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A Seleção Brasileira Vale Mais Que Dez Empresas da Bolsa – e 46% Desse Valor Está em Cinco Jogadores

Os 26 convocados por Carlo Ancelotti somam R$ 5,5 bilhões em valor de mercado, superando dez companhias do Ibovespa

3 min

A convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026 trouxe um número que chama atenção até fora do universo do futebol. Os 26 jogadores escolhidos por Carlo Ancelotti somam 928,2 milhões de euros em valor de mercado, cerca de R$ 5,5 bilhões, segundo o Transfermarkt.

A cifra é suficiente para colocar a equipe à frente de dez empresas listadas no Ibovespa. O valor agregado dos atletas supera companhias como Vivara (R$ 4,9 bilhões), Cogna (R$ 4,8 bilhões), Magazine Luiza e Minerva (R$ 3,6 bilhões cada), Azzas 2154 (R$ 3,5 bilhões), C&A (R$ 3,4 bilhões), Vamos (R$ 3,3 bilhões), PetroReconcavo (R$ 3,1 bilhões), MRV (R$ 2,9 bilhões) e YDUQS (R$ 2,3 bilhões). Apenas a Hapvida, avaliada em cerca de R$ 5,7 bilhões, aparece em uma faixa semelhante de valor.

A comparação ajuda a ilustrar o tamanho que o futebol alcançou como indústria global. Mas o dado mais revelador não é que a Seleção vale mais que dez companhias da bolsa. É a forma como essa riqueza está distribuída.

Dos R$ 5,5 bilhões atribuídos ao elenco, quase metade está concentrada em apenas cinco jogadores. No topo aparece Vinicius Júnior, avaliado em 140 milhões de euros (cerca de R$ 830 milhões). O atacante do Real Madrid responde sozinho por cerca de 15% do valor total da convocação. Na sequência vêm Matheus Cunha e Gabriel Magalhães, ambos estimados em 75 milhões de euros (aproximadamente R$ 445 milhões cada), além de Bruno Guimarães e Raphinha, avaliados em 70 milhões de euros (cerca de R$ 415 milhões cada).

Juntos, os cinco atletas acumulam 430 milhões de euros em valor de mercado, aproximadamente R$ 2,55 bilhões. O grupo concentra 46% valor econômico da Seleção. A concentração lembra o que acontece nos mercados acionários. Nos Estados Unidos, um pequeno grupo de gigantes da tecnologia passou a responder por parcela crescente dos ganhos dos principais índices. No futebol, algo semelhante ocorre com atletas capazes de combinar desempenho esportivo, visibilidade global e potencial comercial.

A posição dos atacantes nessa hierarquia também não é coincidência. O setor ofensivo concentra mais de 519 milhões de euros em valor de mercado, aproximadamente R$ 3,1 bilhões. Sozinho, o ataque brasileiro vale mais que empresas como YDUQS e MRV e praticamente alcança a capitalização da PetroReconcavo.

A explicação está na lógica econômica do futebol moderno. Em um mercado globalizado, jogadores capazes de decidir partidas tornaram-se ativos escassos. Clubes disputam esses talentos não apenas pelos resultados dentro de campo, mas também pela capacidade de atrair audiência, patrocinadores, novos torcedores e receitas comerciais.

Se a comparação com empresas médias da bolsa favorece a Amarelinha, o cenário muda rapidamente quando o parâmetro passa a ser a elite corporativa brasileira. Petrobras vale R$ 569,6 bilhões, Vale soma R$ 323,9 bilhões e Ambev alcança R$ 256,6 bilhões. Mesmo a Rede D’Or, décima colocada entre as empresas mais valiosas do Ibovespa, possui valor de mercado de R$ 73,1 bilhões. Isso significa que a seleção representa apenas 7,5% do valor da Rede D’Or e cerca de 1% da Petrobras.

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