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H&M Studio Lança Coleção Inspirada na Arquitetura de São Paulo

Em entrevista exclusiva à Forbes, a designer sueca Ann-Sofie Johansson revelou como o brutalismo paulistano inspirou a nova criação da linha Studio

5 min

Conhecida como “selva de pedra”, São Paulo tem no brutalismo um de seus marcos mais emblemáticos. O estilo, que se afirma pela estética do concreto aparente — o béton brut —, valoriza volumes imponentes, geometrias ousadas e a honestidade estrutural de vigas e canos expostos. Tons sóbrios, como cinza, preto, branco e marrom, reforçam a densidade visual de uma linguagem que também acolhe materiais naturais, como madeira e tijolo, em contraste com a frieza do concreto.

Para os paulistanos, essa paisagem já se tornou parte do cotidiano. Mas foi justamente nela que a H&M encontrou inspiração para marcar sua chegada ao Brasil. Além da abertura da primeira loja no último sábado (23), a marca lança uma coleção cápsula da linha H&M Studio, seu laboratório criativo de design, que traduz o brutalismo paulistano em peças sofisticadas e exclusivas, projetadas para dialogar com consumidores ao redor do mundo.

À frente da direção criativa da Studio, a sueca Ann-Sofie Johansson esteve em São Paulo para apresentar a coleção e conversou com a Forbes sobre as referências arquitetônicas, os desafios do processo e a missão de transformar a estética brutalista em moda contemporânea.

Confira a entrevista a seguir.

Franklin AlmeidaA designer de moda Ann-Sofie conversou com a Forbes sobre o lançamento da coleção

Forbes: O brutalismo é um estilo arquitetônico emblemático de São Paulo, marcado por sua estética crua e funcional. De que forma essa essência foi traduzida para as peças da nova coleção Studio? Quais elementos arquitetônicos serviram de maior inspiração para os designers?

Ann-Sofie: A equipe de design veio a São Paulo em busca de inspiração. Uma das profissionais havia lido um livro sobre Lina Bo Bardi e ficou fascinada pela história dessa mulher que concebeu grandes obras brutalistas. Esse olhar trouxe um contraste instigante, porque falamos muito sobre dualidades: o feminino e o masculino, o concreto brutalista em diálogo com o verde tropical. Há algo muito particular na vegetação de São Paulo, tão vibrante quando comparada à paisagem mais minimalista e fria de Estocolmo.

Visitamos edifícios icônicos e dali surgiram referências não apenas da arquitetura, mas também da arte e da atmosfera da cidade. Esse mergulho resultou em uma coleção que, por um lado, trabalha com tecidos de aspecto cru, acabamentos rústicos e costuras expostas, quase revelando a construção da roupa. É, de certa forma, a brutalidade aplicada ao vestuário.

E, claro, há a influência cromática: o cinza do concreto contrasta com um verde que não é exuberante, mas ainda assim vivo, cheio de movimento. E movimento também nos levou a pensar no Brasil em termos de dança e ritmo — elementos que se infiltraram na coleção.

De que maneira o brutalismo paulistano, tão enraizado na cultura local, foi adaptado para dialogar com um público global e diverso?

O segredo está em transformar essa inspiração em algo que faça sentido universalmente. É assim com todas as nossas coleções: absorvemos, processamos e traduzimos as referências em produtos relevantes, bonitos e bem-feitos.

O brutalismo costuma ser associado a estruturas de concreto e a uma paleta sóbria. No entanto, a coleção traz cores e texturas diversas. Podemos chamá-la de minimalista?

Não exatamente. Algumas peças podem transmitir uma ideia de minimalismo, como um blazer de gola alta ou um casaco mais reto, que lembram uniformes pela simplicidade. Mas as formas, no conjunto, não são minimalistas. A coleção mescla feminilidade e masculinidade com uma casualidade descontraída — peças como jaquetas bomber e leggings aparecem ao lado da alfaiataria. Esse contraste é muito atual: vestir um blazer com calças esportivas ou sobrepor uma jaqueta bomber a um vestido fluido. Esse equilíbrio entre sofisticação e relaxamento é a forma como nos vestimos hoje.

Cortesia da H&MO casaco da coleção

Quais foram os principais desafios e aprendizados ao desenvolver uma coleção inspirada no brutalismo paulistano? Houve surpresas na pesquisa sobre a cidade ou o movimento?

O maior desafio foi trabalhar os acabamentos crus. Até que ponto os clientes entenderiam essa estética como intencional, e não como desgaste? Outro ponto foi a escolha dos tecidos, que exige muitos testes de toque e qualidade. Também desenvolvemos mais peças do que as lançadas, justamente para selecionar as que melhor traduzem o conceito e atendem ao cliente. Dá muito trabalho, mas o resultado é recompensador.

Cortesia da H&MO vestido verde da coleção

A H&M Studio se consolidou como um laboratório criativo dentro da marca. Como esta coleção reforça a missão da Studio de entregar moda sofisticada e consciente?

A inspiração vinda de São Paulo foi o ponto de partida para uma coleção forte e relevante, mas sempre pensamos na cliente — quem ela é, como se veste, o que espera de nós. A Studio funciona quase como uma marca independente dentro da H&M, com um DNA próprio: esse equilíbrio entre o sofisticado e o casual, o “effortless”. Sempre há uma peça que quebra a formalidade, como um moletom ou hoodie.

Mantemos esse DNA, mas buscamos atualizá-lo constantemente. A Studio é nossa coleção mais pessoal e também nosso espaço de experimentação: testamos tecidos, formas e ideias que muitas vezes inspiram outras linhas da H&M. Esse caráter de laboratório é, sem dúvida, um dos maiores ganhos da Studio.

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