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Véronique Nichanian Encerra Ciclo na Hermès em Grande Estilo

A diretora criativa ficou por 37 anos no comando da linha masculina da grife francesa

3 min

Véronique Nichanian despediu-se da direção criativa da linha masculina da Hermès com a elegância habitual. Depois de 37 anos entregando roupas sofisticadas, mas sempre funcionais e perfeitamente adaptadas ao estilo de vida de um cliente que ela conhece tão bem, o au revoir de Nichanian não fugiu ao habitual repertório que lhe garantiu o posto tão longevo. “É apenas mais um desfile, uma coleção como outras tantas”, declarou a estilista, modesta, antes da apresentação.

Mas, atenção, apostar na fórmula vencedora não significa oferecer mais do mesmo ou roupas banais. Longe disso. O inverno 2026/27 da grife francesa, um ícone do quiet luxury, é poderoso, com uma variedade riquíssima de jaquetas, casacos e tricôs para enfrentar os dias mais frios com muito estilo.

Véronique Nichanian passará o bastão para a britânica Grace Wales Bonner

Um dos materiais-fetiche das roupas da Hermès é o couro em versão light, tão fino e confortável que ganha espaço na alfaiataria, em camisas, casacos, calças, blazers e costumes, inclusive na luxuosa versão croco. Pairou na coleção um espírito aviador, de perfume retrô, reconhecível nas jaquetas bomber forradas de pele de carneiro tosquiada – o famoso shearling –, os bonés com cobre-orelha e casacos de golas altas, igualmente forradas e fechadas por fivelas. Teve até um macacão inteirinho de couro preto, uma impecável alusão ao uniforme de pilotos. Era natural que a referência se estendesse para o universo militar, com bolsos utilitários aqui e ali nas jaquetas – todas irresistíveis.

Para equilibrar a porção funcional e utilitária da coleção, uma alfaiataria sóbria, com calças confortáveis, de cintura mais alta, dando o toque de modernidade nos costumes. As blusas de gola alta e os tricôs felpudos, de ponto grosso, ganham decorações discretas, como geometrias coloridas ou flores ton sur ton. Ponha tudo no liquidificador, tempere com uma cartela de cores neutra, composta de preto, cinza, marrons e um ou outro ponto aceso em mostarda e coral, e voilà. Está pronta a receita vencedora de Véronique Nichanian, que agora passa o bastão para a britânica Grace Wales Bonner e vai “ter mais tempo para viajar, conhecer outros lugares e fazer coisas diferentes”, segundo ela própria.

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