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Ibovespa Fecha em Queda com Oriente Médio e Juros dos EUA em Foco

Dólar fecha perto da estabilidade e Petróleo fecha em máxima de várias semanas

8 min

O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira (08). Durante o dia o índice chegou a operar abaixo do patamar dos 170 mil pontos no pior momento. Isso aconteceu porque investidores ficaram preocupados com os acontecimentos no Oriente Médio e atentos aos sinais da ata do banco central americano sobre política monetária no país.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,79%, a 170.653,45 pontos, após chegar a 169.972,40 pontos na mínima. Na máxima do dia, marcou 172.017,57 pontos.

O volume financeiro somou R$21,75 bilhões. O pregão abriu pressionado pela declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que um acordo provisório para encerrar a guerra com o Irã “está acabado”, depois que Teerã realizou novos ataques a bases norte-americanas no Golfo.

Em uma escalada de hostilidades, o Irã informou ter atacado instalações militares dos EUA no Barein e no Kuweit, após forças norte-americanas atingirem alvos iranianos em resposta a ataques contra navios-tanque no Estreito de Ormuz.

Trump alertou o Irã de que os EUA provavelmente realizarão novos ataques na noite desta quarta-feira, mas disse que não acredita que um conflito em grande escala venha a eclodir.

Os preços do petróleo responderam com alta relevante aos últimos eventos naquela região. O barril sob o contrato Brent fechou em alta de 5,2%, a US$78,02.

No final da tarde, o Exército dos EUA informou que forças armadas norte-americanas estavam realizando novos ataques contra o Irã.

Em Wall Street, o índice acionário S&P 500 cedeu 0,28%, refletindo também a repercussão da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, quando a taxa de juros de referência dos EUA foi mantida na faixa de 3,50% a 3,75%.

O documento mostrou aumento da preocupação com a inflação no encontro do mês passado, o primeiro sob o comando de Kevin Warsh, com alguns participantes vendo motivos para elevar o juro imediatamente, embora tenham apoiado a manutenção.

Na visão da economista Andressa Durão, do ASA, a ata confirma que o cenário base do Fed para a política monetária mudou de uma expectativa de manutenção da taxa de juros ao longo deste ano para a possibilidade de novas altas.

A B3 funcionará normalmente da quinta-feira, feriado no Estado de São Paulo que celebra a Revolução Constitucionalista de 1932.

Destaques

• VALE ON recuou 4,59%, acompanhando as perdas do setor no exterior. Na China, porém, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian, para setembro, encerrou a sessão com alta de 0,88%. Na contramão, CSN MINERAÇÃO ON valorizou-se 2,42%.

• PETROBRAS PN subiu 3,15% e PETROBRAS ON avançou 2,79%, endossadas pela alta do petróleo no exterior, oferecendo um contrapeso à pressão negativa do Ibovespa. No setor, PETRORECONCAVO ON saltou 6,04%, tendo ainda no radar dados de produção do segundo trimestre.

• ITAÚ UNIBANCO PN caiu 1,27%, com o setor como um todo pressionado pelo ambiente mais avesso a risco. O índice do setor financeiro da B3 perdeu 0,96%.

• CURY ON cedeu 7,85%, com prévia operacionaldo segundo trimestre também sob o holofote. TENDA ON, que não está no Ibovespa e também divulgou dados devendas e lançamentos, recuou 5,09%. O índice do setor imobiliário perdeu 2,95%, tendo ainda de pano de fundo alta nas taxas dos DIs. MRV&CO ON, que também reporta dados nesta semana, caiu 5,84%.

• NATURA ON valorizou-se 5,59%, revertendo a fraqueza da abertura, mesmo após a companhia divulgar estimativa de receita para o segundo trimestre que representou uma queda de 9% a 10% ante o mesmo período de 2025. O índice de consumo, por sua vez, fechou com declínio de 1,15%.

• ULTRAPAR ON avançou 4,11%, referendada por relatório de analistas do Bank of America elevando a recomendação das ações para compra ante neutra, bem como preço-alvo de R$34 para R$37.

Dólar

O dólar fechou perto da estabilidade ante o real, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha sustentado ganhos ante outras divisas de países emergentes, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o acordo provisório com o Irã foi encerrado.

O dólar à vista encerrou a sessão com variação negativa de 0,11%, aos R$5,1484. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 6,21% ante o real.

Às 17h02, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,28% na B3, aos R$5,1780.

Após novos ataques do Irã a bases norte-americanas no Golfo Pérsico, Trump afirmou mais cedo nesta quarta-feira que o acordo provisório para encerrar a guerra com o Irã “acabou” e ameaçou o país com novas ofensivas na noite desta quarta-feira.

“Eles são escória. São pessoas doentes. São liderados por pessoas doentes”, declarou Trump a repórteres em Ancara, onde participava de uma cúpula da Otan. “Para mim, é apenas perda de tempo lidar com eles.”

Durante a tarde, em uma fala menos incisiva, Trump disse não acreditar que um conflito em grande escala com o Irã venha a eclodir após os ataques militares de ambos os lados.

Ainda assim, o petróleo Brent se manteve em alta firme durante todo o dia, perto dos US$80 em alguns momentos, enquanto os rendimentos dos Treasuries avançaram, em meio a preocupações renovadas de que a guerra pressione a inflação norte-americana.

Nos mercados de moedas, o dólar subiu ante divisas de emergentes como a rupia indiana, o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.

No Brasil, o dólar oscilou entre a cotação máxima de R$5,1846 (+0,60%) às 9h01, logo após a abertura, e a mínima de R$5,1364 (-0,34%) às 9h54, ainda na primeira hora de negócios. Na maior parte da sessão, no entanto, a moeda se manteve próxima da estabilidade.

Profissionais do mercado citaram o fato de o Brasil, como exportador de petróleo, ser favorecido quando o preço da commodity avança, o que estaria contribuindo para as cotações do dólar não avançarem ante o real.

No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap para rolagem do vencimento de 3 de agosto. À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$3,909 bilhões em junho.

No exterior, às 17h10, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,20%, a 100,980.

Nesta quinta-feira, apesar do feriado da Revolução Constitucionalista de 1932 no Estado de São Paulo, a B3 funcionará normalmente, incluindo a negociação com dólar futuro e cupom cambial.

Petróleo

Os preços do petróleo fecharam com alta de quase 5% nesta quarta-feira, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou novos ataques contra o Irã, gerando preocupações de que a retomada das hostilidades no Oriente Médio pudesse interromper a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz.

Os futuros do Brent subiram US$3,86, ou 5,2%, fechando a US$78,02 o barril, o maior valor desde 19 de junho. O petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos subiu US$3,08, ou 4,4%, para US$73,52, o maior valor desde 22 de junho.

Trump afirmou que um acordo provisório assinado no mês passado para pôr fim à guerra com o Irã estava “encerrado” e que os Estados Unidos provavelmente lançariam novos ataques na noite desta quarta-feira, após os ataques iranianos a bases americanas no Golfo Pérsico e a petroleiros no Estreito de Ormuz.

Mais tarde, Trump descartou o reinício de uma guerra em grande escala com o Irã, fazendo com que os índices de referência do petróleo recuassem em relação aos ganhos máximos da sessão, que chegaram a quase 9%.

Ainda assim, o recente recrudescimento das tensões provavelmente impôs um limite ao número de embarcações dispostas a passar pelo Estreito de Ormuz, afirmaram analistas da RBC Capital Markets em uma nota.

Um quinto do abastecimento global de petróleo passava pelo estreito antes do início da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro, após os ataques aéreos dos EUA e de Israel contra Teerã. Desde então, o Irã mantém um controle rígido sobre a circulação de navios por essa movimentada via navegável, forçando outros produtores de petróleo do Oriente Médio a cortar milhões de barris da produção devido à incapacidade de exportar no mesmo ritmo de antes.

“Fundamentalmente, os eventos dos últimos dias enfraquecem significativamente qualquer confiança de que a atual trégua de 60 dias ainda possa evoluir para um acordo de paz permanente”, disse Jorge Leon, chefe de análise geopolítica da consultoria Rystad Energy.

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