Tire um minuto para pensar nos momentos em que você se sentiu mais vivo. É bem provável que essas ocasiões tenham envolvido outras pessoas. Talvez uma risada compartilhada, uma conquista em grupo ou simplesmente o sentimento de ser compreendido. Até mesmo a celebração de uma realização se torna maior quando você a compartilha com quem ama e recebe o apoio deles em troca.
A conexão é uma necessidade humana básica. Do ponto de vista evolutivo, nossa capacidade de prosperar sempre dependeu de pertencer a uma comunidade. Apesar disso, hoje existe um foco acentuado em realizações e no sucesso individual.
Na minha entrevista com a pesquisadora Taylor West, ela me explicou: “Até interações casuais e ordinárias com pessoas que não conhecemos importam para o nosso bem-estar. Essas interações aparentemente mundanas, no dia a dia, são justamente o que nos faz sentir parte da sociedade e nos dá um senso de pertencimento.”
No entanto, na correria da vida, é fácil subestimar o quanto essas pequenas conexões moldam nosso senso de pertencimento. Priorizar apenas a produtividade ou metas individuais pode colocar você em risco de se desconectar justamente do tecido que sustenta seu bem-estar mental e emocional.
É inegável que focar em seus objetivos traz um certo grau de liberdade e oportunidades. Em uma sociedade onde a maioria das pessoas associa fortemente sua identidade à vida profissional, é natural que surja um senso de competição.
Porém, pesquisas mostram que pessoas que valorizam relacionamentos sociais igualitários, ou seja, priorizam a igualdade e a harmonia do grupo, tendem a se sentir menos solitárias.
Em contrapartida, aqueles que valorizam conquistas individuais junto com hierarquia e competição apresentam níveis mais altos de solidão. O estudo ressalta a importância de intencionalmente focar em construir conexões e integrar-se a grupos diversos.
Isso pode significar participar de diferentes grupos que atendam a necessidades distintas.
Um estudo de 2023, publicado na Personality and Social Psychology Bulletin, reforça essa hipótese. Os pesquisadores descobriram que pessoas que participavam de uma mistura diversificada de grupos relatavam maior bem-estar. Esses grupos iam desde comunidades criativas e baseadas em habilidades até círculos sociais.
Esse efeito se deu pelo aumento da autoconfiança criativa e pela redução da solidão. Como parte da mesma pesquisa, foi realizado um estudo longitudinal maior, com mais de 5.800 adultos no Reino Unido. Ele confirmou que a diversidade de tipos de grupos prevê maior bem-estar, efeito observado até quatro anos depois.
Portanto, se você deseja melhorar seu bem-estar e construir conexões duradouras, aqui estão três tipos de grupos que deveria considerar.
1. Grupos Criativos ou Baseados em Habilidades
A essência da criatividade está em enxergar problemas sob novas perspectivas. Uma mente criativa em ação gera múltiplas soluções e conecta ideias de maneiras inéditas.
A criatividade também fortalece sua capacidade de se adaptar a mudanças, porque seu pensamento se abre para acomodar os outros. Em resumo, explorar seu lado criativo traz diversos benefícios à saúde mental, muitos ainda desconhecidos.
Um estudo de 2024, por exemplo, mostrou que ter confiança em suas habilidades criativas pode melhorar o bem-estar mental tanto a curto quanto a longo prazo. Desenvolver essa confiança também aumenta sua resiliência mental.
Outra pesquisa, da revista Thinking Skills and Creativity, indicou que atividades criativas impulsionam emoções positivas. Participantes relataram que, ao se engajar nessas tarefas, puderam se expressar livremente e sentir mais controle. Assim, mesmo que você esteja apenas tricotando um gorro no encontro semanal do clube, nos bastidores está reforçando sua autonomia, o que desencadeia uma onda de efeitos positivos.
Os benefícios não param no nível individual. Um estudo com 231 universitários trabalhando em equipes mostrou que grupos com variedade de habilidades criativas produziam resultados mais inovadores. Já o talento individual somado dos membros, isoladamente, não apresentou o mesmo efeito.
Além disso, a colaboração entre os membros potencializou ainda mais os resultados. Isso mostra que a exposição a perspectivas diversas e a solução coletiva de problemas são cruciais para maximizar a criatividade.
Portanto, participar de grupos criativos ou baseados em habilidades abre espaço para novas visões, ampliando sua perspectiva e impactando também os outros. Criar em comunidade expande o modo como você cresce como pessoa e como artista. E, como bônus, você aprende algo novo enquanto se conecta.
2. Grupos de Voluntariado
Ajudar os outros melhora não apenas o seu bem-estar, mas também o de quem recebe a ajuda. Um estudo de 2025 buscou entender como o voluntariado contribui para a conexão social e para o bem-estar, analisando experiências reais de voluntários.
O estudo revelou dois pontos principais. Primeiro, participar de atividades voluntárias permite criar novos relacionamentos e assumir papéis significativos nas comunidades. Esses grupos possibilitam a expressão pessoal e desenvolvem empatia.
Segundo, o voluntariado cria espaços de confiança em torno de atividades coletivas. Em outras palavras, ajudar os outros em equipe gera emoções positivas compartilhadas, o que fortalece sua autoestima. Fazer parte de um grupo amplifica esses efeitos, pois há apoio mútuo e senso de responsabilidade comum.
É importante destacar que o bem-estar pessoal não deve ser o objetivo principal do voluntariado. O foco deve permanecer em apoiar os outros genuinamente; os benefícios emocionais e mentais virão como consequência.
De modo geral, o voluntariado tem o poder de transformar você em um ser humano melhor, cultivando paciência e compaixão por meio do contato com perspectivas e experiências de vida diversas.
3. Grupos Baseados na Fé
Grupos de fé oferecem algo singularmente poderoso. Seus membros frequentemente relatam sentir um senso de significado que vai além do individual. Essas comunidades proporcionam uma dimensão de pertencimento e unidade ao promover a transcendência, a sensação de fazer parte de algo maior que a própria vida.
Vale ressaltar que esses grupos não precisam ser necessariamente religiosos. Podem ser comunidades com práticas espirituais compartilhadas, como meditação ou oração. Para muitos, essa conexão mais profunda fortalece a resiliência e reduz o estresse, criando uma base duradoura de esperança e propósito.
Um estudo de 2022, publicado no Journal of International Humanitarian Action, analisou o papel dessas comunidades durante a pandemia de COVID-19. Os autores usaram dados da World Vision International, coletados em 70 países, para investigar como grupos de fé responderam à ansiedade, ao medo e ao isolamento social causados pelo período.
Os resultados mostraram que essas comunidades tiveram um papel importante no suporte psicossocial. Elas forneceram cuidado espiritual aliado a apoio prático e emocional.
As descobertas ressaltam que grupos de fé ajudam as pessoas a lidar com a incerteza, uma vulnerabilidade central da condição humana e ainda funcionam como forças unificadoras em tempos de crise.
Seja em uma igreja local ou em um grupo de estudos espirituais, esses espaços oferecem encorajamento, acolhimento e apoio mútuo. Com o tempo, fazer parte deles pode ajudá-lo a enfrentar os desafios da vida com mais resiliência.
Por que os Grupos Podem Ajudar Você a Prosperar
Focar em si mesmo e em seus objetivos é importante, mas igualmente essencial é lembrar que o bem-estar não existe isolado. A conexão não é apenas um luxo social: é uma fundação que sustenta seu crescimento e resiliência.
Ao fortalecer suas conexões em grupos, você também amplia sua capacidade de enfrentar desafios e manter clareza mental. Esses benefícios se estendem para todas as áreas da vida, refletindo-se em relações pessoais, familiares e profissionais.
Quanto mais você interage com grupos diversos, mais aprende a praticar empatia e colaboração — o que ajuda a manter a calma em relacionamentos próximos. A confiança, a visão ampliada e as habilidades de resolução de problemas adquiridas em grupos se refletem em outros contextos.
No fim, o crescimento e o apoio que você vivencia em um grupo repercutem em toda sua vida social.
Por isso, mesmo nos dias mais corridos, faça um esforço consciente para se envolver em grupos e conexões. Talvez não dê para fazer isso diariamente, mas reservar um tempo semanal já pode transformar seu bem-estar.
*Mark Travers é colaborador da Forbes USA. Ele é um psicólogo americano formado pela Cornell University e pela University of Colorado em Boulder.