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Mother Mesccia: Conheça o Tradicional Rum do Principado de Mônaco

Saiba como o empreendedorismo e o artesanato têm seu espaço nesse universo singular monegasco pouco conhecido

4 min

No luxo que é o Principado de Mônaco, você gostaria de ir ao porto de Fontvieille degustar algumas “Pérolas de Mônaco”, as ostras que se desenvolvem nas águas protegidas do local? Ou experimentar uma cerveja refrescante da Brasserie de Monaco, no Porto Hercule?

Deseja visitar a Destilaria de Mônaco, ver a fabricação de seu licor de laranja, do gin de frutas cítricas, do licor de alfarroba produzido a partir dos frutos da árvore nacional de Mônaco, ou da vodca criada em homenagem à paz na Ucrânia? Conhece os barbajuans, especialidade culinária local, pequenos pastéis recheados com arroz, acelga e parmesão? Todos esses produtos fazem parte do cotidiano dos monegascos, valorizando sua identidade.

Mas na primeira quinzena de setembro, foi no ambiente intimista do Teatro Fort Antoine, logo abaixo do Palácio do Príncipe — onde, nos dias mais amenos, acontecem apresentações de ópera e teatro — que uma reunião aconteceu, na companhia de Sua Alteza Sereníssima, o Príncipe Albert, para uma apresentação incomum: o Mother Mesccia, o rum de Mônaco.

Forbes FrançaGrupo de especialistas do “rum francês”, para mostrar o Mesccia

A presença do príncipe não foi casual. Graças à sua iniciativa, o projeto tomou forma, com a participação de nomes de peso, como Luca Gargano, grande especialista em rum desde sua primeira viagem à Martinica, aos 18 anos, há quase 40 anos. Ele é o diretor da Vélier, uma importante empresa de bebidas espirituosas que adquiriu em 1983 e que hoje fatura mais de 100 milhões de euros (aproximadamente R$ 597 milhões).

Durante a apresentação, com a eloquência característica de um italiano apaixonado pelo tema, Gargano apresentou esse rum branco singular, produzido, segundo ele explicou, a partir de cana-de-açúcar cristalina cultivada em apenas 10 hectares no Haiti.

É nesse país que ocorre a primeira destilação, em pequenos alambiques especialmente projetados, antes de o destilado, com teor alcoólico de 28°, ser importado para Mônaco, onde passa por nova destilação na Destilaria de Mônaco (representada no evento por seu diretor, Philip Culazzo).

O resultado é um álcool branco com teor entre 73% e 80%, reduzido posteriormente para 63%, 55% e 47% antes do engarrafamento. Gargano afirmou, sem hesitar, que este rum está entre os três melhores do mundo.

É nesse ponto que a História se repete. Essa nova produção em Mônaco segue os passos de um passado distante — o século 17 — quando o rum caribenho encontrava os sabores mediterrâneos no porto de Monte Carlo. Os navios genoveses o transportavam e o trocavam por frutas cítricas locais, essenciais à saúde dos marinheiros atingidos pelo escorbuto.

Foi justamente em Mônaco que nasceu o hábito de misturar rum com bebidas alcoólicas europeias como vermute e marsala, dando origem à Mesccia — termo dialetal que significa “mistura”. Essa bebida se tornou parte da cultura monegasca, antes de cair no esquecimento.

Notou-se que Sua Alteza Sereníssima o Príncipe Albert chegou carregando cuidadosamente uma sacola com uma garrafa e, com certa emoção, mostrou o conteúdo: uma garrafa original desse rum datada de 1982, lembrando as tradições locais intimamente ligadas à história de sua família.

Logo depois, os convidados seguiram até a beira-mar, próximo ao famoso solário frequentado por esportistas locais que treinam e nadam ao ar livre, no acolhedor e minúsculo restaurante Malizia Mar. Com algumas especialidades mediterrâneas — entre elas, claro, os barbajuans —, foi possível degustar o rum, de perfil bastante frutado, puro ou em coquetéis, como o Messcia Spritz (9 cl de Mother Mesccia bem gelado, 6 cl de Aperol, 3 cl de água com gás, gelo e uma fatia de laranja).

“Mais do que o simples renascimento de uma bebida, o Mother Mesccia representa a valorização de um patrimônio cultural único. Essa tradição, que fez a fama dos balcões monegascos por décadas, expressa o espírito de inovação e de abertura comercial que caracteriza o Principado há séculos”, afirmou Guy Thomas Levy-Soussan, figura envolvida no projeto e também no complexo Mareterra, onde atua como administrador da Sociedade de Desenvolvimento Monegasca (SAM) L’Anse du Portier, ecoando as palavras do Príncipe Albert.

Esse rum começou a ser vendido recentemente em lojas especializadas e, em breve, chegará à grande distribuição (garrafa de 700 ml, 65 euros — cerca de R$ 388), devendo também figurar nos bares dos grandes hotéis de Mônaco.

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