O Ibovespa fechou praticamente estável nesta quarta-feira (26), perdendo o fôlego após superar os 176 mil pontos no melhor momento do dia, em meio a um ambiente de incertezas que ainda mina o apetite a risco na bolsa paulista.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa terminou com acréscimo de 0,01%, a 174.586,26 pontos, após ajustes. Na máxima do dia, o Ibovespa chegou a 176.296,49 pontos. Na mínima, marcou 174.208,48 pontos. O volume financeiro somou R$29,8 bilhões.
Pesquisa da XP com assessores afiliados à plataforma mostrou uma deterioração significativa do apetite em relação à bolsa em agosto, comos riscos fiscais no Brasil e a incerteza eleitoral entre as maiores preocupações.
De acordo com o levantamento, considerando o cenário dos próximos meses, 10% dos participantes afirmaram que seus clientes planejam aumentar a alocação em ações, bem abaixo dos 21% da pesquisa de julho e menor leitura desde maio de 2023. Em paralelo, 17% dos respondentes afirmaram que seus clientes pretendem reduzir a alocação em renda variável, de 14% no mês passado.
Dados da B3 sobre a movimentação de estrangeiros na bolsa mostram alguma trégua na pressão vendedora em agosto, com entrada líquida no último dia 24, de R$69 milhões. No pregão anterior, na sexta-feira, as compras superaram as vendas em R$1,76 bilhão.
Para o especialista em investimentos Marcos Bassani, sócio-fundador da Boa Brasil Capital, trata-se de um fluxo bem pontual, pois “investidores ainda aguardam o fim da guerra (no Oriente Médio) e a definição da eleição presidencial”. No mês, o saldo de capital externo na bolsa segue negativo em R$21,37 bilhões.
Na pauta do dia, o IBGE mostrou que o IPCA-15caiu 0,4% em agosto, após alta de 0,06% em julho. Em 12 meses, subiu 4,24%, de 4,52% um mês antes. Expectativas em pesquisa da Reuters apontavam recuo mensal de 0,3% e alta de 4,34% em 12 meses.
Na visão do economista-chefe da Sicredi Asset, Filipe Stona, o IPCA-15 isoladamente não altera de forma estrutural o cenário para a Selic, mas reforça a perspectiva de continuidade do processo gradual de flexibilização monetária, sem indicar, por ora, a necessidade de aceleração do ritmo de cortes. Ele manteve a expectativa de Selic terminal em 13,75% ao ano, com um corte residual na próxima reunião do Copom.
“O cenário interno já previa que a melhora em alimentação e industriais favoreceria a inflação de 2026, ao mesmo tempo que a resiliência dos serviços e das expectativas limita uma comunicação mais branda do Banco Central.”
Da agenda do exterior, o índice de preços norte-americano para despesas com consumo pessoal de julho, o PCE — medida de inflação preferida do banco central dos EUA — subiu 3,7% nos 12 meses até julho, repetindo a taxa de junho. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 3,6% para o PCE. O dado reforçou as apostas em um aumento da taxa de juros em setembro.
Em Wall Street, o S&P 500 encerrou ao redor da estabilidade, em sessão também marcada por expectativa para a divulgação do balanço da Nvidia, após o fechamento do pregão.
Destaques
• PETROBRAS PN subiu 0,24%, distante do melhor momento do dia, tendo de pano de fundo novo declínio dos preços do petróleo no exterior. No setor, PRIO ON recuou 0,2%, BRAVA ENERGIA ON caiu 2,64% e PETRORECONCAVO ON perdeu 2,08%.
• BRADESCO PN avançou 1,25%, com os bancos do Ibovespa também terminando distantes das máximas da sessão. ITAÚ UNIBANCO PN encerrou com variação positiva de 0,03% e SANTANDER BRASIL UNIT subindo 0,13%, enquanto BTG PACTUAL UNIT caiu 0,24% e BANCO DO BRASIL ON cedeu 0,26%. O BB começou nesta quarta-feira as renegociações por meio do programa de reestruturação de dívidas do setor rural lançado pelo governo federal.
• VALE ON perdeu o fôlego e cedeu 0,32%, quebrando uma sequência de sete altas, período em que acumulou um ganho de mais de 10%. Na China, os futuros do minério de ferro fecharam em alta, com o contrato mais negociado em Dalian subindo 0,49%. No setor de mineração e siderurgia, USIMINAS PNA valorizou-se 2,3%, CSN ON subiu 3,74% e GERDAU PN avançou 1,92%.
• MAGAZINE LUIZA ON subiu 3,74%, completando quatro pregões sem fechar com sinal negativo. No mês, ainda acumula um declínio de mais de 6%, pressionado particularmente pelas primeiras semanas de agosto, em meio a preocupações com um estresse financeiro no setor de varejo, entre outras razões, pelo elevado nível dos juros no país.
• COGNA ON avançou 2,76%, no quarto pregão seguido de alta. Analistas do BTG Pactual cortaram o preço-alvo da ação de R$5 para R$4 nesta semana e apontaram que os riscos macro aumentaram, mas reiteraram a recomendação de compra para o papel, citando que os fundamentos da empresa de educação continuam saudáveis. No setor, YDUQS ON recuou 1,37%, em nova sessão de ajuste, após forte valorização recente com notícias envolvendo negociação com a Afya.
• SABESP ON valorizou-se 1,5%, endossada por analistas do JPMorgan, que reiteraram recomendação de compra para a ação. Eles destacaram que veem o desempenho atual das ações — que acumulam queda de 9,5% em agosto incluindo o pregão desta quarta-feira, contra recuo de apenas 1,92% do Ibovespa –como um dos raros momentos em que o sentimento do mercado se sobrepõe aos fundamentos da companhia, “criando um ponto de entrada atraente em uma das teses de investimento mais sólidas de nossa cobertura”.
• ASSAÍ ON caiu 6,58%, corrigindo parte do salto de quase 9% na véspera.
Dólar
O dólar fechou com leve alta no Brasil e novamente acima dos R$5,15, acompanhando o fortalecimento da moeda norte-americana no exterior após a divulgação de novos dados sobre a economia dos Estados Unidos.
O dólar à vista fechou o dia com alta de 0,23%, aos R$5,1533. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,12%.
Às 17h03, o dólar futuro para setembro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,06% na B3, aos R$5,1570.
O Departamento de Comércio dos EUA informou pela manhã que o índice de inflação PCE — bastante observado pelo Federal Reserve em sua política monetária — subiu 0,2% em julho, após cair 0,1% em junho. Nos 12 meses até julho, o índice subiu 3,7%, repetindo a taxa de junho, mas superando a previsão de 3,6%.
O núcleo do PCE subiu 0,2% em julho, em linha com o esperado. Já o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre nos EUA cresceu 1,5%, também em linha com as expectativas.
Na esteira dos números de inflação, os rendimentos dos Treasuries ganharam força, assim como o dólar ante boa parte das demais divisas, em meio à avaliação de que o Fed pode ser levado a subir juros no curto prazo para conter a alta de preços.
No mercado de câmbio brasileiro, isso se materializou no avanço do dólar ante o real. Após marcar a cotação mínima intradia de R$5,1394 (-0,04%) às 9h06, antes da divulgação dos dados norte-americanos, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,1673 (+0,50%) às 12h52, já depois dos números.
O fortalecimento do dólar ante o real esteve em sintonia com o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes, como o peso colombiano e o peso chileno. A moeda norte-americana também avançou ante divisas fortes como o euro e a libra.
Às 17h09, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,24%, a 99,148.
No início do dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, cedeu 0,40% em agosto, após ter subido 0,06% em julho. A deflação no mês foi maior que o recuo de 0,30% esperado pelo mercado, conforme pesquisa da Reuters.
A abertura do indicador, no entanto, não trouxe números tão favoráveis, com aceleração de preços em algumas métricas de serviços e na média dos núcleos de inflação.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 60.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de setembro. À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$2,552 bilhões em agosto até o dia 21.