Mais de 18 mil pessoas circularam durante três dias pelo 15º Congresso Andav, encerrado na quinta-feira (13), em São Paulo, com a participação de mais de 260 marcas expositoras. O encontro reuniu distribuidores de insumos agropecuários, indústrias, empresas de tecnologia e serviços financeiros, especialistas e executivos para discutir um mercado que ocupa a ligação entre fabricantes de tecnologias e produtores rurais. Antes do fim desta edição, 71% das empresas expositoras já haviam renovado presença para 2027, acima da meta de 70% estabelecida pela organização.
“O Congresso Andav é um evento que está crescendo. E isso só acontece graças aos profissionais do agronegócio, que estão aqui para trocar informações, adquirir conhecimento e fazer negócios”, afirmou Vivian Lima, sócia e CEO da Zest Eventos, organizadora do encontro.
A próxima edição está marcada para os dias 3 a 5 de agosto de 2027. Segundo ela, a renovação antecipada dos espaços indica a disposição das empresas de manter o evento entre seus canais de relacionamento comercial com distribuidores e demais integrantes da cadeia de insumos.
A distribuição ocupa uma posição de capilaridade no agronegócio brasileiro ao conectar a indústria a produtores espalhados por diferentes regiões e sistemas de produção. A Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), representa esse segmento há 35 anos e reúne mais de 3.800 unidades comerciais no país, segundo dados da própria entidade. O trabalho dessas empresas envolve a comercialização de produtos, serviços e tecnologias, além da assistência ao produtor e da circulação de informações técnicas no campo. Essa função esteve no centro da programação do congresso. Ao longo dos três dias, especialistas e executivos trataram de cenários econômicos, gestão, liderança, inovação, sustentabilidade, reforma tributária e novas tecnologias.
“Debatemos os cenários da agroeconomia e do futuro do setor, além de aprofundarmos temas como gestão, liderança e as tendências apresentadas por diversos especialistas para fortalecer o agronegócio brasileiro”, disse Marcos Chaves, presidente do Conselho Diretor da Andav.
Para Paulo Tiburcio, presidente executivo da associação, a proximidade com o produtor permanece como um dos componentes do modelo de distribuição. Em seu balanço do encontro, ele destacou o público recebido nesta edição e defendeu uma gestão atenta às condições atuais dos negócios sem perder de vista as transformações que podem alterar a relação entre indústria, distribuidores e agricultores nos próximos anos.
A indústria acompanhou essa discussão a partir de sua relação com as revendas. Anderson Parra, gerente de acesso a revendas da BASF Soluções para Agricultura, classificou o congresso como um ambiente de contato com parceiros, fornecedores e clientes. Na Bayer, Jeferson Oliveira, líder de distribuição, apontou a presença regional dos distribuidores como parte do caminho para levar novas soluções às diferentes áreas produtoras do país.
O mesmo movimento apareceu entre companhias de insumos e serviços que utilizam a rede de distribuição para ampliar sua presença no mercado. “A importância de estarmos aqui próximo da distribuição do Brasil, entendendo o momento e os desafios dos clientes é uma oportunidade de relacionamento”, afirmou Haroldo Yamanaka, diretor estratégico da GIROAgro e da Vivabio. Roberto Dib, diretor de marketing de clientes da Syngenta no Brasil, também associou a participação da empresa ao contato com a rede. “O evento é um excelente ambiente para a discussão de desafios e oportunidades, além de uma ótima oportunidade para relacionamento com nossa rede”, disse.

As condições financeiras das revendas e dos produtores entraram nas conversas realizadas na área de exposição. Para Oziel Ferreira, CEO do Grupo Ceres Investimentos, os encontros desta edição avançaram para discussões sobre estruturas ligadas às necessidades de cada cliente. “O cliente vem, senta com a gente, mostra a situação e onde está a dor, e desenhamos uma estrutura para poder ajudá-lo”, afirmou.
Juliana Oliveira, head de Marketing e Comunicação da Ecoagro, disse que a aproximação com distribuidores permite compreender demandas financeiras específicas do setor. “O Congresso Andav é um espaço estratégico para estarmos próximos da cadeia de distribuição de insumos, entendermos suas necessidades e construirmos soluções financeiras cada vez mais aderentes à realidade do setor”, afirmou. Segundo ela, as reuniões durante o evento incluíram discussões para a formulação de estruturas e alternativas de financiamento.
A digitalização das revendas também integrou a participação das empresas. Brunna Santos, gerente de marketing da Aliare, afirmou que o encontro permite à companhia reunir clientes, revendedores e potenciais compradores de suas soluções. “Olhando para nossa vertical de insumos, o Congresso tem uma enorme relevância. É aqui encontramos clientes, revendas e prospects e apresentamos tecnologias e novidades ao mercado de distribuição”, disse.
Na área de insumos biológicos, a discussão passou pela expansão de práticas relacionadas à agricultura regenerativa. Carlos Baptista, diretor comercial da Biotrop, apontou os distribuidores como agentes para a chegada dessas tecnologias às propriedades rurais. A participação no congresso, segundo o executivo, integra a relação comercial da empresa com revendas que fazem a conexão entre produtos biológicos e produtores.
O encerramento ampliou a discussão para a matriz energética brasileira. Alexandre Baldy, vice-presidente sênior e head de Comercial e Marketing da BYD, tratou da combinação entre eletrificação e biocombustíveis no transporte e citou energia solar, eólica e hidrelétrica, além de etanol, biodiesel e biometano, entre as fontes disponíveis no país.
Baldy apontou os veículos híbridos plug-in como uma alternativa para combinar eletrificação e uso de etanol. A tecnologia, segundo ele, pode ganhar espaço no Brasil e em mercados nos quais o biocombustível também possui participação relevante, entre eles a Índia. “Temos uma matriz diversa de fontes renováveis. Podemos eletrificar valorizando o etanol, que é ativo estratégico competitivo para o futuro”, afirmou.
Com a edição de 2027 já marcada e 71% das empresas com participação renovada, a Andav entra no próximo ciclo com uma base de expositores definida enquanto distribuidores, indústrias e prestadores de serviços acompanham mudanças em crédito, tributação, tecnologias digitais, insumos biológicos e energia que devem alterar decisões comerciais ao longo da cadeia.