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JPMorgan Registra Lucro Recorde de US$ 21,2 Bilhões Impulsionado por Visa e Banco de Investimento

Além do crescimento das receitas para US$ 57,3 bilhões, o balanço foi beneficiado por um ganho não recorrente ligado à participação do banco na Visa e pela retomada das operações de banco de investimento

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O segundo trimestre confirmou uma mudança de direção para os grandes bancos americanos. Depois de dois anos marcados por juros elevados, menor atividade em fusões e aquisições e um mercado de capitais mais seletivo, o JPMorgan Chase apresentou um lucro líquido recorde de US$ 21,16 bilhões entre abril e junho, alta de 41% em relação ao mesmo período de 2025.

O número foi impulsionado por um ganho extraordinário relacionado à participação do banco na Visa, mas o resultado operacional também mostrou uma aceleração que já vinha sendo observada nos últimos meses. Excluindo esse efeito, o lucro líquido teria alcançado US$ 16,9 bilhões, ainda acima das estimativas do mercado.

A diferença ajuda a separar dois movimentos distintos. O primeiro é contábil e não recorrente. O segundo reflete uma recuperação da atividade financeira global, com empresas voltando a acessar o mercado de capitais e investidores aumentando o volume de negociações diante da volatilidade provocada por mudanças na política comercial dos Estados Unidos e pela expectativa em torno da trajetória dos juros.

A receita líquida avançou 28% na comparação anual, para US$ 57,35 bilhões, enquanto o lucro por ação diluído atingiu US$ 7,70, acima dos US$ 5,59 projetados por analistas consultados pela FactSet.

O principal motor do trimestre foi o Commercial & Investment Bank. A divisão gerou receita de US$ 24,85 bilhões, crescimento de 27% em relação ao mesmo período do ano passado. As taxas de banco de investimento aumentaram 30%, alcançando o maior nível desde 2021, indicando uma retomada das operações de fusões, aquisições e emissões de ações e dívida, segmentos que haviam perdido força durante o ciclo de aperto monetário conduzido pelo Federal Reserve.

Ao mesmo tempo, a atividade de mercados voltou a produzir resultados acima da média. A receita da área cresceu 35%, sustentada pelo aumento das operações realizadas pelos clientes. O destaque ficou para a mesa de ações, cuja receita avançou 86%, beneficiada pelo maior giro das bolsas americanas e pela demanda por estratégias de proteção em um ambiente de maior incerteza. Em renda fixa, o crescimento foi mais moderado, de 6%.

Outro indicador que permaneceu em expansão foi a gestão de patrimônio. Os ativos sob administração do JPMorgan atingiram US$ 5,1 trilhões, crescimento de 18% em relação ao ano anterior. O avanço reflete tanto a valorização dos mercados financeiros quanto a entrada líquida de recursos de clientes institucionais e de alta renda.

Na frente de crédito, o banco manteve uma postura conservadora. As provisões para perdas totalizaram US$ 2,5 bilhões no trimestre. As baixas líquidas chegaram a US$ 2,4 bilhões, enquanto houve constituição adicional de reservas de US$ 149 milhões, concentrada principalmente na carteira corporativa. Embora os níveis permaneçam controlados, o banco segue preservando colchões para um cenário econômico ainda cercado por incertezas.

Apesar do resultado recorde, o CEO Jamie Dimon voltou a adotar um discurso cauteloso. O executivo afirmou que fatores como déficits fiscais elevados, tensões geopolíticas e mudanças nas políticas comerciais continuam representando riscos para a economia americana. A mensagem mantém a linha adotada pelo banco nos últimos trimestres: resultados fortes não eliminam a possibilidade de uma desaceleração mais à frente.

Além do desempenho financeiro, um dos desdobramentos mais observados no Brasil envolve justamente a Visa. O ganho extraordinário registrado pelo JPMorgan decorre da valorização de sua participação na empresa de pagamentos, que passou a ocupar posição central na investigação aberta pelo governo americano sobre práticas comerciais brasileiras.

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) incluiu o Pix entre os temas analisados na investigação contra o Brasil, sob a alegação de que o sistema de pagamentos instantâneos poderia criar barreiras à concorrência de empresas estrangeiras. A apuração ocorre em meio à discussão sobre a possibilidade de Washington impor tarifas adicionais de até 37,5% sobre determinados produtos brasileiros.

Embora o Pix seja uma infraestrutura pública administrada pelo Banco Central e não um concorrente direto das bandeiras de cartões, a inclusão do sistema na investigação ampliou a atenção do mercado para o avanço dos meios de pagamento instantâneos sobre modelos tradicionais de cartões. O tema ganhou peso justamente no momento em que a Visa se tornou um dos principais fatores por trás do maior lucro trimestral da história do JPMorgan.

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