Cientistas europeus criam combustível carbono neutro para aviões

Viagens aéreas contribuem em 4% para o aquecimento global, por isso, a ciência busca cada vez mais opções sustentáveis para abastecer as aeronaves

Darreonna Davis
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Sean Gallup/Getty Images
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Swiss Airlines está se preparando para ser a primeira companhia aérea a usar querosene neutro em carbono

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Pesquisadores na Europa dizem ter produzido com sucesso combustível de aviação sintético usando dióxido de carbono, energia solar e água como parte do projeto SUNlight-to-Liquid, da União Europeia , de acordo com a publicação de energia sustentável Joule. A novidade representa um marco na busca por produzir combustíveis de aviação sustentáveis.

Depois que pesquisas de junho de 2021 descobriram que as viagens aéreas contribuem em 4% para o aquecimento global, os cientistas anunciaram que, pela primeira vez, eles foram capazes de produzir combustível de aviação de hidrocarboneto líquido.

Leia mais: Trens podem ser usados para capturar dióxido de carbono no combate ao aquecimento global

Eles fizeram isso usando uma torre de concentração solar com 169 painéis solares, um reator solar e uma unidade de gás para líquido.

Aldo Steinfeld, autor do artigo e professor da ETH Zurich, a universidade por trás da pesquisa, disse que o combustível de aviação é neutro em carbono porque “a quantidade de CO2 (carbono) emitida durante a combustão de querosene em um motor a jato é igual à consumida durante sua produção em usina solar”, o que significa que seu impacto no aquecimento global é compensado.

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Esse experimento comprovou a possibilidade de fazer querosene (combustível de aviação) sem o uso de combustíveis fósseis , que quando queimados podem liberar na atmosfera substâncias químicas responsáveis ​​pela fumaça e pela chuva ácida.

Além das aeronaves, esse combustível neutro em carbono pode ser usado em carros, caminhões e navios.

Atualmente, não se sabe quando esse desenvolvimento estará amplamente disponível.

Contexto

Este experimento e pesquisa foram conduzidos como parte do projeto SUNlight-to-liquid da UE, que visa o avanço da tecnologia de combustível solar. Segundo a UE, o combustível de hidrocarboneto líquido é mais ideal para o setor de transporte devido à sua alta densidade energética. O projeto e seu querosene neutro em carbono ocorrem em um momento em que a UE pretende ser neutra em relação ao clima até 2050 e combater as mudanças climáticas globais para as quais a aviação contribuiu.

Mais recentemente, a socialite americana Kylie Jenner foi alvo de críticas nas redes sociais por supostamente usar um jato particular para viajar menos de 20 minutos.

O anúncio desse feito inovador ocorre no momento em que a Comissão Europeia está aconselhando os moradores a racionar gás. Nesta semana, o Reino Unido viu temperaturas recordes de 39,1 graus celsius, enquanto incêndios florestais foram vistos em toda a Europa em meio a uma onda de calor escaldante. No início deste mês, ondas de calor nos Estados Unidos colocaram 50 milhões de pessoas sob alertas de calor excessivo – o alerta mais grave do Serviço Nacional de Meteorologia – com índices de calor superiores a 43,3 graus. Mesmo com essas temperaturas, um dos locais ideais para o reator solar necessário para fazer esse combustível seria o sudoeste dos Estados Unidos por causa de sua radiação solar, segundo Steinfield.

O experimento foi conduzido no Instituto de Energia IMDEA, em Madrid, Espanha, uma instituição que pesquisa regularmente energia solar e combustíveis sustentáveis.

Para ficar de olho

Steinfield disse que a primeira usina de produção industrial para esse tipo de combustível de aviação será lançada em 2023 pela Synhelion , uma empresa da universidade pública suíça ETH Zurich. A Swiss International Airlines está se preparando para ser a primeira companhia aérea a usar o combustível neutro em carbono e movido a energia solar.

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