Os Estados Unidos atacaram a Venezuela durante a noite e capturaram seu presidente de longa data, Nicolás Maduro, afirmou o presidente Donald Trump neste sábado, após meses de pressão sobre ele por acusações de tráfico de drogas e ilegitimidade no poder.
Washington não faz uma intervenção tão direta na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989 para depor o líder militar Manuel Noriega devido a alegações semelhantes.
“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi, juntamente com sua esposa, capturado e levado para fora do país”, disse Trump em uma postagem no Truth Social.
Os EUA acusam Maduro de administrar um “narcoestado” e de fraudar a eleição de 2024, que a oposição disse ter vencido de forma esmagadora. O líder venezuelano, que sucedeu Hugo Chávez e assumiu o poder em 2013, tem dito que Washington quer assumir o controle das reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo.
Trump disse que a operação foi realizada “em conjunto com as forças de aplicação da lei dos EUA” e prometeu mais detalhes em uma entrevista coletiva às 13h (horário de Brasília) em seu resort Mar-a-Lago, na Flórida.
O vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, disse que o presidente venezuelano Nicolás Maduro, que foi capturado pelas forças especiais dos EUA no início do sábado, “finalmente enfrentará a justiça por seus crimes”.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse que o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores é desconhecido após ataque aéreo dos EUA no país sul-americano.
Ela exigiu provas de vida tanto para Maduro quanto para Flores, de acordo com um áudio transmitido pela televisão estatal no sábado.
“Diante dessa situação brutal e desse ataque brutal, não sabemos o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Exigimos do governo do presidente Donald Trump provas de vida imediatas do presidente Maduro e da primeira-dama”, afirmou.
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, mostrou-se desafiador. “A Venezuela livre, independente e soberana rejeita com toda a força de sua história libertária a presença dessas tropas estrangeiras, que só deixaram para trás morte, dor e destruição”, disse Padrino em um vídeo transmitido pela mídia estatal quase ao mesmo tempo em que Trump postou sua mensagem.
“Hoje cerramos o punho em defesa do que é nosso. Vamos nos unir, pois na unidade do povo encontraremos a força para resistir e triunfar.”
Embora vários governos latino-americanos se oponham a Maduro e digam que ele fraudou a eleição de 2024, a ação direta dos EUA reaviva lembranças dolorosas de intervenções passadas e, em geral, tem forte oposição dos governos e das populações da região.
A oposição venezuelana, liderada pela recente ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, disse em uma declaração no X que não tinha nenhum comentário oficial sobre os eventos.
Na madrugada de sábado, explosões sacudiram a capital da Venezuela, Caracas, e outros locais, levando o governo de Maduro a declarar emergência nacional e mobilizar tropas. Houve relatos de que ataques também ocorreram nos Estados de Miranda, Aragua e La Guaira.
Explosões, aeronaves e fumaça preta puderam ser vistas em Caracas a partir das 2h da manhã (3h de Brasília) por cerca de 90 minutos, de acordo com testemunhas da Reuters e imagens que circularam nas redes sociais.
A Rússia estava profundamente preocupada e condenou um “ato de agressão armada” contra a Venezuela cometido pelos Estados Unidos, disse o Ministério das Relações Exteriores da Rússia neste sábado. “Na situação atual, é importante… evitar uma nova escalada e se concentrar em encontrar uma saída para a situação por meio do diálogo”, afirmou o ministério em um comunicado.