnologia tem um impacto único sobre os jovens que amadurecem ao lado dela.

Os jovens estão numa posição estratégica para serem líderes no domínio da tecnologia e da cultura da internet. O mundo abalado pela pandemia clama por novos relacionamentos humanos com a tecnologia, além de questionar os negócios tradicionais.

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Os jovens não são apenas nosso futuro e, em alguns casos, líderes em tecnologia. Eles são nossos formuladores de políticas atuais e futuras, líderes da sociedade civil, educadores, designers, CEOs e artistas. Todos herdarão os problemas de hoje e decretarão as soluções de amanhã. E em questões amalgamadas com tecnologia, como política, economia, clima e justiça racial, muitos tendem a exigir mais equidade, pertencimento e responsabilidade.

Para os jovens conectados, em todo o mundo, o poder cultural geralmente está na capacidade e na tendência aguçadas de usar plataformas de tecnologia para mudar as conversas. Os nativos digitais estão conscientes do complexo papel que a tecnologia desempenha em suas vidas pessoal e profissional; eles refletem ativamente, participando e moldando sua própria cultura digital.

No mundo corporativo, o mercado deve perceber que os jovens usam plataformas online para criticar as desigualdades que suas comunidades vivenciam no digital e também alavancar ferramentas tecnológicas para alcançar seus objetivos na organização.

Este é apenas o começo do impacto que será gerado pelos jovens exercendo suas lideranças tecnológicas. À medida que nos aprofundamos nessas questões, outros exemplos de jovens se organizando em torno de uma visão de futuro tecnológico responsável e ético surgirão. O importante é aprender com muitos deles e encontrar maneiras de ampliar – cada vez mais – o seu real papel focado em tecnologia responsável.

Haroldo é Sócio Fundador da investidora in3 New B Capital S. A. Foi professor titular e diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Universidade de Fortaleza e presidente da Fundação de Amparo a Pesquisa do Ceará

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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