Bom dia. Estamos na segunda-feira, 16 de março.
Cenários
O conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã entrou em sua terceira semana. E os investidores continuam preocupados com a dificuldade em chegar a uma solução que normalize o fornecimento de petróleo por meio do Golfo Pérsico. A passagem de navios continua sendo impedida pelo Irã, o que justifica a manutenção dos preços do petróleo acima de US$ 100.
Na manhã da segunda-feira, os contratos futuros com vencimento em abril do petróleo do tipo Brent, referência para o mercado internacional e para a Petrobras, estavam em alta de 1,25% negociados a US$ 104,40, após terem chegado a US$ 106 durante a madrugada. Para comparar, o petróleo era negociado a US$ 70 por barril em fevereiro, o que representa uma alta de 48%.
O que mais preocupa os investidores é o impacto que esse aumento do petróleo sobre os índices de inflação. Na sexta-feira (13) foi divulgado o Personal Consumption Expenditure (PCE) de janeiro, mostrando uma inflação acumulada de 3,1% em 12 meses considerando-se o núcleo do índice, que exclui os preços mais voláteis dos alimentos e da energia.
Apesar de estar em linha com as expectativas, o resultado está muito acima da meta de 2,0%, o que dificulta a redução de juros pelo Federal Reserve (FED), o banco central dos Estados Unidos. Haverá reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e de sua versão americana, o Federal Open Market Committee (Fomc). Há algumas semanas, os investidores esperavam cortes de juros de 0,50 ponto percentual pelo Copom e, pelo menos, a sinalização de um corte nos Estados Unidos.
Agora, isso mudou. Os números mostram a piora das expectativas. Não se esperavam cortes nas reuniões de março e de abril. A projeção era de um corte em junho, mas isso está menos provável. Na sexta-feira (13) a probabilidade de manutenção dos juros americanos no nível atual na reunião de junho era de 77,1%, mais que o dobro dos 31,4% registrados um mês antes.
Ao mesmo tempo, a probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual despencou para 22,1%, ante os 51,2% de um mês antes. O consenso do mercado, que no início do ano apontava para dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026, está agora se deslocando em direção à expectativa de apenas um corte, e mesmo assim no segundo semestre.
No Brasil, o movimento foi igual. No dia 26 de fevereiro — dois dias antes do ataque americano ao Irã —, as opções de Copom negociadas na B3 precificavam uma probabilidade de 83% de corte de 0,50 ponto percentual na Selic. A probabilidade de manutenção das taxas era praticamente inexistente, em apenas 2%, e a chance de um corte mais modesto, de 0,25 ponto percentual, era a aposta de apenas 14% dos contratos.
Esse quadro se inverteu. A probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual quase quadruplicou, saltando para 53%. A previsão de um corte de 0,50 ponto percentual despencou para 23% — menos de um quarto da estimativa registrada antes do conflito. E, para além da magnitude do corte, surgiu uma possibilidade que poucos cogitavam: a de que o Banco Central (BC) decida não cortar os juros nesta reunião, com a probabilidade de manutenção da Selic atingindo 25%.
Perspectivas
A semana começa com uma leve alta nos contratos futuros dos principais índices americanos no pré-mercado. As cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil também mostram uma leve valorização. Os investidores estão em busca de ações a preços competitivos após a forte queda das últimas semanas.
Indicadores
BRASIL
Relatório Focus
Índice IBC-Br (Jan)
Esperado: + 0,85%
Anterior: – 0,20%
ESTADOS UNIDOS
Índice Empire State de atividade industrial (Mar)
Esperado: 4,00%
Anterior: 7,10%
Produção Industrial Mensal (Fev)
Esperado: 0,1%
Anterior: 0,7%