Pelo menos 37 pessoas morreram depois que um ataque com drone russo a um depósito de munições na região de Kiev provocou uma explosão. A informação foi dada pelo presidente, Volodymyr Zelenskiy, neste sábado, prometendo punir a suposta negligência no incidente.
Dezenas ficaram feridas e centenas foram retiradas da área do ataque na noite de sexta-feira na vila de Myla, onde infraestruturas próximas, incluindo edifícios residenciais e um centro para idosos e pessoas com deficiência, sofreram “danos significativos”.
O ataque provocou incêndios generalizados, segundo autoridades. Entre os mortos estava o chefe de um vilarejo vizinho que correu para ajudar. “Uma situação terrível e uma negligência terrível por parte daqueles que armazenaram explosivos bem ao lado das pessoas”, disse Zelenskiy em um discurso em vídeo.
Segunda detonação em dois meses
O local da explosão da sexta-feira era uma instalação militar que abrigava projéteis de artilharia, minas e drones, entre outras munições, acrescentou ele.
O incidente seguiu-se a um caso semelhante na cidade de Vyshneve, no mês passado, quando 10 pessoas morreram e centenas de casas foram danificadas após um ataque ter provocado explosões secundárias. “Outro crime desse tipo é absolutamente inaceitável”, disse Zelenskiy. “Espero que os detalhes sejam apresentados ao público imediatamente.”
Ele acrescentou que já foram abertos processos criminais sob a acusação de negligência oficial. Autoridades ucranianas raramente divulgam os danos causados a alvos militares por ataques russos.
Em comunicado divulgado neste sábado, o Ministério da Defesa da Ucrânia afirmou que todos os responsáveis pelo armazenamento de armas devem realizar uma auditoria completa em suas instalações.
Enxames de drones assolam Kiev
Outras nove regiões foram alvo de ataques noturnos da Rússia, acrescentou Zelenskiy, dizendo que Kiev, em particular, estava sob um “ataque praticamente ininterrupto” de drones a jato.
A Rússia intensificou sua guerra aérea contra a Ucrânia com um número crescente de mísseis balísticos difíceis de detectar e novos drones de alta velocidade, contra os quais Kiev não possui defesas aéreas capazes de abatê-los.
Neste sábado, sirenes soaram durante toda a manhã e a tarde pelo terceiro dia consecutivo, enquanto a Força Aérea da Ucrânia alertava sobre novas ondas de drones se aproximando da capital.
Kremlin diz que vê União Europeia como hostil e não há perspectiva de melhora nas relações
A Europa está fazendo declarações que sugerem que considera a Rússia um “adversário e até mesmo um inimigo”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, neste sábado, acrescentando que Moscou não vê perspectivas de melhora nas relações entre a Rússia e a União Europeia.
Não ficou claro imediatamente a quais declarações Peskov se referia. Ele acrescentou que os atuais políticos da UE adotam uma postura de confronto em relação à Rússia, “não apenas nas palavras, mas também nos atos”.
“Eles estão mobilizando os recursos militares da Europa e direcionando-os contra nosso país, ao mesmo tempo em que participam diretamente das hostilidades contra nós”, disse Peskov.