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Ibovespa sobe e dólar fecha no menor nível em um mês

O índice subiu 0,51%, a 176.641,10 pontos, com os dados de inflação mais benignos nos EUA; Petróleo sobe 2% e dólar cede para R$ 5,10, a menor cotação desde 15 de junho

9 min

O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, ultrapassando os 177 mil pontos no melhor momento, após a divulgação de dados de preços ao consumidor nos Estados Unidos abaixo das expectativas, que referendaram o apetite a risco nos mercados. O índice subiu 0,51%, a 176.641,10 pontos, tendo alcançado 177.179,10 pontos na máxima e marcado 175.742,87 pontos na mínima do dia. O volume financeiro somou R$22,1 bilhões.

Na visão do sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, a bolsa paulista repercutiu o noticiário sobre a inflação nos EUA, que desencadeou uma reavaliação das probabilidades sobre os próximos passos do Federal Reserve.

O índice de preços ao consumidor dos EUA recuou 0,4% em junho ante maio e subiu 3,5% em 12 meses, mostrou o Departamentodo Trabalho, enquanto previsões de economistas consultados pela Reuters apontavam queda de 0,1% e alta de 3,8%, respectivamente.

“Esse dado foi muito importante e ajudou a melhorar as perspectivas para a política monetária americana, que vinham num tom mais hawkish, e isso acaba favorecendo os ativos de risco”, acrescentou o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri.

Em Nova York, o rendimento do título de dez anos do Tesouro dos EUA recuava a 4,5874% no final do dia, de 4,61% na véspera, enquanto o índice acionário S&P 500 avançou 0,38%, com resultados de bancos também sob os holofotes.

Para o Fed, avaliam economistas do Bradesco, o índice de preços de junho deve trazer alívio no curto prazo e deixar o banco central em modo de espera.

Na cena geopolítica, o Irã disparou mísseis balísticos contra uma base aérea dos EUA na Jordânia nesta terça-feira, enquanto os EUA atacaram alvos iranianos por cinco horas em uma batalha pelo controle do Estreito de Ormuz, sustentando mais uma alta dos preços do petróleo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, porém, recuou em relação à proposta de cobrar uma taxa de trânsito de 20% para proteger o Estreito de Ormuz, afirmando nesta terça-feira que, em vez disso, buscaria acordos de investimento com os países do Golfo Pérsico.

Destaques

• VALE ON avançou 1,59%, endossada pela alta dos futuros do minério de ferro na China. A mineradora também informou nesta terça-feira que avaliou uma oportunidade de investimento em ativo de minério de ferro em Corumbá (MS), masdescartou eventual transação. No setor, CSN MINERAÇÃO ON foi destaque negativo, com queda de 6,42%, após oito altas seguidas, quando acumulou ganho de quase 32%.

• PETROBRAS PN terminou estável, após avançar quase 1,6% na máxima e recuar 1,35% na mínima do dia, marcado por nova alta do petróleo no exterior, embora o barril do Brent tenha se afastado das máximas e fechado com elevação de 1,2%. No setor, BRAVA ON subiu 6,49%, em pregão que previa reunião da CVM sobre a OPA lançada pela colombiana Ecopetrol para assumir o controle da companhia brasileira.

• ITAÚ UNIBANCO PN terminou com variação positiva de 0,25%, em dia misto entre os bancos do Ibovespa. BRADESCO PN recuou 0,75% e SANTANDER BRASIL UNIT fechou com declínio de 0,11%, mas BANCO DO BRASIL ON subiu 1,73%, tendo no radar também possibilidade de anúncio nesta semana sobre renegociações de dívida rural, e BTG PACTUAL UNIT avançou 0,75%.

• HAPVIDA ON valorizou-se 6,98%, mantendo a recuperação em julho após fechar os dois meses anteriores com desempenho acumulado negativo. Analistas do Citi reiteraram uma visão cautelosa para a empresa de saúde, citando que a visibilidade operacional continua baixa e as expectativas do mercado seguem sem uma âncora clara.

• ULTRAPAR ON caiu 2,65%, em sessão com leilão de um bloco de ações, a R$29,40 por papel. De acordo com o Brazil Journal, o fundo de pensão canadense CPPIB zerou sua posição no conglomerado em block trade que movimentou R$1,3 bilhão na B3. O papel vinha de oito altas seguidas, período em que acumulou uma valorização de quase 19%.

• TOTVS ON caiu 1,71%, tendo como pano de fundo alerta da IBM sobre o boom da inteligência artificial estar pressionando orçamentos destinados a softwares. A norte-americana estimou um lucro abaixo do esperado no segundo trimestre, citando que viu clientes direcionarem seus investimentos para compras de servidores, armazenamento e memória, em uma realocação de recursos acima do que previa.

• ONCOCLÍNICAS ON, que não está no Ibovespa, disparou 26,32%, a R$0,96, após protocolar pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar dívidas financeiras de aproximadamente R$5,1 bilhões. O Valor Econômico disse que a IG4 deve apresentar proposta para entrar na companhia. A Oncoclínicas disse que as operações seguem normalmente no atendimento a clientes, fornecedores e colaboradores.

• JALLES MACHADO ON, que não faz parte do Ibovespa, avançou 5,39%, tendo no radar resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovada nesta terça-feira que eleva temporariamente de 30% para 32% a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina. No setor, SÃO MARTINHO ON perdeu 1,53%, RAÍZEN PN caiu 6,06% e ADECOAGRO, que é listada em Nova York, subiu 0,58%.

Petróleo satinge maior cotação em um mês

Os preços do petróleo subiram cerca de 2%, atingindo a maior cotação em um mês, depois que os EUA restabeleceram um bloqueio naval contra o Irã, o que reduzirá o fluxo de petróleo da região pelo Estreito de Ormuz.

Antes da guerra com o Irã, cerca de 20% do abastecimento global de petróleo passava pelo estreito.

As preocupações de que os preços mais altos da energia pudessem impulsionar a inflação, reduzir o crescimento econômico global e, por fim, diminuir a demanda por petróleo, limitaram os ganhos nos preços.

Os futuros do Brent subiram US$ 1,43, ou 1,7%, fechando a US$ 84,73 por barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA subiu US$ 1,20, ou 1,5%, fechando a US$ 79,34.

Pela segunda sessão consecutiva, o Brent fechou em seu maior nível desde 12 de junho e o WTI, em seu maior nível desde 15 de junho.

Esse aumento de preço manteve o Brent em território tecnicamente de sobrecompra pelo segundo dia consecutivo pela primeira vez desde março.

“A retomada dos ataques entre os EUA e o Irã está se intensificando nesta semana e provavelmente continuará, considerando os novos bombardeios norte-americanos ocorridos durante a madrugada, após a reinstituição do bloqueio dos EUA ao Estreito de Ormuz”, afirmaram analistas da consultoria de energia Ritterbusch and Associates em uma nota.

O presidente dos EUA, Donald Trump, recuou de uma proposta de cobrar uma taxa de 20% para proteger o Estreito de Ormuz como parte do conflito com o Irã, dizendo que, em vez disso, buscaria acordos de investimento com os países do Golfo.

As forças americanas realizaram uma série de ataques pela terceira noite consecutiva depois que Teerã anunciou ter fechado o estreito. Na segunda-feira, Trump restabeleceu o bloqueio à navegação iraniana e propôs a taxa.

Dólar fecha no menor nível em um mês

O dólar fechou a terça-feira em queda no Brasil e novamente abaixo dos R$ 5,10, na esteira do recuo da moeda norte-americana também no exterior, após dados de inflação dos Estados Unidos em junho ficarem abaixo do esperado.

O dólar à vista encerrou a sessão com queda de 1,12%, aos R$ 5,07. Essa é a menor cotação de fechamento desde 15 de junho, quando o dólar atingiu R$ 5,06. No ano, a moeda norte-americana passou a acumular baixa de 7,56% ante o real.

Às 17h04, o dólar futuro para agosto – atualmente o mais líquido no mercado brasileiro – cedia 1,15% na B3, aos R$ 5,10.

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos recuou 0,4% em junho, conforme o Departamento do Trabalho, mais que a projeção de queda de 0,1% dos economistas consultados em pesquisa da Reuters. Nos 12 meses até junho, o CPI subiu 3,5%, menos que os 3,8% projetados.

O núcleo de inflação, que exclui componentes voláteis como alimentos e energia, ficou estável em junho e subiu 2,6% na base anual, menos que os 2,9% anteriores.

O CPI foi bem recebido pelos investidores, que reduziram as apostas de que o Federal Reserve subirá sua taxa de referência, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, no fim deste mês. Em reação, o dólar cedeu ante as demais divisas globais, incluindo o real.

“O resultado reduz a expectativa de que o Federal Reserve precise elevar os juros no curto prazo. Com uma inflação mais comportada, diminui também a perspectiva de maiores retornos dos títulos do Tesouro americano, o que tende a enfraquecer o dólar frente às demais moedas”, avaliou Lucca Bezzon, analista de Inteligência de Mercado da Stonex.

Após marcar a cotação máxima de R$5,1288 (-0,05%) às 9h08, pouco depois da abertura, o dólar à vista atingiu a mínima de R$ 5,06 (-1,29%) às 12h08, sob influência do CPI, para depois encerrar na faixa dos R$ 5,07.

“Mas não vejo fatores para o dólar se manter abaixo de R$ 5,10. O próprio (boletim) Focus continua projetando um dólar a R$ 5,20 no fim do ano, e o Focus costuma ser otimista”, opinou Matheus Massote, especialista em câmbio da One Investimentos.

Na segunda-feira, o boletim Focus do Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim de 2026 está em R$ 5,20 e no final de 2027 em R$ 5,28.

No exterior, além do CPI, os investidores seguiram monitorando o conflito entre EUA e Irã e a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz.

O presidente dos EUA, Donald Trump, recuou em relação à proposta de cobrar uma taxa de trânsito dos navios de 20% para proteger a hidrovia, afirmando que, em vez disso, buscaria acordos de investimento com os países do Golfo Pérsico. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a possível cobrança dos EUA como “pirataria”.

Às 17h12, o índice do dólar – que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas – caía 0,35%, a 100,920.

No fim da manhã, sem efeitos sobre as cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de agosto.

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