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Cenários
Como esperado, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano na 279ª reunião, encerrada na quarta-feira (17). Também como esperado, o Federal Open Market Committee (Fomc), o Copom americano, manteve as taxas nos EUA estáveis na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano.
Porém, apesar de as decisões terem confirmado as expectativas, as informações que acompanharam os números mostraram um cenário mais adverso para a inflação do ponto de vista dos bancos centrais.
Começando pelo Copom. O Comunicado divulgado logo após a reunião foi duro, e não deixou claras as próximas etapas da política monetária. Logo no segundo parágrafo, o texto informa que “nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura”.
O Copom considera que o 4T27 é o horizonte relevante para a política monetária. Sua projeção de inflação subiu para 3,7% ante os 3,5% do cenário de referência anterior.
Houve duas novidades no Comunicado. No quarto parágrafo, pela primeira vez, o Comitê citou “efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia” como um fator determinante para a composição da inflação.
E logo mais adiante, ao listar os riscos de alta para a inflação, o texto cita “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica”.
O texto foi claro em indicar um distanciamento adicional das projeções de inflação em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. “Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária”, diz o Comunicado.
E foi além: “ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções permanece mais elevada que o usual, em função da falta de clareza sobre a trajetória dos condicionantes dos modelos de projeção analisados.”
Ou seja, apesar de ter reduzido os juros e de não ter indicado os novos passos da política monetária, o Comunicado do Copom permite esperar um endurecimento da política monetária ao longo do ano, dependendo do comportamento da inflação.
Mudemos de país. Nos Estados Unidos, as ações fecharam em baixa na quarta-feira (17) devido a um discurso considerado duro de Kevin Warsh, novo presidente do Federal Reserve (FED), o banco central americano. Em sua primeira reunião, Warsh falou várias vezes sobre “estabilidade de preços”.
Uma pesquisa divulgada pelo FED, o “gráfico de pontos” ou “dot plot” mostra que os membros do Fomc não descartam a hipótese de uma alta dos juros nos Estados Unidos ainda neste ano. Isso derrubou as ações, pois havia a expectativa de que Warsh – indicado por Donald Trump – seria menos duro com a inflação.
Qual a conclusão disso? Em ambos os casos, os bancos centrais confirmaram as expectativas dos investidores. No entanto, os discursos foram surpreendentemente duros, mostrando algo que, em retrospecto, parece óbvio. A inflação está acima do limite, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. E nesses casos a recomendação é elevar os juros.
Perspectivas
Depois de cair na véspera, os preços estão se recuperando nesta manhã. As cotações do petróleo voltaram a cair, com o Brent negociado a US$ 78,60, baixa de pouco mais de 1% e se aproximando dos níveis anteriores ao ataque americano ao Irã.
Indicadores
BRASIL
Sem indicadores relevantes
ESTADOS UNIDOS
Pedidos iniciais de seguro-desemprego
Esperado: 225 mil
Anterior: 229 mil