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Trump Recua do Plano de Cobrar Taxa sobre Ormuz em Favor de Acordos de Investimento com Países do Golfo

Os ataques dos EUA seguiram pelo terceiro dia após o Irã anunciar o fechamento do estreito, levando Donald Trump a restabelecer o bloqueio à navegação iraniana e propor uma nova taxa

5 min

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou em relação à proposta de cobrar uma taxa de trânsito de 20% para proteger a importante via navegável do Estreito de Ormuz, como parte do conflito com o Irã, afirmando nesta terça-feira (14) que, em vez disso, buscaria acordos de investimento com os países do Golfo Pérsico.

As forças norte-americanas realizaram uma série de ataques pela terceira noite consecutiva depois que Teerã anunciou ter fechado o estreito, o que levou Trump, na segunda-feira (13), a restabelecer um bloqueio à navegação iraniana e propor a taxa.

Mas pouco menos de cinco horas antes de a taxa entrar em vigor, às 17h (horário de Brasília), Trump afirmou que o estreito estava aberto a todo o tráfego marítimo, exceto ao do Irã.

“Com base em conversas altamente produtivas com as lideranças do Oriente Médio, decidi substituir a Taxa de Reembolso dos Estados Unidos de 20% por acordos comerciais e de investimento que os diversos países do Golfo farão com os Estados Unidos”, disse ele em uma postagem no Truth Social.

Irã relata novos ataques; Sirenes no Kuweit

Trump disse na segunda-feira (13) ao programa “Hugh Hewitt Show” que o Irã seria atingido “muito duramente esta noite, e vamos atacá-los com força amanhã. E não há absolutamente nada que eles possam fazer a respeito”.

O gabinete do governador da Ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz, informou ter sido atingido por um projétil norte-americano por volta das 19h (horário local) desta terça-feira (14), segundo a mídia estatal iraniana.

Enquanto isso, um projétil dos EUA explodiu perto de uma instalação de água e eletricidade na Ilha de Kish, no Irã, informou a agência de notícias semioficial Tasnim. A mídia estatal também noticiou uma explosão ouvida em Andimeshk, na província de Khuzestan, no sul do país.

O Irã havia retaliado mais cedo atacando uma base do Exército dos EUA na Jordânia com mísseis balísticos, enquanto o Barein, que abriga uma base naval dos EUA, informou ter repelido um ataque aéreo iraniano.

A Jordânia informou ter derrubado quatro mísseis balísticos, e explosões foram ouvidas em Manama, capital do Barein.

No início da noite, o Kuweit informou que suas forças estavam enfrentando alvos aéreos “hostis”, e a agência de notícias estatal informou que sirenes soaram no país.

A intensificação dos ataques aumentou as dúvidas de que um memorando de entendimento assinado no mês passado levasse a uma suspensão permanente da guerra, que tem prejudicado o abastecimento global de energia e gerado temores de um aumento da inflação em todo o mundo.

Transportadoras se opuneram ao plano de taxas no Estreito de Ormuz

A medida de impor taxas pelos EUA gerou críticas contundentes. A agência de navegação da ONU afirmou que se opôs a quaisquer taxas para estreitos utilizados na navegação internacional e que não havia base legal para a introdução de pedágios obrigatórios na travessia de estreitos.

A alemã Hapag-Lloyd , quinta maior empresa de transporte de contêineres do mundo, afirmou que isso seria “fundamentalmente errado”.

Trump disse nesta terça-feira que não gostava da ideia de uma taxa pelo uso do estreito e afirmou que alguns países haviam ligado para ele dizendo que preferiam investir nos EUA em vez de pagar uma taxa.

Não ficou imediatamente claro o que os países do Golfo Pérsico haviam concordado, se é que concordaram com alguma coisa. Trump não mencionou nenhum compromisso por parte deles, dizendo apenas em sua postagem: “Os investimentos serão ENORMES, mas, ao mesmo tempo, extraordinariamente bons para eles e para o futuro deles.”

Os preços do petróleo subiram cerca de 2%, atingindo o maior nível em um mês nesta terça-feira, depois que os EUA restabeleceram o bloqueio naval ao Irã e à medida que os novos ataques entre Washington e Teerã aumentaram as preocupações com o fluxo de energia.

Antes da guerra, cerca de um quinto do tráfego global de petróleo e gás natural liquefeito passava diariamente por essa via navegável. Se os EUA tivessem imposto uma taxa de 20%, isso poderia ter gerado cerca de US$ 240 milhões por dia.

Negociações entre Líbano e Israel

Apesar dos ataques, analistas afirmaram que as hostilidades permaneceram dentro de limites controlados, por enquanto, com ambos os lados buscando vantagem para um eventual acordo de paz, mas que ainda havia o risco de os combates saírem do controle.

“Duvido que os dois lados retomem uma guerra total, especialmente porque Trump será prejudicado — embora haja também uma possibilidade clara de que os iranianos exagerem em suas ações. Isso vale para Trump também, é claro”, disse Yezid Sayigh, pesquisador sênior do Carnegie Middle East Center.

O conflito tem se mostrado impopular nos EUA, onde os preços da gasolina subiram desde o início da guerra e as eleições para o Congresso se aproximam em novembro. Metade dos entrevistados em uma pesquisa da Reuters afirmou acreditar que a guerra não valeu os custos incorridos.

Os EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, e o Irã atacou Israel e os países do Golfo que abrigam bases norte-americanas, em uma guerra que também reacendeu o conflito entre Israel e militantes do Hezbollah no Líbano, matou milhares de pessoas e deslocou milhões.

O Líbano e Israel retomaram negociações nesta terça-feira (14) em Roma, com Beirute buscando avanços para garantir a retirada israelense do sul do Líbano, no âmbito de um acordo mediado pelos EUA.

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